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Folha acusa esposa de Alexandre de Moraes de ter recebido R$ 40 milhões do Banco Master em 2024

Publicada em: 08/04/2026 05:48 -

🧾 O que está documentado

  • Dados da Receita Federal do Brasil enviados à CPI indicam que o Banco Master declarou cerca de R$ 40,1 milhões pagos em 2024 ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados.
  • Esses valores aparecem na declaração de Imposto de Renda do próprio banco, com retenção de impostos na fonte.
  • Há um contrato firmado em 2024 prevendo até R$ 129 milhões em 3 anos.

👉 Ou seja: a existência de pagamentos e do contrato é confirmada por documentos fiscais e pelas próprias partes.


⚖️ O que dizem as partes

  • O escritório ligado à advogada Viviane Barci de Moraes:
    • Confirma que houve contrato e prestação de serviços.
    • Diz que os valores divulgados são “incorretos” e que houve vazamento ilegal de dados.
    • Afirma que realizou reuniões, pareceres jurídicos e atividades de consultoria.
  • O senador Alessandro Vieira (relator da CPI):
    • Questiona a proporcionalidade dos valores pagos.
    • Levanta dúvida sobre a contraprestação efetiva.

🏛️ Sobre o ministro do STF

  • Alexandre de Moraes não é parte direta do contrato.
  • O vínculo ocorre porque sua esposa é sócia do escritório.
  • Segundo o próprio escritório, não houve atuação no STF relacionada ao contrato.

⚖️ Situação jurídica até agora

  • A Procuradoria-Geral da República, sob comando de Paulo Gonet:
    • Arquivou um pedido de investigação.
    • Declarou não haver indícios de ilegalidade.
    • Ressaltou que se trata, em princípio, de relação privada entre empresa e escritório.

❗ Pontos que ainda geram debate

  1. Valor dos pagamentos
    • São altos para o padrão de consultoria jurídica?
    • Podem ser justificados pelo volume/complexidade do trabalho?
  2. Possível conflito de interesse (indireto)
    • Mesmo sem atuação no STF, há debate político sobre proximidade com um ministro da Corte.
  3. Origem e legalidade dos dados
    • O escritório alega vazamento ilegal de informações fiscais, o que pode gerar outra investigação.
  4. Contexto do Banco Master
    • O banco foi liquidado pelo Banco Central e seu controlador, Daniel Vorcaro, foi preso — o que aumenta a atenção sobre seus contratos.

🧠 Em resumo

  • Pagamentos existiram e estão documentados.
  • Serviços também são alegados e parcialmente descritos.
  • Não há, até agora, comprovação oficial de ilegalidade.
  • O caso segue como tema político e de investigação parlamentar, mais do que jurídico consolidado.
Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado no Senado indicam que o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, repassou R$ 40,11 milhões, em 2024, ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. As informações foram reveladas pelo jornal Folha de S.Paulo, com base em dados fiscais obtidos pela comissão. Segundo a reportagem, os pagamentos aparecem na declaração de Imposto de Renda do próprio banco, cujo sigilo foi quebrado por determinação da CPI. Os registros mostram 11 transferências mensais de R$ 3.646.529,72 ao escritório ao longo de 2024, totalizando R$ 40.111.826,92. O banco também declarou ter recolhido R$ 2.466.877,38 em impostos retidos na fonte sobre esses valores. O tema foi levado ao plenário do Senado nesta terça-feira (7) pelo relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que afirmou que os dados só foram enviados de forma completa após nova solicitação à Receita Federal. "Mesmo com a quebra de sigilo aprovada pela Comissão Parlamentar de Inquérito e não suspensa pela Justiça, a Receita Federal do Brasil mandou os dados incompletos. Foi preciso solicitar a reiteração, a complementação, para que chegasse o dado bancário que comprova o recebimento e a dedução de impostos pelo escritório da doutora Viviane Barci. Só em um ano, R$ 40 milhões recebidos. Contraprestação de serviço? A própria doutora Viviane já publicizou: nada que justifique esse valor", disse o senador Alessandro Vieira. Contrato previa R$ 129 milhões O contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes foi firmado em 2024 e previa pagamentos mensais de R$ 3,5 milhões, totalizando R$ 129 milhões ao longo de três anos, conforme informações divulgadas anteriormente pelo jornal O Globo. Os dados da Receita analisados pela Folha de S.Paulo, no entanto, apontam valores mensais superiores ao previsto inicialmente, chegando a R$ 3,64 milhões por mês em 2024. O acordo previa 36 parcelas, mas foi interrompido em novembro de 2025, quando o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central e Daniel Vorcaro acabou preso. A defesa do ex-banqueiro foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou até a publicação do conteúdo original. Escritório confirma serviços, mas contesta valores O Barci de Moraes Sociedade de Advogados confirmou a existência do contrato com o banco, mas contestou os números divulgados e criticou o vazamento das informações fiscais. Em nota, o escritório afirmou que "não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos". A banca não informou, no entanto, qual seria o valor correto recebido. Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes e sócia do escritório, já havia admitido a relação contratual com o Banco Master. Segundo o escritório, os serviços prestados ocorreram entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. De acordo com a banca, foram realizadas 94 reuniões de trabalho no período, sendo 79 presenciais na sede do banco. Também foram produzidos 36 pareceres e opiniões jurídicas sobre temas como compliance, regulação, direito trabalhista e previdenciário. O escritório afirmou ainda que a atuação envolveu 15 advogados, além da participação de outros três escritórios especializados, e que não houve atuação em processos no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Alexandre de Moraes foi procurado pela Folha de S.Paulo, mas não se manifestou até a publicação da reportagem. CPI caminha para encerramento A revelação ocorre na fase final da CPI do Crime Organizado, que deve ser encerrada na próxima terça-feira (14), com a votação do relatório final. No mesmo dia em que apresentou os dados, o senador Alessandro Vieira tentou prorrogar os trabalhos da comissão em reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas o pedido foi negado. Segundo Vieira, Alcolumbre optou por não estender a CPI em razão do período eleitoral, decisão que o relator classificou como um "desserviço para o Brasil". Caso já havia sido arquivado na PGR Em dezembro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou um pedido de investigação sobre a possível atuação de Alexandre de Moraes no caso envolvendo o Banco Master. A solicitação havia sido apresentada pelo advogado Enio Martins Murad. Na ocasião, Gonet afirmou não ter identificado "qualquer ilicitude" que justificasse a atuação da Procuradoria-Geral da República. Também destacou que não caberia ao órgão interferir em "negócios jurídicos firmados entre particulares". Mesmo com o arquivamento, os novos dados fiscais enviados à CPI reacendem o debate político e jurídico sobre os pagamentos realizados pelo Banco Master ao escritório ligado à família do ministro do Supremo Tribunal Federal.  
 
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