...

...

No ar: ...

...

Idade é principal fator de risco para morte por câncer colorretal

Publicada em: 05/04/2026 08:06 -

O Brasil vive um cenário de aumento preocupante da incidência de câncer de cólon e reto, conhecido como câncer colorretal. Estimativas epidemiológicas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), publicadas em fevereiro na Revista Brasileira de Cancerologia, indicam que 53.810 pessoas devem desenvolver a doença anualmente entre 2026 e 2028. O número corresponde a cerca de 10,4% de todos os novos diagnósticos de neoplasias no país.

O avanço da doença não se traduz apenas no aumento de casos, mas também no crescimento das internações e da mortalidade. Um estudo publicado em março no ANZ Journal of Surgery analisou dados de internações em hospitais públicos do estado de São Paulo entre 2000 e 2023. A pesquisa foi conduzida por cientistas do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde, ligado ao Hospital Israelita Albert Einstein.

Entre os principais achados, destaca-se que a probabilidade de óbito após cirurgias para retirada de tumores no cólon e reto aumenta progressivamente com a idade. Outro fator relevante é o tipo de internação: pacientes submetidos a cirurgias de urgência apresentam risco significativamente maior de morte em comparação àqueles operados de forma eletiva — o que reforça o impacto negativo do diagnóstico tardio.

Além disso, o tempo de internação e a presença de comorbidades influenciam diretamente os desfechos clínicos. Hospitalizações prolongadas e a existência de outras doenças associadas elevam o risco de mortalidade, indicando quadros mais complexos.

Segundo Felipe Delpino, coautor do estudo, modelos de inteligência artificial foram desenvolvidos com base em dados clínicos e variáveis socioeconômicas, como índice de desenvolvimento humano (IDH), escolaridade, sexo e idade. “Ao combinar esses preditores, conseguimos criar um modelo com boa capacidade de previsão de mortalidade por câncer colorretal”, explica.

A expectativa é que essas ferramentas possam, no futuro, ser incorporadas à rotina hospitalar, auxiliando na alocação de recursos, na ampliação do acesso ao diagnóstico e na redução de desigualdades regionais.

Tendência global e fatores de risco

O crescimento dos casos de câncer colorretal não é exclusivo do Brasil. De acordo com estudo publicado na revista Nature Medicine pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde, cerca de 1,9 milhão de novos casos foram registrados no mundo em 2022.

Para especialistas, o fenômeno está mais associado a fatores comportamentais do que genéticos. O sedentarismo, a alimentação rica em ultraprocessados, o alto consumo de gordura animal e a baixa ingestão de fibras estão entre os principais fatores de risco. O tabagismo e o consumo excessivo de álcool também contribuem para o aumento da incidência.

Sintomas e diagnóstico

O câncer colorretal se caracteriza pelo crescimento anormal de células no cólon e no reto, estruturas que compõem o intestino grosso. Entre os sintomas mais comuns estão sangramento retal persistente, alterações no hábito intestinal, sensação de evacuação incompleta, perda de peso inexplicada e dor abdominal contínua.

O diagnóstico é feito, principalmente, por meio da colonoscopia com biópsia, exame que permite visualizar o interior do intestino e coletar amostras para análise laboratorial. A partir disso, é possível determinar se a lesão é maligna e identificar o estágio da doença.

Tratamento

Nos casos de câncer de cólon, o tratamento é predominantemente cirúrgico, podendo ser complementado por quimioterapia adjuvante. Em situações específicas, também pode ser indicada a imunoterapia, que estimula o sistema imunológico a combater as células tumorais.

Já os tumores localizados no reto costumam ser tratados inicialmente com quimioterapia e radioterapia. Em parte dos casos — entre 20% e 30% — pode haver resposta completa, permitindo evitar a cirurgia.

Quando há metástase, o tratamento tende a ser sistêmico, com foco em quimioterapia. Outro avanço importante é o uso de cirurgia robótica, que proporciona maior precisão e recuperação mais rápida, aumentando as chances de continuidade do tratamento e de cura.

Prevenção e rastreamento

A prevenção do câncer colorretal passa por mudanças no estilo de vida, como a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e rica em fibras e ingestão adequada de água.

O diagnóstico precoce é outra estratégia fundamental. A partir dos 45 anos, recomenda-se a realização periódica de exames de rastreamento, como o teste de sangue oculto nas fezes (anual) e a colonoscopia (a cada dez anos).

Para pessoas com histórico familiar da doença, o rastreamento deve começar cerca de dez anos antes da idade em que o parente foi diagnosticado. Essas medidas aumentam significativamente as chances de detecção precoce e sucesso no tratamento.

Compartilhe:
COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!
Carregando...