Eleição de 2026 colocará em disputa dois terços do Senado e pode influenciar STF e governabilidade
A eleição para o Senado Federal em 2026 colocará em jogo 54 das 81 cadeiras da Casa, o equivalente a dois terços do total. Cada um dos 26 estados e o Distrito Federal elegerá dois senadores, para mandatos de oito anos, com início em 2027.
A ampla renovação prevista deve mudar o perfil do Senado e influenciar diretamente o próximo governo, além de ter impacto sobre a composição do Supremo Tribunal Federal (STF). Por isso, tanto governo quanto oposição tratam a disputa como estratégica.
Além de propor e votar projetos de lei e emendas constitucionais, cabe ao Senado funções decisivas, como:
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processar e julgar o presidente da República por crimes de responsabilidade;
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processar e julgar ministros do STF;
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aprovar indicações de ministros do STF e do STJ, do procurador-geral da República, da diretoria do Banco Central, além de embaixadores e outras autoridades.
Renovação do STF no horizonte
O novo Senado terá papel central na renovação do STF. Está pendente a indicação de Jorge Messias, escolhido pelo presidente Lula para substituir Luís Roberto Barroso. Além disso, outros três ministros do Supremo devem se aposentar ao longo do próximo mandato presidencial, o que exigirá aprovação do Senado.
Partidos com mais cadeiras em disputa
Entre os partidos, o PSD será o mais afetado, com 11 das 14 cadeiras em disputa. O MDB colocará nove de seus dez senadores em fim de mandato. O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, terá sete dos 15 senadores encerrando mandato. Já o PT tem seis dos nove parlamentares nessa situação.
Algumas siglas disputarão a eleição com 100% de suas bancadas em fim de mandato, como Podemos (4 senadores), PSDB (3) e Novo (1), o que torna o desafio ainda maior para manter representação no Senado.
Os senadores em fim de mandato podem concorrer à reeleição. A lista inclui nomes como Renan Calheiros (MDB-AL), Jaques Wagner (PT-BA), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Paulo Paim (PT-RS), entre outros.
Bancadas com mandato até 2030
Atualmente, o PL é o partido com mais senadores com mandato até 2030: oito parlamentares, resultado do bom desempenho da sigla nas eleições de 2022. Republicanos e União Brasil mantêm quatro senadores cada, enquanto PT, PP e PSD têm três parlamentares ainda em meio de mandato.
Disputa política e pressão sobre o Judiciário
Com tantas vagas em disputa, governo e oposição buscam ampliar suas bancadas para aumentar o controle das votações e da agenda política do Senado.
Nesta semana, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, anunciou que deixará o ministério para disputar uma vaga ao Senado pelo Paraná. Outros ministros, como Marina Silva, Simone Tebet e Rui Costa, também são cotados para a disputa.
Na oposição, o vereador Carlos Bolsonaro transferiu o título eleitoral do Rio de Janeiro para Santa Catarina, onde pretende concorrer ao Senado. Michelle Bolsonaro é apontada como possível candidata no Distrito Federal.
Além das pautas legislativas, o Senado volta e meia é palco de discussões sobre pedidos de impeachment de ministros do STF. Levantamento do g1 aponta que 81 pedidos foram protocolados desde 2021 e aguardam análise da presidência da Casa, hoje ocupada por Davi Alcolumbre (União-AP). O ministro Alexandre de Moraes é citado em 43 desses pedidos, seguido por Gilmar Mendes, em 10.
Para o cientista político Carlos Ranulfo, da UFMG, o Senado tem sido uma Casa de “difícil manejo” para aliados do bolsonarismo. Segundo ele, o objetivo da oposição é ampliar a bancada para criar um ambiente mais hostil ao Judiciário.
Já Eduardo Grin, da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que o Senado atuou como uma Casa moderadora no terceiro mandato do presidente Lula, barrando pautas da oposição aprovadas pela Câmara dos Deputados — papel que pode mudar a partir de 2027, a depender do resultado das urnas.
