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Faria Lima mira Moraes após queda de Toffoli no Master

Publicada em: 21/02/2026 07:43 -

🧭 1. Enquadramento narrativo

O artigo constrói a seguinte linha argumentativa:

  • A saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Banco Master teria sido o “primeiro passo”.

  • Haveria uma estratégia coordenada da “Faria Lima”, do sistema financeiro e da “extrema direita”.

  • O alvo seguinte seria Alexandre de Moraes, especialmente por sua atuação no 8 de janeiro e na condenação de Jair Bolsonaro.

  • O objetivo final seria criar ambiente político para beneficiar Bolsonaro antes das eleições.

Perceba que o texto usa termos como:

  • “modo tira-ministro”

  • “expurgo”

  • “boiada”

  • “artilharia”

  • “remove um, depois remove outro”

Esse vocabulário reforça uma narrativa de ataque organizado e ameaça institucional.


⚖️ 2. O que é fato e o que é interpretação

No texto há três camadas diferentes:

🔹 Fatos verificáveis (em tese)

  • Toffoli deixou a relatoria do caso Banco Master.

  • O caso foi redistribuído.

  • Moraes é relator de processos ligados ao 8 de janeiro.

  • Houve condenação de Bolsonaro.

  • Há menções públicas a contratos envolvendo escritório da esposa de Moraes.

Esses são pontos objetivos que podem ser confirmados.

🔹 Inferências políticas

  • Existiria coordenação entre mercado financeiro e extrema direita.

  • Haveria um “plano escalonado” contra ministros.

  • O objetivo seria libertar Bolsonaro antes das eleições.

Aqui já entramos no campo interpretativo.

🔹 Juízo de valor

  • “O mercado virou partido”

  • “Barbárie institucional”

  • “Golpismo”

  • “Chantagem”

Esses são posicionamentos ideológicos do autor.


🏛️ 3. Questão institucional

No plano institucional, há três temas importantes:

  1. Suspeição e impedimento de ministros
    É algo previsto em lei e na Constituição. Se surgem elementos que possam comprometer imparcialidade, a redistribuição é mecanismo regular do Judiciário.

  2. Crítica pública a ministros do STF
    É legítima em uma democracia. O limite é quando se transforma em ameaça ou tentativa de coação institucional.

  3. Separação entre pressão política e decisões judiciais
    Esse é o ponto central do artigo: ele argumenta que há tentativa de usar pressão política como instrumento para influenciar decisões judiciais.


🧠 4. O que o texto faz retoricamente

Ele:

  • Cria um “campo” (democracia vs. mercado/extrema direita).

  • Apresenta uma progressão dramática (Toffoli → Moraes → STF → eleições).

  • Conecta eventos distintos dentro de uma mesma narrativa estratégica.

  • Trabalha com hipótese de coordenação, mas sem apresentar prova concreta dessa articulação.

Isso é típico de artigo opinativo político.


📌 Pergunta central que o texto levanta

Existe, de fato, uma estratégia coordenada para pressionar ministros do STF com finalidade eleitoral?

Até onde se sabe publicamente, há:

  • Pressões políticas e críticas fortes.

  • Narrativas públicas concorrentes.

  • Disputas jurídicas e políticas intensas.

Mas afirmar coordenação estratégica estruturada exige provas que o texto não apresenta — ele sugere.

A Faria Lima entrou no modo “tira-ministro” e, depois de emparedar Dias Toffoli no caso Banco Master, passou a mirar Alexandre de Moraes, relator do 8 de janeiro e do processo que condenou Jair Bolsonaro (PL). O Blog do Esmael apurou que a extrema direita adotou como lema interno: não basta tirar Toffoli do caso, é preciso tirá-lo do Supremo Tribunal Federal (STF), e, em seguida, abrir fogo coordenado contra Moraes. A cronologia ajuda a entender o salto. Nesta quinta-feira (12), Toffoli saiu da relatoria do caso Master após menções ao seu nome em dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco, segundo nossos registros anteriores. A investigação foi redistribuída para André Mendonça, e os ministros divulgaram nota endossando Toffoli e afirmando a validade dos atos praticados. Nos bastidores, o afastamento de Toffoli da relatoria virou senha para um passo acima, transformar um caso de suspeição e crise institucional em campanha política de “expurgo” no STF. Os oligarcas do sistema financeiro e a velha mídia corporativa, ao comemorarem a queda de Toffoli no caso Master, passaram a vocalizar uma lógica de boiada, onde passa um boi passa uma boiada, isto é, se caiu um, cai o outro, numa escalada que tenta transformar pressão política em método para emparedar ministros do Supremo. O Blog do Esmael apurou que o lavajatismo, somado ao bolsonarismo, tenta colar uma ideia simples na opinião pública: se deu para encurralar um ministro no caso Master, dá para impor o mesmo método contra outros, inclusive por fora dos autos, na arena da pressão.

  A artilharia contra Moraes junta duas frentes. A primeira é política: Moraes concentra a relatoria do 8 de janeiro e conduziu o voto que balizou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, conforme relatamos anteriormente nesta página. A segunda é reputacional e financeira: desde o final de 2025, virou munição pública o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, com o Banco Master, amplamente noticiado, com valores de R$ 129 milhões, segundo essas reportagens. O resultado é um ataque “casado”: tenta-se deslegitimar o ministro por fora, enquanto se reorganiza a narrativa política por dentro, como se o STF fosse obstáculo eleitoral, e não guardião da Constituição. Segundo apurou o Blog do Esmael, a ofensiva não para na biografia de ministros. O objetivo prático é criar ambiente para acelerar uma campanha pela libertação de Bolsonaro ainda no primeiro semestre de 2026, antes das eleições de outubro. O movimento ganha força porque a própria defesa do ex-presidente mantém disputa pública de narrativa desde a condenação, e recursos continuaram a ser apresentados, como registrou o Blog do Esmael ao relatar a rejeição de mais um recurso pela relatoria. Crítica a decisões é normal em democracia. O problema é quando a crítica vira projeto de intimidação institucional, com roteiro de “remove um, depois remove outro”, sempre mirando quem tocou no coração do 8 de janeiro e da responsabilização pela tentativa de golpe. Quando o mercado vira partido e a extrema direita vira método, o Estado de Direito é quem paga a conta. A democracia não se defende atacando o árbitro porque ele apitou contra o golpismo. Se a política brasileira aceitar esse atalho, o próximo passo é a barbárie institucional, com insegurança jurídica, chantagem e impunidade seletiva.

 

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