O caso envolvendo a influenciadora Martha Graeff ganhou mais complexidade justamente por um ponto-chave: ela ainda não foi localizada oficialmente para ser notificada pelas CPIs — o que pode atrasar ou até esvaziar parte das investigações.
Aqui vai o que está acontecendo, de forma direta e organizada:
📌 Por que Martha Graeff é importante no caso?
Ela aparece nas investigações por causa da relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no escândalo do Banco Master.
- Conversas entre os dois (2024–2025) foram apreendidas
- Nessas mensagens, Vorcaro:
- citava políticos, ministros e autoridades
- relatava encontros fora de agendas oficiais
- sugeria articulações de influência
➡️ Segundo o relator Alessandro Vieira, ela não era apenas uma ouvinte — poderia ter papel relevante como interlocutora dessas informações.
⚖️ Por que ela foi convocada?
Ela foi chamada por duas comissões:
- CPI do Crime Organizado (Senado)
- CPMI do INSS (mista)
O objetivo é esclarecer:
- o conteúdo das conversas
- possíveis tentativas de ocultação de patrimônio
- a rede de contatos e influência descrita por Vorcaro
🚫 Por que ainda não prestou depoimento?
Até agora:
- Não respondeu aos contatos (e-mails e telefones)
- Não foi formalmente localizada
- Vive nos EUA (Miami), o que dificulta a notificação
Isso cria um problema jurídico e logístico:
- CPIs não têm poder direto internacional
- A notificação depende de cooperação ou presença no Brasil
⚖️ Ela é obrigada a comparecer?
Depende.
A convocação em CPI normalmente obriga o comparecimento. Porém:
- A defesa pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal
- Se for considerada investigada (e não testemunha):
- pode obter direito de não comparecer
- ou de ficar em silêncio
Esse caminho já foi usado por Vorcaro anteriormente.
🧩 O que as mensagens levantam de suspeita?
As investigações apontam possíveis indícios de:
- Ocultação de patrimônio (bens em nome dela)
- Relações informais com autoridades
- Atuação de um grupo chamado “A Turma”
- suspeito de influenciar instituições públicas
🏛️ Outras peças importantes da CPI
Além dela, a comissão também mira:
- Belline Santana
→ suspeito de favorecer o banco dentro do Banco Central - Pedro Taques
→ ligado a investigações sobre crédito consignado
📅 Prazo apertado
A CPMI do INSS está na reta final:
- Encerramento: 28 de março
- Relatório final: previsto pelo senador Carlos Viana
➡️ Se Martha não for ouvida até lá, seu depoimento pode simplesmente não entrar no relatório final — o que enfraquece parte da apuração.
🧠 Resumindo
- Martha é considerada peça relevante pelas conversas com Vorcaro
- Não foi localizada para notificação
- Mora fora do Brasil, o que dificulta a convocação
- Pode recorrer ao STF para não depor
- O tempo da CPI está acabando
As comissões parlamentares de inquérito que investigam o Banco Master não conseguiram localizar a influenciadora Martha Graeff para notificá-la a prestar depoimento. Ex-companheira do banqueiro Daniel Vorcaro, ela foi convocada tanto pela CPI do Crime Organizado quanto pela CPMI do INSS. As informações são do Metrópoles. A CPMI do INSS havia agendado o depoimento para sexta-feira (20), em uma das últimas oitivas do colegiado, que prevê encerrar os trabalhos até o dia 28 de março. O presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), informou que a votação do relatório final está prevista para quinta-feira (26). As equipes técnicas, com apoio da polícia do Senado, identificaram e-mails e possíveis telefones ligados a Martha Graeff, para onde foram enviadas as notificações. Até o momento, não houve retorno nem da influenciadora nem de sua defesa. Martha Graeff passou a ser citada nas investigações após o vazamento de conversas com Vorcaro, trocadas entre 2024 e 2025. Nos diálogos, o banqueiro menciona políticos, ministros e nomes do mercado financeiro. As mensagens também levantaram suspeitas de tentativa de ocultação de patrimônio, com a transferência de bens como imóveis e fundos para o nome da então companheira, o que foi negado por ela. Graeff encerrou o relacionamento após a primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, ocorrida no mesmo período da liquidação do Banco Master pelo Banco Central. Por meio de sua assessoria, ela afirmou que a separação ocorreu "há alguns meses" e reiterou que reside nos Estados Unidos há mais de 20 anos. Após a CPMI, a CPI do Crime Organizado também aprovou a convocação da influenciadora, marcando o depoimento para quarta-feira (25). Apesar das tentativas de contato, integrantes das comissões informaram que não obtiveram resposta. A convocação obriga o comparecimento de testemunhas, mas a defesa pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar tornar a presença facultativa, caso sustente que o convocado é, na prática, investigado. Esse procedimento já foi adotado por Vorcaro em ocasião anterior. Martha Graeff nasceu no Rio Grande do Sul, tem 40 anos e atua como empresária, ex-modelo e influenciadora. Ela vive nos Estados Unidos há cerca de 20 anos e atualmente reside em Miami, na Flórida. Já foi casada com o ex-jogador da NBA Rony Seikaly, com quem tem uma filha de seis anos, e também se relacionou com Aécio Neves em 2017. O relacionamento com Daniel Vorcaro ocorreu em grande parte à distância, com noivado em 2024, durante evento na Itália, e término em 2025, pouco após a primeira prisão do banqueiro. Daniel Vorcaro e Martha Graeff (Foto: Reprodução/Redes Sociais I Amanda Perobelli/Reuters) A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado marcou para a próxima quarta-feira (25) o depoimento da modelo e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do empresário Daniel Vorcaro. A convocação foi aprovada pelo colegiado na quarta-feira (18), o que, em regra, obriga o comparecimento do convocado — embora decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) possam tornar a presença facultativa em alguns casos. O pedido para ouvir Martha partiu do relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que argumenta que a influenciadora pode contribuir para o esclarecimento das investigações. Segundo o parlamentar, ela teria sido uma interlocutora frequente de Vorcaro e destinatária de relatos relevantes. “O material colhido pela Polícia Federal reúne conversas privadas entre Vorcaro e Martha, entre 2024 e 2025, nas quais o empresário relata encontros, articulações, viagens e contatos com autoridades dos Três Poderes, incluindo nomes de alto escalão da política e do Judiciário”, afirmou Vieira. De acordo com o relator, as interações entre os dois indicam que Martha ocupava um papel ativo nas conversas. “Martha não era uma ouvinte passiva. Era a destinatária escolhida por Vorcaro para relatos que não faziam parte de nenhum registro oficial, que não constavam em agendas públicas e que, por seu conteúdo, evidenciam que o investigado concebia essas interações como naturais e rotineiras dentro do seu projeto de influência institucional”, declarou. O senador também destacou que, nas mensagens analisadas, Vorcaro mencionou nomes como Hugo, Ciro e Alexandre, que podem estar relacionados a encontros com autoridades do Congresso Nacional e do Judiciário. Para Vieira, há indícios de que um grupo chamado “A Turma” funcione como uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e capacidade de infiltração em instituições públicas. “Essa é exatamente a espécie de fenômeno que esta CPI foi criada para investigar”, concluiu. Além do depoimento de Martha Graeff, a comissão agendou para terça-feira (24) a oitiva de Belline Santana, servidor do Banco Central e ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup). Ele é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, sob suspeita de atuar como um “consultor privado” para Vorcaro. Segundo as investigações, Belline teria utilizado sua posição dentro do Banco Central para favorecer a instituição financeira ligada ao empresário, facilitando processos e contornando exigências regulatórias. Em troca, ele teria recebido vantagens indevidas por meio de contratos simulados de consultoria. As suspeitas levaram ao seu afastamento cautelar e à proibição de acesso às instalações e sistemas do órgão. A agenda da CPI inclui ainda o depoimento do ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, também previsto para quarta-feira (25). Ele foi convocado para tratar de possíveis irregularidades no sistema de crédito consignado no estado, após denúncias relacionadas a empréstimos apresentadas em nome de entidades sindicais.
