🧾 O que a investigação aponta
A Polícia Federal investiga se Flávia Ferraço teria atuado como funcionária fantasma na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
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Ela estava nomeada em um cargo durante a presidência do deputado Rodrigo Bacellar
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Recebia cerca de R$ 8,2 mil por mês
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Teria acumulado mais de R$ 250 mil ao longo de aproximadamente 30 meses
Segundo a PF, há indícios de que ela não exercia efetivamente a função.
📍 Indícios levantados
1. Presença fora do estado
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Dados de geolocalização mostram que ela passava longos períodos fora do Rio de Janeiro
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Em 2025, esteve frequentemente em Vitória, onde afirmou morar
2. Viagem internacional em dias úteis
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Entre 3 e 6 de setembro de 2025, o celular indicou presença em Santiago
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Não havia registro de férias ou afastamento nesse período
3. Mensagens comprometedoras
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Em conversa com o marido, o desembargador Macário Neto, ela afirmou:
“Não tenho um emprego fixo...”
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Em outra mensagem, disse sobre o diretor-geral:
“Nem me conhecia”
🧑⚖️ Possíveis crimes
A PF avalia que os fatos podem configurar:
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Improbidade administrativa
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Recebimento indevido de dinheiro público
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Possível nomeação por influência política
🔗 Outros envolvidos
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Marcos Brito aparece nas mensagens como superior hierárquico
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Ele teria sugerido uma justificativa para a nomeação, caso fosse investigada
📌 Situação atual
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Flávia Ferraço foi exonerada do cargo meses após as mensagens
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Nem ela nem a Alerj haviam se manifestado até a última atualização
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O caso faz parte de um inquérito maior que também envolve suspeitas de vazamento de informações para o crime organizado
A Polícia Federal aponta que Flávia Ferraço, esposa do desembargador Macário Neto, preso sob suspeita de vazar informações de uma operação contra o Comando Vermelho, pode ter atuado como funcionária fantasma na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Segundo a investigação, ela ocupava um cargo na estrutura da Casa durante a presidência do deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), também preso no mesmo inquérito, mas passava a maior parte do tempo fora do estado, inclusive no exterior. As suspeitas surgiram a partir da análise de mensagens e dados de geolocalização obtidos durante a investigação que levou à prisão do desembargador e de outros envolvidos. - Segundo a investigação, Flávia Ferraço recebia cerca de R$ 8,2 mil por mês na Alerj. Ao longo dos cerca de 30 meses em que permaneceu nomeada, ela teria recebido mais de R$ 250 mil dos cofres públicos. A equipe do RJ2 entrou em contato com a Alerj e com Flávia Ferraço, mas até a última atualização desta reportagem não teve retorno. Viagem ao Chile durante o trabalho Um dos pontos que chamou a atenção da Polícia Federal foi uma viagem de Flávia Ferraço para o exterior durante dias em que deveria estar trabalhando na Alerj. Segundo o relatório, entre os dias 3 e 6 de setembro de 2025, a maior parte deles dias úteis, o celular dela registrou presença em Santiago, no Chile. De acordo com a apuração, nesse período não havia registro de férias ou afastamento formal da servidora do legislativo fluminense.
- Moradia no Espírito Santo Os investigadores também identificaram que Flávia passava boa parte do tempo fora do Rio. O relatório da PF aponta que, ao longo de 2025, foram registrados diversos períodos de permanência no Espírito Santo, especialmente na cidade de Vitória. Em depoimento à Polícia Federal, prestado no próprio estado, ela afirmou morar na capital capixaba há anos. Questionada sobre a situação, Flávia respondeu: "Não, eu ficava aqui e ficava lá também." Ao ser perguntada sobre a frequência na Alerj, Flávia afirmou que frequentava a Alerj todos os dias que estava no Rio. "Eu ia todos os dias que eu estava no Rio de Janeiro. Praticamente toda a semana", disse Flávia. Mensagem reforça suspeita
- A suspeita de que ela não exercia efetivamente o cargo na Alerj foi reforçada por mensagens analisadas pelos investigadores. Em uma conversa com o marido, Flávia escreveu que não tinha emprego fixo. "Não tenho um emprego fixo porque moro em dois estados pra acompanhar meu marido e cuidar dele", escreveu. Para a Polícia Federal, a declaração contrasta com o fato de que ela estava formalmente nomeada na Alerj naquele período. Segundo a investigação, isso pode caracterizar improbidade administrativa e indicar que a nomeação ocorreu por influência da relação entre Macário Neto e Rodrigo Bacellar. Flávia foi exonerada do cargo cerca de três meses depois da mensagem, segundo a investigação.
- Outro elemento analisado no inquérito são mensagens trocadas entre Flávia e o então diretor-geral da Alerj, Marcos Brito, apontado como seu superior. "Se entrarem na questão da Alerj a gente pode dizer que foi minha indicação pessoal para formação de equipe e por isso sempre esteve lotada na diretoria geral. E nunca na presidência", escreveu Brito. Em outra mensagem, enviada a uma amiga, Flávia afirma: "Coitado do DG (diretor geral). Nem me conhecia", escreveu a esposa do desembargador.
