O pedido da defesa de Robson Calixto para converter a prisão preventiva em domiciliar com base em alegados problemas graves de saúde — incluindo exames que indicariam “alta probabilidade” de câncer — será analisado à luz de critérios legais bastante objetivos.
📌 O que diz a lei sobre prisão domiciliar por motivo de saúde?
O Código de Processo Penal (art. 318) prevê a possibilidade de substituição da prisão preventiva por domiciliar quando:
-
o preso estiver extremamente debilitado por motivo de doença grave;
-
houver necessidade comprovada de tratamento médico que não possa ser oferecido adequadamente no sistema prisional;
-
existirem laudos médicos consistentes que demonstrem risco concreto à saúde.
No entanto, a Justiça costuma exigir:
-
laudos médicos detalhados e atuais;
-
comprovação de que o tratamento é inviável no sistema penitenciário;
-
avaliação do risco processual (fuga, obstrução de investigação etc.).
⚖️ Fatores que o juiz deve considerar no caso
Como Calixto é apontado nas investigações como intermediário entre os supostos mandantes (os irmãos Brazão) e os executores do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o Judiciário também deve avaliar:
-
Gravidade do crime (duplo homicídio com forte repercussão nacional e internacional);
-
Risco à instrução criminal;
-
Possibilidade de interferência no andamento do processo;
-
Existência de estrutura médica adequada no sistema prisional ou possibilidade de tratamento externo com escolta.
🏥 Sobre o argumento da saúde
O simples indício ou suspeita de câncer não garante automaticamente a prisão domiciliar. Normalmente, é necessário:
-
diagnóstico confirmado;
-
indicação médica de tratamento imediato;
-
comprovação de que o sistema prisional não pode fornecer esse atendimento.
Em muitos casos, a Justiça opta por permitir tratamento médico fora do presídio com escolta, sem converter a prisão em domiciliar.
📍 Contexto do caso
O assassinato de Marielle Franco, ocorrido em março de 2018 no Rio de Janeiro, permanece como um dos casos criminais mais emblemáticos do país. As investigações apontaram a participação de executores já presos e avançaram posteriormente sobre suspeitas de mandantes e intermediários.
