A possível cassação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) provocou forte tensão nos bastidores da política fluminense e nacional, envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e integrantes do Palácio Guanabara.
Do que Castro é acusado
O governador responde a ações que apontam abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A acusação sustenta que cerca de R$ 1 bilhão, provenientes da privatização da companhia estadual de água e esgoto, teriam sido utilizados para fortalecer a estrutura de campanha à reeleição, por meio de contratações consideradas eleitoreiras.
A relatora do caso no TSE, ministra Isabel Gallotti, já votou pela cassação de Cláudio Castro e de Rodrigo Bacellar, além da realização de novas eleições no estado.
Expectativa frustrada no TSE
Aliados de Castro esperavam que Flávio Bolsonaro articulasse apoio junto aos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e que também integram o TSE.
Nos bastidores, porém, a avaliação atual é de que esse apoio não deve se concretizar. Segundo relatos, Kassio Nunes teria feito “zero esforço” para ajudar o governador — movimento atribuído politicamente ao grupo de Flávio Bolsonaro.
Disputa pela sucessão e pelo Senado
A crise não envolve apenas o julgamento, mas também o futuro político do estado:
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Cláudio Castro pretende deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado.
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Ele gostaria que o restante do mandato fosse exercido pelo secretário da Casa Civil, Nicola Miccione.
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Flávio Bolsonaro se opõe a essa possibilidade.
Além disso, há divergências estratégicas: o grupo bolsonarista avalia que, caso eleito senador, Castro poderia não apoiar eventuais iniciativas contra ministros do STF.
Se houver cassação com perda dos direitos políticos, Castro ficaria impedido de disputar o Senado — abrindo espaço para outro nome, potencialmente alinhado a Flávio Bolsonaro.
Estratégia da defesa
As defesas de Castro e de Bacellar tentam barrar o processo por meio de uma “questão de ordem”. O argumento central é que o então reitor da Uerj à época dos fatos, Ricardo Lodi — também candidato em 2022 — não foi incluído como investigado, apesar de, segundo os advogados, ter responsabilidade administrativa nas contratações questionadas.
Para a defesa, essa ausência comprometeria o processo desde o início.
Força-tarefa jurídica
O caso mobilizou uma equipe de peso: seis ex-ministros do TSE foram acionados para atuar nas defesas. Entre eles:
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Fernando Neves e Henrique Neves (defesa de Castro)
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Maria Claudia Bucchianeri e José Eduardo Alckmin (defesa de Bacellar)
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Sérgio Banhos e Carlos Horbach (defesa de Thiago Pampolha)
O que pode acontecer agora
Ainda faltam seis votos no julgamento, incluindo o da ministra Cármen Lúcia, responsável por definir a pauta do plenário.
O desfecho pode resultar em:
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Cassação e novas eleições no Rio de Janeiro;
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Manutenção do mandato de Cláudio Castro;
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Eventual reconfiguração do cenário eleitoral para o Senado.
O caso é considerado histórico, já que o TSE nunca cassou um governador do Rio de Janeiro em exercício. A decisão poderá alterar significativamente o equilíbrio político no estado e influenciar a disputa nacional de 2026.
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A possibilidade de cassação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu uma crise política que envolve o senador Flávio Bolsonaro e integrantes do Palácio Guanabara. Castro é alvo de uma ação que o acusa de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. As informações são do jornalista Octávio Guedes, do G1. O governador é acusado de ter utilizado R$ 1 bilhão obtidos com a privatização da companhia estadual de água e esgoto para financiar a estrutura de cabos eleitorais em sua campanha à reeleição. Expectativas frustradas no STF e no TSE Aliados de Castro apostavam que Flávio Bolsonaro atuaria junto aos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça para favorecer o governador no julgamento. Ambos integram o TSE e foram indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Dentro desse cenário, o grupo político de Castro também contava com um eventual voto contrário à cassação por parte do ministro Antônio Carlos Ferreira, apontado como próximo de Kassio Nunes. No entanto, o ambiente teria mudado nas últimas semanas.
A avaliação atual é de que Castro não deverá contar com esse apoio, o que enfraquece sua posição na Corte Eleitoral. O blog relata que Kassio Nunes teria feito “zero esforço” para auxiliar o governador, frustrando as expectativas do Palácio Guanabara. Esse movimento, de acordo com a publicação, estaria sendo atribuído politicamente a Flávio Bolsonaro. Disputa por sucessão e vaga no Senado A tensão também envolve o futuro político do estado. Conforme a reportagem, Flávio Bolsonaro teria interesse na cassação por duas razões centrais. A primeira diz respeito à sucessão no governo do Rio. Cláudio Castro pretende se desincompatibilizar para disputar uma vaga no Senado e deseja que o restante de seu mandato seja exercido pelo secretário da Casa Civil, Nicola Miccione. Flávio, por sua vez, se opõe a essa possibilidade. A segunda questão envolve diretamente a disputa pelo Senado. O clã Bolsonaro não acredita que Castro, caso eleito senador, atuaria em favor de um eventual processo de impeachment de ministros do STF. Se houver cassação e consequente perda dos direitos políticos, Castro ficaria impedido de disputar o Senado. Nesse cenário, a vaga poderia ser ocupada por um nome escolhido por Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, especulações sobre possíveis substitutos para Castro têm se intensificado, movimento interpretado como forma de pressão política. Na semana anterior à publicação, chegou a ser ventilada a hipótese de que Flávio lançaria a própria esposa como candidata ao Senado, mantendo o sobrenome Bolsonaro na Casa. Auxiliares do senador negaram a informação.
Um assessor de Flávio declarou: "O que Cláudio Castro tem que entender, é que ele deve entrar na negociação com Flávio mais para ouvir do que para falar. Um tem perspectiva de poder. O outro tem perspectiva de ter a PF na sua porta", em referência a investigações que envolvem o governo estadual, como casos ligados ao RioPrevidência e ao Refit. Reação de aliados de Castro Do outro lado, integrantes do entorno do governador reagiram às movimentações atribuídas à família Bolsonaro. Auxiliares de Castro afirmaram: "O Cláudio tanto tem vida própria, que nas pesquisas de intenção de votos para senador, ele está à frente de Flávio. E nenhuma movimento da família espanta, já que o clã não é confiável e só pensa nos próprios interesses". Entre os beneficiados estariam aliados políticos e cabos eleitorais do governador, o que motivou a abertura das ações que agora tramitam no Tribunal Superior Eleitoral. Além de Castro e Bacellar, também é citado o ex-vice-governador Thiago Pampolha, que deixou o cargo para assumir como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Relatora vota pela cassação e novas eleições O julgamento havia sido interrompido em novembro do ano passado, quando a relatora do caso, ministra Isabel Gallotti, apresentou voto pela cassação de Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar, além da convocação de novas eleições no estado. Com o retorno do processo ao plenário, ainda faltam os votos de seis ministros: Antonio Carlos Ferreira, Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Estela Aranha e Floriano de Azevedo Marques. Defesa tenta barrar processo com “questão de ordem” Segundo a reportagem, as defesas de Castro e Bacellar articulam uma estratégia para tentar arquivar as ações no TSE. A principal aposta é uma “questão de ordem” apresentada pela defesa de Bacellar e apoiada pela equipe jurídica do governador.
O argumento sustenta que as ações miram Castro, Pampolha e Bacellar, mas deixaram de fora o então reitor da Uerj durante o período das supostas irregularidades, Ricardo Lodi. Ele também disputou cargo nas eleições de 2022 pelo PT e, segundo a argumentação, seu grupo político estaria entre os beneficiados do esquema. Para a defesa de Castro, “esta falha macula o processo desde o seu início”. Os advogados do governador afirmam que Ricardo Lodi, enquanto reitor, era “diretamente responsável pela gestão administrativa, financeira e patrimonial" da universidade. Já a defesa de Bacellar afirma que existe uma “absoluta heterodoxia” em um processo que “busca punir candidatos que ‘viabilizaram determinadas contratações’ tidas como irregulares, mas que não arrola no polo passivo [de investigados] a pessoa que ‘efetivou todas as contratações’, e que também era candidata no mesmo processo eleitoral”. Ex-ministros do TSE entram em força-tarefa jurídica O julgamento tem mobilizado uma equipe jurídica de peso. De acordo com a reportagem, seis ex-ministros do Tribunal Superior Eleitoral foram acionados para atuar em uma espécie de força-tarefa jurídica voltada a impedir que integrantes da linha sucessória do estado percam o mandato. Na defesa de Cláudio Castro atuam Fernando Neves e Henrique Neves, irmãos e ex-ministros do TSE. A equipe de Rodrigo Bacellar é liderada por Maria Claudia Bucchianeri e José Eduardo Alckmin. Thiago Pampolha contratou os também ex-ministros Sérgio Banhos e Carlos Horbach.
Todos eles integraram o TSE na classe de juristas. A Corte Eleitoral é formada por sete membros titulares, sendo três oriundos do Supremo Tribunal Federal (STF), dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e outros dois advogados escolhidos pelo presidente da República por meio de lista tríplice. Decisão depende de Cármen Lúcia e seis votos O caso é considerado sensível por envolver a possibilidade de mudança no comando do governo fluminense. O TSE jamais cassou o mandato de um governador do Rio de Janeiro no exercício do cargo. Com o processo liberado para julgamento, a retomada da análise agora depende da definição da pauta pela ministra Cármen Lúcia e do posicionamento dos ministros que ainda não votaram, o que pode determinar se haverá cassação e eventual convocação de novas eleições no estado.
