A situação em Minas Gerais aparece como um dos maiores desafios para a eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026, porque o estado é historicamente decisivo em eleições nacionais e, no momento, o grupo bolsonarista não tem uma estratégia consolidada por lá.
Os principais entraves são:
- Falta de um palanque forte no estado
Flávio ainda não definiu um aliado competitivo para disputar o governo mineiro. As opções analisadas têm problemas:
- Matheus Simões (PSD): enfrenta desconfiança devido ao desempenho fraco nas pesquisas.
- Cleitinho (Republicanos): lidera cenários, mas é visto como imprevisível e pouco fiel ao bolsonarismo.
- Candidatura própria do PL: considerada arriscada por falta de um nome consolidado.
- Tentativa de atrair Romeu Zema
Há articulação para que Zema seja vice de Flávio na chapa presidencial. Em troca, Flávio poderia apoiar Matheus Simões ao governo.
Mas isso complica ainda mais a disputa local, especialmente pelas vagas ao Senado. - Conflito interno por vagas ao Senado
A filiação de Carlos Viana ao PSD embaralhou o cenário. Ele tenta a reeleição e teria prioridade. Isso dificulta espaço para nomes como:
- Domingos Sávio (PL)
- Marcelo Aro (PP)
Essa disputa interna aumenta o desgaste político.
- Desconfiança em relação a Cleitinho
Apesar de eleitoralmente forte, Cleitinho é visto por parte do PL como alguém que pode se afastar do grupo.
Ele já causou atrito ao afirmar que sua “dívida” com Jair Bolsonaro estava “paga”, sugerindo independência política.
Aliados como Nikolas Ferreira resistem a apoiá-lo justamente por temerem que ele se torne um rival no futuro.
- Risco administrativo e desgaste político
Minas enfrenta uma dívida elevada com o governo federal (cerca de R$ 187 bilhões, segundo a reportagem).
Se um eventual governo de Cleitinho tiver dificuldades, o desgaste pode respingar no bolsonarismo nacional. - Risco de divisão da direita
Mesmo sem apoio formal de Flávio, Cleitinho pode concorrer e dividir votos da direita, abrindo espaço para Rodrigo Pacheco (PSB), que tende a ter apoio de Luiz Inácio Lula da Silva e do Partido dos Trabalhadores. - Plano B do PL
O partido avalia lançar candidatura própria com Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais.
Além disso, a segunda vaga ao Senado pode ser usada como moeda de troca em alianças.
Em resumo, o problema central de Flávio Bolsonaro em Minas é a combinação de:
- falta de um aliado confiável e competitivo;
- disputa interna por cargos;
- risco de fragmentação da direita;
- e dificuldade de construir uma aliança ampla sem perder espaço político.
Como Minas costuma ser um termômetro eleitoral importante, um desempenho ruim no estado pode comprometer seriamente qualquer projeto presidencial.
