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CPI do Crime Organizado mira ex-dirigentes do BC ligados a Daniel Vorcaro

Publicada em: 07/03/2026 08:28 -

O Caso Master ganhou novos desdobramentos políticos e institucionais no Brasil e passou a envolver três frentes simultâneas: investigação policial, decisões judiciais no Supremo e pressão política no Congresso. Veja os pontos principais para entender o cenário.


1. CPI do Crime Organizado quer ampliar a investigação

A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado no Congresso pretende convocar dois ex-dirigentes do Banco Central do Brasil:

  • Paulo Sérgio Souza – ex-diretor de Fiscalização

  • Belinne Santana – ex-chefe de Supervisão Bancária

Eles aparecem em relatório da Polícia Federal que embasou decisões judiciais contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Suspeitas citadas no relatório

  • possível pagamento de “mesada” pelo banqueiro aos dois ex-dirigentes;

  • atuação de Paulo Sérgio Souza como “consultor informal” do banco.

A convocação indica que parlamentares querem levar a investigação para o campo político, ampliando o debate além do processo judicial.


2. Decisões e disputas dentro do STF

O caso também abriu uma disputa jurídica dentro do Supremo Tribunal Federal.

  • Gilmar Mendes suspendeu a quebra de sigilo da empresa Maridt, ligada ao ministro Dias Toffoli.

  • Depois disso, foi apresentado pedido ao ministro Edson Fachin para tentar reverter essa decisão.

Enquanto isso, o inquérito principal está sob relatoria do ministro André Mendonça, que determinou nova prisão de Vorcaro com base no relatório da PF.

Isso mostra divergências e tensões internas no STF sobre como conduzir partes da investigação.


3. Polêmica das mensagens com Alexandre de Moraes

Outro ponto explosivo envolve supostas mensagens entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

Segundo reportagem de Malu Gaspar no jornal O Globo:

  • as mensagens teriam sido enviadas por WhatsApp com visualização única;

  • textos eram escritos no bloco de notas, transformados em imagem e enviados;

  • isso impediria que a mensagem ficasse salva no celular do destinatário.

O que os investigadores conseguiram recuperar

  • os textos escritos por Vorcaro;

  • os horários de criação das notas;

  • a cronologia de envio das imagens.

As respostas atribuídas ao ministro não apareceram porque o sistema de visualização única apaga o conteúdo após a abertura.

Moraes negou as acusações e declarou que não recebeu as mensagens, classificando a reportagem como tentativa de atacar o STF.


4. Contexto da prisão e da crise do banco

Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos.

Menos de 12 horas depois, o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master, encerrando suas operações.

O episódio desencadeou:

  • investigações financeiras

  • disputas judiciais

  • repercussão política no Congresso


Em resumo:
O Caso Master evoluiu de uma investigação bancária para um escândalo institucional de grande escala, envolvendo reguladores do sistema financeiro, ministros do STF e o Congresso Nacional.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Congresso Nacional pretende ampliar o escopo de suas investigações e incluir novos depoimentos relacionados ao chamado Caso Master, informa Lauro Jardim, do jornal O Globo. Parlamentares apresentaram requerimentos para convocar o ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe de Supervisão Bancária da autarquia, Belinne Santana. Ambos aparecem em relatório da Polícia Federal que embasou decisões recentes no processo envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os dois ex-integrantes do Banco Central foram citados no documento da Polícia Federal utilizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para determinar a nova prisão de Vorcaro. No relatório, eles são apontados como suspeitos de receber uma “mesada” do ex-banqueiro, elemento que levou investigadores a incluí-los no contexto das apurações. Os requerimentos protocolados na CPI buscam levar Souza e Santana a prestar esclarecimentos sobre sua eventual relação com Vorcaro e com o chamado Caso Master. A iniciativa indica a tentativa de parlamentares de aprofundar o debate sobre o caso no âmbito do Congresso, mesmo diante de decisões judiciais que têm limitado algumas frentes de investigação. O nome de Paulo Sérgio Souza surge ainda no relatório policial com outra menção relevante: ele teria atuado como “consultor informal” do banco Master. A suspeita de proximidade com o ex-banqueiro é um dos pontos que motivaram a inclusão de seu nome nos pedidos de convocação apresentados à CPI. O cenário jurídico do caso também envolve decisões recentes do Supremo Tribunal Federal. Na sexta-feira passada, o ministro Gilmar Mendes determinou a suspensão da quebra de sigilo da empresa Maridt, companhia que tem o ministro Dias Toffoli como sócio. Após essa decisão, foi apresentado um pedido ao ministro Edson Fachin para tentar reverter a medida adotada por Mendes. O movimento busca retomar o acesso a informações consideradas relevantes pelos investigadores no contexto do caso. Novas informações sobre o caso envolvendo o Banco Master indicam que as supostas mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no dia da prisão do empresário foram enviadas em formato de visualização única. As revelações foram divulgadas pela jornalista Malu Gaspar em reportagem publicada pelo jornal O Globo. Segundo a apuração, as mensagens fariam parte de uma sequência de contatos que teriam ocorrido ao longo de todo o dia 17 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela Polícia Federal (PF) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. O celular do dono do Banco Master foi apreendido no momento da abordagem policial e passou a integrar o material analisado pelos investigadores. De acordo com a reportagem, o método utilizado pelos interlocutores dificultava a preservação das conversas. Tanto Vorcaro quanto Moraes escreveriam seus textos nos blocos de notas de seus celulares, tirariam registros de tela e depois enviariam essas imagens pelo WhatsApp configuradas para visualização única. Esse recurso faz com que a imagem desapareça após ser aberta pelo destinatário, o que impediria o armazenamento permanente da mensagem no aparelho de quem a recebeu. Por esse motivo, as respostas atribuídas ao ministro do STF não aparecem no material encontrado no celular do banqueiro. Já as mensagens enviadas por Vorcaro permaneceram registradas em seu próprio aparelho porque os textos foram redigidos previamente nos blocos de notas do celular antes de serem transformados em imagens e enviados. Assim, os arquivos originais permaneceram armazenados no dispositivo apreendido. Segundo O Globo, esse procedimento permitiu que os investigadores recuperassem o conteúdo das mensagens atribuídas ao banqueiro, além dos horários em que as anotações foram criadas. A comparação entre esses registros e os horários de envio das imagens reforçaria a cronologia dos contatos ocorridos naquele dia. A reportagem afirma que as trocas de mensagens se estenderam ao longo de toda a jornada da prisão do empresário, ocorrida em 17 de novembro de 2025. Naquela ocasião, Vorcaro foi detido pela Polícia Federal antes de embarcar em um voo internacional no aeroporto de Guarulhos, em meio à crise que atingia o Banco Master. Menos de 12 horas após a prisão, o Banco Central determinou a liquidação da instituição financeira, encerrando as operações do banco. O episódio provocou forte repercussão no sistema financeiro e abriu uma série de investigações sobre a situação da instituição e sobre as decisões tomadas nos bastidores durante a crise. Vorcaro permaneceu preso por 11 dias e acabou sendo libertado por decisão da desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que determinou medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica e a retenção de seu passaporte. Essas restrições permaneceram vigentes até novos desdobramentos recentes do caso. Procurado pelo jornal, Alexandre de Moraes afirmou em nota que “não recebeu as mensagens referidas na matéria” e declarou que “trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o STF”. A defesa de Daniel Vorcaro, segundo a reportagem, informou que não comentaria o conteúdo divulgado. As revelações acrescentam novos elementos a um caso que já mobiliza autoridades judiciais, reguladores do sistema financeiro e investigadores federais. A possível existência de contatos entre o banqueiro e um ministro do Supremo no momento mais crítico da crise do Banco Master amplia o debate público sobre a condução do episódio e seus desdobramentos institucionais.

 

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