Resumo da coluna “A democracia não precisa de heróis” (O Globo)
Na coluna publicada nesta quinta-feira, Malu Gaspar volta a tratar do caso envolvendo o Banco Master, o contrato de R$ 129 milhões firmado com Viviane Barci de Moraes — esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes — e a posterior intervenção do Banco Central na instituição financeira.
A jornalista direciona críticas centrais ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, questionando a falta de uma negativa pública e categórica sobre eventuais pressões exercidas por Alexandre de Moraes no episódio. Segundo Malu, Galípolo teria negado a existência de pressão apenas “em off” e, posteriormente, divulgado uma nota oficial considerada vaga, na qual confirma encontro com Moraes para tratar da Lei Magnitsky, mas sem afastar explicitamente a possibilidade de o caso Master ter sido discutido.
Para a colunista, esse comportamento revela contradição e fragilidade institucional. Ela sustenta que, se não houve pressão, o presidente do BC deveria afirmar isso de forma clara e pública, evitando dúvidas que alimentam desconfiança.
Malu Gaspar também critica diretamente o ministro Alexandre de Moraes, apontando o que considera uma atuação incompatível com padrões básicos de ética pública. Segundo ela, enquanto exercia papel central na defesa da democracia, Moraes teria se movimentado “no coração do poder” de maneira imprópria, sobretudo porque o contrato milionário de sua esposa com o Banco Master estava em vigor no período em que ele se reuniu com o presidente do Banco Central.
A tese central da coluna é que a democracia não deve depender de figuras tratadas como heróis, mas de instituições fortes, transparentes e submetidas a regras claras de conduta — inclusive para aqueles que ocupam posições de poder e protagonismo.
