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Rui Costa Pimenta alerta para “desbarrancada geral” no STF e vê caso Banco Master como crise profunda do regime

Publicada em: 19/02/2026 06:32 -

🔥 1. O epicentro da crise: Banco Master e STF

O caso gira em torno das investigações sobre o Banco Master e sua relação com o ministro Dias Toffoli.

Segundo a reportagem:

  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria dado “carta branca” ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para aprofundar apurações.

  • No STF, o gesto foi interpretado como sinal de confronto.

  • Ministros teriam reagido com forte desconforto, considerando a medida um rompimento da sintonia institucional construída após os atos de 8 de Janeiro.

A saída de Toffoli da relatoria do caso e os vazamentos sobre sessão interna da Corte ampliaram as suspeitas e o clima de desconfiança.


🕵️ 2. A frente explosiva: vazamentos e Receita Federal

O ministro Alexandre de Moraes determinou à Receita Federal rastreamento de acessos a dados de ministros e familiares.

A investigação teria identificado:

  • Servidores da Receita envolvidos em vazamentos;

  • Funcionário cedido pelo Serpro.

Essa camada da crise é sensível porque desloca o foco do caso financeiro para a segurança institucional e proteção de dados de autoridades, algo que atinge diretamente a credibilidade do Estado.


🏛️ 3. Congresso: contenção de danos

No Congresso, a movimentação descrita envolve:

  • Resistência a uma CPI específica do Banco Master;

  • Tentativa de direcionar energia política para a CPI do INSS;

  • Sinalização do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de que não pautará pedidos de impeachment contra ministros do STF.

Isso reduz o risco imediato de ruptura formal, mas não elimina o desgaste político e narrativo.


⚖️ 4. O dilema do governo Lula

O governo enfrenta um impasse estratégico:

  • Se mantém proximidade com o STF → é acusado de simbiose institucional.

  • Se se distancia → pode perder sustentação em julgamentos e disputas constitucionais.

A crítica apresentada por Rui aponta que o governo teria ido longe demais na aliança política com a Corte, dificultando agora qualquer reposicionamento eleitoral para 2026.


🌎 5. Projeções para 2026 e o cenário internacional

O debate inclui:

  • Possível fortalecimento do discurso bolsonarista.

  • Espaço para tentativa de “terceira via”.

  • Comparações com crises institucionais internacionais, como a operação Mãos Limpas na Itália.

  • Referência ao presidente dos EUA, Donald Trump, como exemplo de radicalização política no Ocidente.

O pano de fundo é um ambiente global de desgaste das democracias liberais e polarização crescente.


🎯 6. Possíveis cenários

A crise pode evoluir para:

  1. Descompressão institucional
    Ajustes internos, redução de vazamentos e acomodação política.

  2. Escalada investigativa
    Ampliação de revelações envolvendo figuras centrais do sistema político e judicial.

  3. Rearranjo eleitoral antecipado
    Caso o desgaste atinja patamar estrutural, alterando alianças para 2026.


📌 Síntese

O caso Banco Master deixou de ser apenas uma investigação financeira e tornou-se um episódio de disputa institucional com reflexos:

  • na relação Executivo–Judiciário,

  • na estabilidade do STF,

  • na narrativa eleitoral,

  • e na percepção pública sobre controle e transparência das instituições.

 

Como resumido na própria análise citada: trata-se de uma crise que pode “resetar” o sistema — ou ser absorvida pelo próprio sistema político brasileiro.

A reabertura do ano político em Brasília, na volta do carnaval e a partir da Quarta-Feira de Cinzas, ocorre sob um ambiente descrito como conflagrado e marcado por desconfiança entre Planalto, Congresso e Supremo Tribunal Federal (STF), impulsionado pelo avanço do escândalo envolvendo o Banco Master. As informações foram publicadas pelo jornal Estado de S. Paulo, na coluna da jornalista Vera Rosa. No centro da nova fase da crise está a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de dar “carta branca” ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para aprofundar apurações que alcançam o ministro do STF Dias Toffoli e sua relação com Daniel Vorcaro, apontado como dono do Banco Master. A iniciativa, segundo o relato, gerou forte reação interna no Supremo e ampliou o desgaste entre magistrados e o governo, apesar da aliança institucional construída desde os atos golpistas de 8 de Janeiro. Planalto aciona PF e abre fissura com o Supremo A ordem política para “ir a fundo” no caso, “doa a quem doer”, descrita na reportagem, passou a ser lida no STF como um movimento de confronto direto. Nos bastidores, Lula teria sido chamado de "ingrato" por integrantes da Corte que, após 8 de Janeiro, atuaram em sintonia com o Planalto na defesa das instituições. A reação expõe o quanto o caso Master extrapolou o noticiário policial e se transformou em disputa de poder, com suspeitas cruzadas e danos à confiança entre autoridades. A crise se agravou quando Toffoli deixou a relatoria do caso Master e, em seguida, vieram à tona vazamentos sobre uma sessão secreta do Supremo com elogios a ele. No enredo reconstituído pelo jornal Estado de S. Paulo, a sequência alimentou suspeitas de monitoramento interno e de quebra de protocolos, gerando a pergunta que passou a circular em Brasília: teria havido grampo no Supremo? A atmosfera descrita é a de um “romance policial”, no qual “todos viraram suspeitos”. Toffoli sai da relatoria, mas o caso ganha novos protagonistas O texto aponta que, para ministros do STF, a Polícia Federal teria agido de maneira "clandestina e ilegal" ao avançar sobre Toffoli sem autorização da Procuradoria-Geral da República. A contestação foi rebatida por Andrei Rodrigues, que sustentou que as informações repassadas ao presidente do STF, Edson Fachin, constavam no celular apreendido de Vorcaro.

Com o Supremo retratado como "em chamas" no relato, Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news — descrito no texto como o inquérito do "fim do mundo" desde 2019 — solicitou à Receita Federal o rastreamento da quebra de sigilo de dados de ministros e de seus familiares. A apuração identificou vazamentos atribuídos a servidores da própria Receita, incluindo um auditor e um funcionário cedido pelo Serpro, segundo a reportagem. Essa frente adiciona um componente explosivo: a crise deixou de ser apenas a investigação sobre o Banco Master e passou a envolver a integridade do sistema de proteção de dados de autoridades, com repercussões diretas sobre a credibilidade e a segurança institucional em um dos momentos mais sensíveis do calendário político. Congresso busca controlar danos e empurra disputa para CPIs O jornal Estado de S. Paulo descreve que, no Congresso, deputados e senadores do Centrão e também da esquerda, já sob pressão do calendário eleitoral de outubro, articulam uma queda de braço para administrar o desgaste. Embora o discurso público seja de apuração ampla, a movimentação de bastidores apontada é para evitar que avancem propostas de comissão parlamentar destinada a investigar o Banco Master, ao mesmo tempo em que se tenta direcionar o foco para a CPI do INSS. A leitura política por trás desse esforço é dupla. De um lado, parlamentares tentam reduzir o potencial de desgaste de aliados, protegendo frentes vulneráveis. De outro, o próprio governo avalia como extrair dividendos do tumulto, reposicionando forças na disputa por pautas e por espaços no xadrez institucional. A reportagem também menciona que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), avisou que não pautará pedidos de impeachment de ministros do STF. Na prática, a sinalização funciona como barreira a uma escalada formal do conflito, mas não impede o aumento do atrito político, sobretudo quando a crise passa a influenciar disputas de narrativa e de hegemonia no pós-carnaval. O efeito político, na visão do dirigente, é a desmoralização do próprio STF como pilar institucional, o que abriria espaço para narrativas de direita e extrema direita, especialmente em torno de julgamentos anteriores. “O processo contra o Bolsonaro fica completamente desmoralizado… foi condenado por pessoas que não têm absolutamente nenhuma envergadura moral”, afirmou, prevendo que esse discurso será usado “com grande convicção” pelo bolsonarismo.

 Governo Lula no centro da tempestade: “Quem dorme com os cachorros…” Rui avaliou que o governo do presidente Lula está preso a um impasse: precisa se descolar do STF para reduzir danos, mas enfrenta uma oposição organizada que tentará ligar Planalto e Supremo. “O governo Lula tá no meio de uma tempestade sem muita cobertura”, disse. E sintetizou o custo de uma aproximação política com o tribunal: “Quem dorme com os cachorros acorda com as pulgas.” Para Rui, o vínculo político foi longe demais: “O PT foi muito longe, o governo Lula foi muito longe nessa simbiose aí com o STF. Agora é difícil também de romper os laços. Vai atingir o Lula.” Ao discutir estratégia eleitoral, Rui afirmou que seria difícil ao presidente Lula se apresentar como “antissistema” depois de anos de alianças institucionais. “Eu acho que tá um pouco tarde… precisaria ter uma campanha bem radical… o governo teria que dar uma verdadeira guinada política”, afirmou, criticando também a defesa de autonomia policial e a ideia de apoio irrestrito a estruturas de Estado que, segundo ele, não seriam controláveis democraticamente. Polícia Federal e “autonomia”: lições de 2016 e o “golpe de Estado contra Dilma” Rui foi contundente ao falar sobre a Polícia Federal e o que chamou de ausência de controle político. “Ninguém controla essa Polícia Federal… é controlada pelos grandes capitalistas e pelo capital estrangeiro, inclusive pelo imperialismo”, afirmou, lembrando episódios do passado recente e reforçando a crítica ao arranjo institucional pós-2016. Ao mencionar o período do impeachment, ele classificou os eventos como ruptura institucional: “O que eles fizeram foi uma coisa… por isso que a gente fala que foi um golpe de estado”, disse, em referência ao golpe de Estado contra Dilma. Na avaliação dele, a crença de que pequenos acenos seriam suficientes para reverter o quadro institucional é ilusória: “Eles acham assim que eles vêm, fazem um agrado ali e pronto, vão controlar a situação de novo. Não.”

Cenários para 2026: terceira via, bolsonarismo e instabilidade global Rui observou que setores do poder econômico poderiam preferir uma alternativa eleitoral “nem Lula nem Bolsonaro”, ainda que isso dependa de desdobramentos imprevisíveis. Ele levantou a hipótese de que, em condições extremas, poderia surgir pressão por rearranjo de candidaturas: “A burguesia… gostaria de ter o candidato da terceira via… se o Lula abandonar a candidatura… para ela seria melhor.” No pano de fundo, Rui conectou a crise brasileira a uma tendência internacional de desgaste do modelo liberal, citando exemplos europeus e os Estados Unidos. Ao mencionar os EUA, ele destacou que Donald Trump é o atual presidente dos Estados Unidos e usou o cenário norte-americano como indicador de radicalização política: “Nos Estados Unidos ganhou o Donald Trump… e se o Trump sair, vai aparecer gente mais radical do que ele.” “Resetar” ou afundar: transparência e disputa política pelo desfecho Ao final, Rui argumentou que o caso Banco Master pode expor uma rede extensa de interesses e ligações, exigindo transparência. “Eu acho que a gente deveria exigir que o processo fosse feito às claras. Tem que suspender o sigilo, né? Porque o país tem que saber o que aconteceu”, disse. Na síntese, ele descreveu a conjuntura como uma crise “gigantesca” e comparou o potencial de desorganização institucional a operações de grande impacto: “É um negócio assim… tipo processo das mãos limpas na Itália… tem gente que fala inclusive que isso pode resetar o sistema político brasileiro.” Com a escalada do caso e o peso eleitoral de 2026, a entrevista sugere que a crise do STF, Banco Master e seus desdobramentos podem se tornar um dos eixos centrais do debate político nacional, com efeitos sobre instituições, governo e oposição, num ambiente em que, como definiu Rui, “do jeito que a coisa vai, ninguém nem sabe o que pode aparecer”.
 

 

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