O caso envolvendo o advogado Daniel Monteiro ganhou dimensão após a revelação de uma rede empresarial avaliada em cerca de R$ 893 milhões, formada por empresas e fundos de investimento supostamente usados para ocultar patrimônio e movimentar recursos de forma indireta.
Segundo a apuração publicada por Demétrio Vecchioli no portal Metrópoles, foram identificadas ao menos três estruturas empresariais com características semelhantes, reunindo:
- 21 empresas
- 6 fundos de investimento
- aproximadamente R$ 893 milhões em valores declarados
A investigação aponta que Daniel Monteiro teria atuado além da assessoria jurídica. De acordo com a decisão do ministro do STF André Mendonça, o advogado teria “domínio prático” sobre mecanismos usados para esconder a titularidade de bens e a origem de recursos.
Como funcionaria o esquema
As autoridades suspeitam que empresas eram criadas ou utilizadas para:
- receber recursos de fundos de investimento;
- comprar imóveis de alto padrão;
- transferir esses bens a terceiros;
- dificultar o rastreamento do dinheiro.
Entre os beneficiários citados na investigação está Paulo Henrique Costa, presidente do Banco de Brasília, que teria recebido imóveis como suposto pagamento de propina.
Participação de familiares
A apuração também cita familiares em posições estratégicas:
- Hamilton Suaki, cunhado, como diretor em várias companhias;
- David Monteiro, irmão, ligado à gestão de outras estruturas.
Esse uso de familiares é visto por investigadores como uma forma de pulverizar responsabilidades formais.
Modelo repetido
Os investigadores identificaram um padrão replicado:
- criação de empresas em sequência;
- fundos como acionistas únicos;
- uso de “empresas de prateleira”;
- administração por pessoas ligadas ao mesmo núcleo familiar.
Uma das estruturas mais recentes teria concentrado cerca de R$ 492 milhões em ativos, enquanto outra mais antiga somava cerca de R$ 52 milhões.
Impacto da investigação
O caso amplia as suspeitas sobre lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e possível corrupção envolvendo agentes públicos e estruturas financeiras sofisticadas.
Se confirmadas as irregularidades, o esquema pode revelar um modelo de engenharia societária usado para movimentar grandes volumes de recursos sem identificação imediata dos beneficiários finais.
