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PT aprova resolução em que critica BC e defende rever meta de inflação

Publicada em: 08/02/2026 09:55 -

O que a resolução do PT sinaliza, na prática

A resolução aprovada em Salvador é menos sobre o agora e mais sobre o 2026. Ela cumpre três funções centrais:

1) Pressão política direta sobre o Banco Central

O PT eleva o tom contra a autonomia do BC e personaliza o conflito, mesmo com Gabriel Galípolo — indicado por Lula — já na presidência. O recado é claro:

  • o partido quer queda mais rápida da Selic,

  • vê a política monetária como freio ao projeto de governo,

  • e prepara o terreno para rever a autonomia do BC no próximo mandato, se Lula for reeleito.

A crítica à “financeirização” e ao “bloqueio ao projeto eleito nas urnas” recoloca a velha disputa entre:

  • estabilidade monetária x crescimento com política ativa do Estado.


2) Tentativa de reabrir o debate sobre a meta de inflação

Ao defender a revisão da meta de 3%, o PT faz algo relevante:

  • reconhece implicitamente que a meta atual é difícil de cumprir sem juros altos,

  • e tenta legitimar uma inflação um pouco maior como “custo aceitável” para crescimento e emprego.

Isso cria tensão direta com:

  • o mercado,

  • o próprio arcabouço fiscal,

  • e, em parte, com a postura mais cautelosa de Haddad.

Mesmo com a inflação de 2024 em 4,26%, dentro do teto, o partido quer mudar as regras do jogo — não apenas jogar dentro delas.


3) Agenda social com forte apelo eleitoral

Do ponto de vista político, o pacote é muito claro:

  • Fim da escala 6x1, sem redução salarial → discurso direto com a classe trabalhadora urbana.

  • Tarifa zero no transporte → promessa popular, mas com alto custo fiscal e operacional.

Aqui aparece a linha de tensão interna no governo:

  • O PT empurra a agenda.

  • Haddad atua como freio técnico, dizendo:

    “tem impacto fiscal, precisa de financiamento consistente”.

Ou seja: o partido pressiona pela política; a Fazenda tenta evitar que vire bomba fiscal.


Leitura política mais ampla

  • O PT está reafirmando identidade, não apenas apoiando o governo.

  • A resolução funciona como um documento de disputa interna e externa:

    • interna, com Haddad e setores mais moderados;

    • externa, com o BC, o mercado e a oposição.

É também um aviso:

Se Lula disputar 2026, o segundo mandato tende a ser mais assertivo, menos conciliador com a lógica do BC autônomo e do controle rígido da inflação.


Ponto-chave de contradição

O discurso político é forte, mas o desafio central continua sem resposta clara:

👉 Quem paga a conta da tarifa zero?
👉 Como reduzir juros sem desancorar expectativas de inflação?

 

Enquanto isso não estiver resolvido, a resolução funciona mais como manifesto político do que como plano de governo.

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