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Solidão eleva risco clínico e reduz a sobrevida de idosos com câncer

Publicada em: 27/04/2026 05:56 -

 

A solidão tem sido cada vez mais reconhecida como um fator clínico relevante no tratamento do câncer, especialmente entre pessoas idosas. O consenso internacional publicado na revista científica The Lancet Healthy Longevity reforça que o isolamento social não é apenas uma questão emocional: ele pode impactar diretamente a sobrevida, a intensidade dos sintomas e a adesão ao tratamento oncológico.

O artigo, elaborado por 40 especialistas de 14 países, aponta que a solidão funciona como um preditor independente de mortalidade. Isso ocorre porque o isolamento prolongado pode desencadear inflamação sistêmica, elevar hormônios do estresse como o cortisol e comprometer a resposta imunológica — algo especialmente preocupante em pacientes com câncer, cuja imunidade já costuma estar fragilizada.

Na prática, o problema se manifesta de várias formas:

  • menor motivação para seguir consultas e exames;
  • abandono ou redução da adesão ao tratamento;
  • pior percepção sobre os objetivos terapêuticos;
  • dificuldades logísticas e físicas para manter o acompanhamento.

A oncologista Patrícia Taranto destaca que, quando o paciente perde a motivação por conta da solidão, pode deixar de enxergar o tratamento como caminho para melhorar a qualidade de vida, entrando em um ciclo de negligência e piora clínica.

Solidão não é o mesmo que depressão

Embora possam coexistir, são condições diferentes:

  • Solidão: sensação subjetiva de falta ou insuficiência de vínculos sociais;
  • Depressão: transtorno mental com sintomas persistentes como tristeza profunda, perda de prazer (anedonia), baixa autoestima e alterações de sono e apetite.

Segundo o psiquiatra e psicogeriatra Marcus Kiiti Borges, em idosos a solidão costuma estar associada a fatores como:

  • morte de cônjuge, parentes ou amigos;
  • limitações físicas ou cognitivas;
  • aposentadoria e perda de propósito;
  • redução da mobilidade e da autonomia.

Além disso, o impacto é ainda mais grave quando há vulnerabilidades adicionais, como pobreza ou morar em áreas rurais, onde a distância dos centros de tratamento dificulta o acesso aos cuidados.

Como enfrentar esse problema

Os especialistas defendem uma abordagem multidisciplinar, com participação de:

  • oncologistas;
  • geriatras;
  • psicólogos;
  • assistentes sociais.

Entre as estratégias mais eficazes estão:

  • grupos de apoio presenciais;
  • atividades físicas em grupo;
  • visitas domiciliares;
  • acompanhamento psicológico;
  • fortalecimento da rede familiar e social.

O contato humano e o suporte emocional ajudam o paciente a se sentir amparado, o que pode melhorar a saúde mental, a motivação e a adesão ao tratamento.

Obs.: o link enviado no final da mensagem parece direcionar para outra reportagem, sobre câncer de pele em idosos, e não para esta matéria específica.

Há cada vez mais evidências de que a solidão pode ser um fator de risco relevante para pacientes com câncer, principalmente pessoas idosas. Um consenso internacional, publicado recentemente na revista científica The Lancet Healthy Longevity, estabeleceu que o isolamento social impacta diretamente a sobrevida, a intensidade de sintomas e a adesão desse grupo ao tratamento oncológico. O artigo, que reuniu 40 especialistas de 14 países, define a solidão como uma experiência subjetiva e negativa, decorrente da discrepância entre as relações sociais desejadas e as efetivamente existentes. No contexto da oncologia geriátrica, essa lacuna pode ser fatal. Segundo o texto, a solidão atua como um preditor independente de mortalidade, influenciando mecanismos biológicos como a inflamação sistêmica e o comprometimento da resposta imunológica associado ao estresse crônico. Na prática do consultório, o isolamento cria uma barreira invisível, mas persistente, capaz de comprometer o desfecho do tratamento. “Uma vez que o paciente começa a diminuir a adesão e perde a motivação por conta de um sentimento de solidão, isso pode afetar significativamente o modo como ele vê sua relação com a doença e os objetivos do tratamento”, analisa a oncologista Patrícia Taranto, do Einstein Hospital Israelita. Como consequência, muitos entram em um ciclo de negligência. “Ele talvez não entenda que o tratamento pode levá-lo a uma melhora de qualidade de vida porque não tem motivação, nem muitas vezes logística ou força física para seguir com consultas frequentes, realização e coletas de exames”, relata Taranto. Ao interromper o acompanhamento adequado, pode haver piora na qualidade de vida e aumento do risco de morte. Solidão e depressão Embora frequentemente confundidas, a solidão e a depressão são condições distintas. A solidão é uma experiência emocional relacionada à percepção de insuficiência nas relações sociais, ao passo que a depressão envolve sintomas persistentes e abrangentes, como baixa autoestima e anedonia (perda de prazer). “Em pessoas idosas, a solidão está frequentemente ligada à perda de relações sociais resultante de condições e eventos adversos da vida, tais como morte de cônjuge, parentes e amigos e problemas de saúde física e mental que limitam sua mobilidade ou funcionalidade”, aponta o psiquiatra e psicogeriatra Marcus Kiiti Borges, membro do departamento de Psicogeriatria da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria). “Além disso, a aposentadoria pode causar sensação de inutilidade, sentimento de vazio e perda de propósito na vida.” O isolamento prolongado desregula o eixo neuroimunoendócrino, aumentando os níveis de cortisol e potencializando processos inflamatórios, como o aumento de interleucinas, proteínas essenciais para o sistema imunológico. Esse mecanismo é especialmente crítico em pacientes oncológicos, cuja imunidade já se encontra fragilizada. O consenso indica que o impacto da solidão é ainda mais severo em indivíduos expostos a vulnerabilidades simultâneas, como pobreza e residência em áreas rurais. A distância física dos centros de referência, somada ao declínio funcional inerente à idade, agrava as barreiras de acesso ao tratamento. Um novo olhar para o cuidado Para reverter esse cenário, os autores do artigo defendem a implementação de uma abordagem multidisciplinar que inclua profissionais de diferentes especialidades, como oncologistas, geriatras, psicólogos e assistentes sociais. Entre as estratégias práticas para combater o isolamento, destacam-se grupos de apoio presenciais, que favorecem a troca de experiências e reduzem a sensação de isolamento; atividade física, especialmente em equipe, por associar benefícios fisiológicos, como fortalecimento muscular e liberação de endorfinas, com engajamento social; e visitas domiciliares, essenciais para pacientes com mobilidade reduzida. “O contato humano pode propiciar mais empatia e cuidado, e tudo isso auxilia uma possível melhora na saúde mental do paciente. Dessa forma, ele se sente mais amparado e pode ter maior adesão e motivação no seguimento do tratamento e no cuidado ao longo da jornada oncológica”, conclui a oncologista do Einstein. https://stories.cnnbrasil.com.br/saude/casos-de-cancer-de-pele-em-idosos-dispararam-nas-ultimas-tres-decadas/

 
 
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