A assembleia e paralisação dos professores da rede estadual de São Paulo desta sexta-feira (6) ocorre em meio a críticas à política educacional do governo estadual e a reivindicações por melhores condições de trabalho e valorização da carreira.
A mobilização é organizada pelo sindicato da categoria e deve reunir docentes e apoiadores da educação pública na Praça da República, na capital paulista. A entidade é presidida pela deputada estadual Maria Izabel Azevedo Noronha, que também participa da articulação do movimento.
Segundo Bebel, a principal reivindicação dos professores é o cumprimento do piso salarial nacional do magistério, definido pelo governo federal e que atualmente está pouco acima de R$ 5 mil. De acordo com ela, o governo estadual, comandado por Tarcísio de Freitas, não aplica o piso de forma plena e tem priorizado bonificações em vez de reajustes salariais permanentes.
A dirigente sindical argumenta que um reajuste de cerca de 5,4% já teria impacto importante na carreira docente, pois seria incorporado ao salário-base e refletiria na progressão profissional. Ela também critica um projeto de reforma administrativa que tramita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, afirmando que a proposta pode ampliar a pressão sobre os profissionais da educação.
Outro ponto levantado pela presidenta da Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) é o uso de avaliações educacionais como critério para remuneração. Na avaliação dela, esses mecanismos deveriam ter caráter diagnóstico e formativo, e não punitivo.
Bebel também destacou dificuldades enfrentadas no cotidiano das escolas, como excesso de alunos por professor, correções e planejamento feitos fora do horário de trabalho e falta de estrutura adequada. Segundo ela, o aumento do adoecimento entre docentes está ligado às condições de trabalho e não pode ser tratado apenas como problema de “absenteísmo”.
A deputada ainda criticou a forma como o ensino médio em tempo integral foi implementado no estado, argumentando que o modelo não considera a realidade de estudantes que precisam trabalhar, o que poderia contribuir para a evasão escolar.
Após a assembleia, os professores devem realizar uma caminhada até a Praça da República. O ato inclui atividades culturais e um show do cantor Chico César, em uma programação que os organizadores descrevem como um “tributo à educação pública e ao funcionalismo”.
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Professores da rede estadual de São Paulo realizam nesta sexta-feira (6) uma assembleia estadual seguida de uma greve na Praça da República, na capital. A mobilização é organizada pelo sindicato da categoria e deve reunir docentes, representantes do funcionalismo e apoiadores da educação pública. Em entrevista ao Jornal da Fórum, a deputada estadual e presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), professora Bebel, afirmou que o encontro acontece em um momento de forte insatisfação da categoria com a política educacional do governo estadual. Segundo ela, a principal reivindicação da categoria é o cumprimento do piso nacional do magistério. “O Estado de São Paulo não cumpre o piso salarial profissional nacional, que tá um pouco acima dos R$ 5.000”, afirma ela. Bebel diz que o Tarcísio de Freitas tem substituído os reajustes, o que, segundo a professora impede impactos positivos na categoria. “O governo está dando uma bonificação para alguém ganhar baixo do piso. Ganhou um pouquinho acima, já não ganha nada, então, acaba que ele não transforma em reajuste”, diz. Para a dirigente sindical, um reajuste de 5,4% já teria efeito importante na valorização da carreira. “Seria importante dar os cinco por cento e você teria uma repercussão na carreira, portanto, de fato valorizaria, né? Não tem uma política de valorização”, destaca. Além da pauta salarial, a presidenta da Apeoesp criticou mudanças administrativas promovidas pelo governo e um projeto de reforma administrativa em tramitação na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). “Nós temos a luta contra essa reforma administrativa que entrou em dezembro de 2025 na Assembleia Legislativa e que desde esse tempo eu tô denunciando.” Segundo ela, as mudanças na educação paulista aumentaram a pressão sobre os professores. “Não está bom o que o governo Tarcísio fez. Ele reduziu as verbas da educação e precarizou, né? Mudou regras de atribuição de aulas.” Bebel também criticou mecanismos de avaliação que, segundo ela, passaram a ser usados como instrumento punitivo. “A avaliação não é qualquer instrumento, ela é um instrumento formativo, diagnóstico… e virou um instrumento para punir os professores”, comenta. A docente questiona a exigência de avaliações vinculadas a reajustes salariais. “Ele não faz avaliação pro salário dele, o salário dele não tem avaliação. Mas para o nosso salário tem avaliação.” Valorização dos professores da rede pública A deputada também abordou as condições de trabalho nas escolas e o volume de atividades realizadas fora do horário de aula. “Quando estava na sala de aula, eu levava as correções de prova todas para casa. E às vezes passava uma tarde toda corrigindo prova. Muitos levam marmita e compram micro-ondas com rateio entre colegas para poder comer uma comida quente na escola”, relata. Segundo ela, o adoecimento docente não pode ser tratado com medidas punitivas, trata-se de um retrocesso no modelo educacional. “Eles falam de absenteísmo, mas não discutem o motivo. O remédio não pode ser a demissão. O remédio é melhorar as condições de trabalho e investir na formação continuada.” “Tem professor que chega a ter mais de mil alunos ao longo do ano. Com professores valorizados e condições adequadas de trabalho, a qualidade do ensino acontece naturalmente.” A formação continuada e a melhoria das condições de trabalho deveriam ser o foco das políticas públicas, de acordo com Bebel. “O remédio, eu até acho que uma avaliação diagnóstica permite você dar um curso de trabalhar a formação continuada.” A dirigente também criticou o foco do governo em indicadores padronizados de desempenho. “Esse governo está querendo só mostrar medidas de conhecimento, mas não verdadeiramente aferir se os estudantes aprenderam. Aqui no estado de São Paulo nós temos que ter uma revolução educacional. E não vai ser com o governo Tarcísio.” Bebel apontou ainda problemas na implementação do ensino médio em tempo integral, argumentando que o modelo não considera a realidade de estudantes que trabalham. “Nós estamos em um país que ainda tem uma desigualdade educacional imensa”, afirma. Inclusive, o estado de São Paulo lidera a evasão no ensino médio. “Isso tem relação com políticas equivocadas, como a forma como implantaram o ensino integral sem considerar a realidade do aluno trabalhador.” A assembleia vai reunir professores de diversas regiões do estado. Após a reunião, os manifestantes seguirão em caminhada até a Praça da República, onde haverá atividades culturais e um show do cantor Chico César. “Queremos fazer um tributo à educação, ao funcionalismo público e à sociedade paulista. A defesa da escola pública é uma luta de todos”, disse.
