Sim — ao contrário do que muitos imaginavam ser algo meramente retórico ou distante, o pedido de impeachment do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou novos contornos concretos e ganhou destaque no debate político brasileiro nas últimas semanas, conforme vem sendo noticiado pela imprensa.
🧨 Novos pedidos de impeachment recentes
📌 Senadores da oposição apresentaram um novo pedido de impeachment contra Toffoli — motivado principalmente pelo que os parlamentares entendem como suspeição e conflito de interesses relacionados ao chamado Caso Banco Master (investigação de fraudes e irregularidades no banco e em operações financeiras) e à condução dele enquanto relator no STF. Esse pedido foi anunciado por senadores como Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF), e protocolado no Senado em janeiro, recebendo novos sinais de apoio político.
📌 A Polícia Federal pediu formalmente ao presidente do STF, Edson Fachin, que Toffoli seja declarado suspeito no inquérito do Banco Master, após encontrar menções ao seu nome em mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro (dono do banco), o que intensificou a pressão política e institucional.
🏛️ Contexto institucional e repercussões
– Embora existam dezenas de pedidos de impeachment contra ministros do STF, até o momento nenhum ministro da Corte foi cassado por esse procedimento. Segundo levantamento recente, o Senado acumulava cerca de 55 pedidos de impeachment contra integrantes do STF, com Toffoli figurando entre os mais visados em petições específicas — mas ainda sem tramitação efetiva confirmada até aqui.
– O envolvimento no Caso Banco Master se tornou fulcral porque alguns parlamentares argumentam que Toffoli atuou na relatoria da investigação mesmo diante de potenciais conflitos de interesse, já que ele tem ligações pessoais e familiares com empresas que teriam tido negócios com fundos ligados ao banco investigado.
– Após essas controvérsias, o STF divulgou nota afirmando que não haveria motivo para suspeição no caso, e Toffoli deixou a relatoria da investigação, que passou a outro ministro da Corte, reduzindo momentaneamente a pressão institucional — mas os pedidos de impeachment seguem em tramitação no Senado.
📊 Situação atual
➡️ O impeachment já foi formalmente pedido por senadores e sua tramitação está registrada no Senado, amparado nos novos elementos do caso Banco Master — porém, não há indicação de que o processo tenha avançado para uma fase de votação ou comissão especial até o momento, e autoridades como o presidente do Senado têm sinalizado cautela diante da iniciativa.
O Senado Federal reúne atualmente mais de 70 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e, segundo análise publicada na Coluna do Estadão, o ministro Dias Toffoli passou a enfrentar, pela primeira vez, a possibilidade concreta de ter seu afastamento analisado pela Casa. De acordo com a colunista Roseann Kennedy, do jornal Estado de S. Paulo, o cenário é descrito como uma “tempestade perfeita”, combinando investigações, desgaste institucional e tensões entre os três Poderes da República. Embora Alexandre de Moraes seja o recordista em número de representações, é Toffoli quem se encontra em situação mais delicada neste momento. A avaliação publicada aponta que o ministro aparece cada vez mais envolvido no caso do Banco Master, cujo desdobramento passou a atingir diretamente sua imagem dentro e fora do Supremo. Caso Banco Master e pedido da Polícia Federal A situação ganhou novos contornos após vir a público que a Polícia Federal pediu a suspeição de Toffoli em razão de seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Conforme relatado na coluna, foram encontradas conversas entre o empresário e o ministro em celular apreendido pela PF. Também teriam sido identificadas menções a Toffoli em trocas de mensagens entre Vorcaro e terceiros. Segundo o texto, Toffoli nega relações de amizade e comerciais com o banqueiro. O episódio ampliou o mal-estar dentro do Supremo Tribunal Federal e agravou o desgaste político do ministro. A publicação destaca que interlocutores das cúpulas dos três Poderes afirmam que Toffoli “não é bem quisto”, o que reduziria sua base de apoio em um eventual processo no Senado. Desgaste com Legislativo e Executivo A análise também ressalta que, no Legislativo, Toffoli coleciona desafetos, especialmente por ter instaurado de ofício o inquérito das Fake News, apontado como marco do que foi chamado de “hipertrofia” do poder do Supremo. Além disso, seus votos considerados decisivos para desmontar a Operação Lava Jato teriam ampliado resistências políticas. No Executivo, segundo a coluna, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — que indicou Toffoli ao STF em 2009 — carregaria mágoas antigas, além de um desentendimento recente ocorrido em reunião sobre o caso Master. Em ano eleitoral, o texto destaca que a desconfiança da sociedade em relação à conduta de instituições como o STF, o Banco Central e a Polícia Federal não favorece o governo e pode fortalecer a oposição. Possíveis impactos no STF A eventual abertura de processo de impeachment contra Toffoli teria repercussões diretas na composição do Supremo. Uma eventual cassação abriria nova vaga na Corte. De acordo com a análise, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), poderia negociar a indicação de seu antecessor, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), além de viabilizar a aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a cadeira já existente no STF.
