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A esquerda caiu na armadilha da lacração

Publicada em: 14/02/2026 13:03 -

1. Personalização como estratégia narrativa

O autor sugere que dar nome próprio a um caso (“Caso Toffoli”) desloca o foco de estruturas mais amplas — como esquemas financeiros ou redes de lavagem — para um personagem específico.
Essa técnica tem forte apelo midiático: nomes próprios geram identificação, conflito e simplificação da narrativa.

2. Crítica à “lacração” transversal

Ele acusa não só a mídia tradicional (“jornalões”), mas também parte da esquerda e da mídia progressista de aderirem à lógica punitivista e performática que marcou o lavajatismo — com imperativos morais do tipo “é preciso”, “é dever”, “é inadiável”.
A crítica é que, ao imitar o tom moralista, setores que se diziam críticos da Lava Jato reproduzem sua estética e seus métodos simbólicos.

3. Disputa institucional maior

O pano de fundo seria uma disputa de poder envolvendo:

  • STF

  • Congresso (Câmara e Senado)

  • Governo Lula

  • Mídia corporativa

O autor sugere que enfraquecer ministros do STF pode ser parte de uma estratégia política de médio prazo, ligada ao ambiente eleitoral e à correlação de forças entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

4. Paralelo com a Lava Jato

A analogia central é:

assim como a Lava Jato teria deixado de focar “na estrutura” para mirar Lula, agora haveria tentativa de mirar ministros específicos do STF.

Independentemente de concordar ou não com o argumento, o texto está estruturado como uma advertência sobre:

  • o poder da narrativa

  • o uso político de escândalos

  • o risco de simplificação moralizante

  • a transformação de investigações complexas em campanhas personalizadas

Já existe um ‘Caso Toffoli’, assim carimbado nas capas dos jornalões. O estagiário do Supremo sabe o que acontecerá. Parte da mídia alternativa ou independente ou progressista ou de esquerda já está embarcando na história do Caso Toffoli. E vai usar todas as palavras de ordem impositivas que os jornalões usaram e abusaram no lavajatismo: é preciso isso, é dever aquilo, é obrigação, é inadiável, é inegociável. Porque parte das esquerdas também gosta de ser julgadora, justiceira e lacradora. Mesmo o jornalismo antifascista também caiu na armadilha da lacração do novo lavajatismo. Lacram para não parecerem fora do tom. Lacram para avalizar que agora o caso se chama Toffoli e assim camuflar tudo o que o caso Master ainda esconde. Se o caso agora se chama Toffoli, o que vier depois será decorrência do caso Toffoli e ficará em segundo plano. Não há, para dar um exemplo, um nome para o caso, já esquecido, das fintechs da Faria Lima acumpliciadas com o PCC. O nome que ficou é o dado pela Polícia Federal, Operação Carbono Oculto, que não tem impacto e só o ChatGPT sabe o que significa. No caso do Master, para que a lacração seja melhorada e amplie seus alcances, vamos agora de Caso Toffoli. Não há como escamotear em torno da situação do ministro, dos constrangimentos para o Supremo e dos custos decorrentes da sequência de fatos sobre o caso, incluindo a suspeita de grampo da reunião de quinta-feira do STF. Mas não precisa sair lacrando como se todos fossem Malus Gaspares, a anunciadora do clichê das tempestades perfeitas. Precisamos saber, como Lula deseja, quem ainda não apareceu como parte não só da pirâmide, mas do esquema de lavagem de dinheiro do Master. O plano prioritário declarado dos jornalões é o de usar o caso Master não para desvendar estruturas mafiosas de gente importante do poder financeiro e empresarial e das facções políticas, mas para emparedar o Supremo. O que vai resultar disso é resposta para, talvez, depois da eleição. Quando direita e extrema direita nos dirão se, com Câmara e Senado hipertrofiados, poderão governar, mandar, cassar, impichar e desmandar, mesmo com Lula eleito. É nesse ambiente que a esquerda imitadora da direita vai aperfeiçoando suas lacrações, para que não fique em desvantagem em todos os espaços a serem ocupados. E assim o jornalismo também se assemelha a grupos de tios do zap do olha aí, veja isso, não perde esse aqui, passa adiante o que der, bate, ferra, massacra. Lacram e julgam sumariamente porque tentam buscar equivalências de tom e volume com as vozes das gritarias, ou não serão ouvidos. Lacram porque o lavajatismo contagiou amplos setores, não só da imprensa, e determinou que todos passem a gritar. Lacram sem piedade até na condenação de Lula por ter aceito a homenagem de uma escola de samba. Já lacraram e agora se acalmaram um pouco na definição lacradora de Fernando Haddad como liberal. O fascismo se diverte, porque a lacração moralista do prende e arrebenta é a ferramenta deles em busca da síntese rasa e grosseira que fideliza audiências e ainda transforma muita gente em ativistas lacradores. O Caso Master, se for transformado em Caso Toffoli, estará fazendo a mesma caminhada da Lava-Jato na caçada a Lula. Ninguém queria pegar corruptos dos quais ninguém lembra o nome. Queriam pegar Lula. Como querem hoje ter como troféus as cabeças de ministros do Supremo, para que a Corte fique mais dócil e mais controlável por todos os que a Globo representa como incomodados por decisões do STF. Queriam pegar Alexandre de Moraes, agora pegarão Dias Toffoli e mais adiante sairão atrás de Flávio Dino. Essa é a missão das corporações de mídia, que pautam sites e jornalistas de esquerda com informações e lacrações e orientam condutas lacradoras e justiceiras. É o Carnaval dos blocos das lacrações. O autor desse texto irá se esforçar para não lacrar, mas não promete que será capaz. 

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