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Alcolumbre afirmou a líder do PL atuar contra Messias: “faça a sua parte, faço a minha”

Publicada em: 30/04/2026 05:59 -

A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal foi rejeitada pelo Senado por 42 votos a 34, com uma abstenção. Segundo o texto, essa foi a primeira vez desde 1894 que o Senado rejeita um nome indicado por um presidente para o STF — o que dá ao episódio um peso histórico.

A derrota é tratada como um revés político importante para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Parlamentares de oposição comemoraram o resultado, enquanto aliados tentaram minimizar os impactos institucionais.

Um ponto central do relato é a atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que, segundo bastidores citados, teria articulado contra a indicação. Ele estaria insatisfeito com Lula por não ter escolhido Rodrigo Pacheco para a vaga no STF.

O governo teria tentado garantir apoio nas semanas anteriores, mobilizando lideranças e até o ministro do STF André Mendonça, mas não conseguiu os 41 votos necessários.

Após a rejeição:

  • Lula precisará indicar um novo nome ao STF.
  • Há risco de agravamento da relação entre Executivo e Legislativo.
  • O governo cogita rever acordos políticos e cargos distribuídos a aliados.

Entre as reações:

  • Rogério Marinho (oposição) afirmou que o episódio marca uma perda de força política do governo.
  • Randolfe Rodrigues (governo) disse que o resultado se deve a circunstâncias políticas e não deve afetar a relação institucional.
  • O filósofo Vladimir Safatle interpretou o episódio como um sinal de conflito aberto entre Congresso e Executivo.

No geral, o texto retrata o episódio como:

 

  • uma derrota política relevante para o governo,
  • um sinal de fragilidade na articulação no Congresso,
  • e um possível ponto de tensão maior entre os poderes.

Com muitos gritos e aplausos, deputados e senadores da direita e da ultradireita amontoaram-se em frente ao plenário do Senado para celebrar uma derrota histórica do Governo Lula, na noite desta quarta-feira (29). A Casa rejeitou — por 42 a 34 votos, além de uma abstenção — o nome do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, à vaga deixada por Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). Foi a primeira rejeição de uma indicação presidencial à Corte desde 1894. A Agência Pública apurou que o resultado da votação não surpreendeu o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), que teria articulado ativamente contra Messias e, inclusive, confirmado isso a outro parlamentar. Em diálogos com correligionários, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), teria repetido várias vezes, em clima de festa, que Jorge Messias foi rejeitado “graças a Alcolumbre”. Ele ainda contou a amigos que — horas antes da votação — teria ligado ao presidente do Congresso para obter informações sobre as tratativas para barrar a indicação de Lula. Alcolumbre teria respondido: “Faça a sua parte, que eu faço a minha”. Nas últimas duas semanas, o Governo montou uma força-tarefa para angariar apoio à votação no Senado. Senadoras da base governista, por exemplo, foram incumbidas da missão de convencer as colegas mulheres do parlamento. Até mesmo o ministro André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e considerado o nome “terrivelmente evangélico” no Supremo, trabalhou em favor de Jorge Messias. Tensão entre governistas Desde o início da sabatina na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), às 9h da manhã, senadores petistas mostraram preocupação com um possível placar negativo na apreciação em plenário. Diante da preocupação, uma reunião entre o líder do PT no Senado, Jaques Wagner (BA), e o presidente da República teria ocorrido no Palácio do Planalto enquanto Messias era sabatinado. Numa das coletivas concedidas à imprensa, Wagner foi receoso ao citar o resultado esperado pelo governo: “mais de 41”, disse ele, referindo-se ao número mínimo de votos necessários para aprovação. Algo que não foi alcançado. Com a rejeição, o presidente Lula precisa anunciar um novo nome ao Supremo, para ser avaliado novamente pelo Senado. O silêncio de Alcolumbre Alcolumbre estava insatisfeito com a sugestão de Lula ao STF desde o anúncio feito pelo petista em 20 de novembro de 2025. O presidente do Congresso atuava pela indicação de Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e se sentiu traído por Lula ao ser contrariado. À época do anúncio de Lula, a aprovação de Messias era considerada inviável pelo Governo, pois Davi Alcolumbre estaria “jogando contra” no Congresso. Mesmo após cinco meses de intensas conversas e reuniões, os líderes do governo não conseguiram o aval e o apoio do presidente do Congresso para a aprovação de Messias. Contudo, os parlamentares chegaram a afirmar, nos bastidores, que tinham conquistado um meio-termo: o “silêncio” de Alcolumbre — uma promessa de que ele não atuaria nem contra nem a favor. Em meio às negociações para aprovar Messias, o governo ofereceu cargos em autarquias ao grupo de Alcolumbre e a partidos do Centrão. Agora, porém, o Governo promete um rompimento oficial com o presidente do Congresso, o que pode resultar na exoneração de cargos em ministérios e outras instituições federais, além de tensionar as pautas que ainda serão avaliadas pelos congressistas, como a redução da escala de trabalho 6×1. Desde 1894 não havia rejeição a uma indicação presidencial ao STF: do lado governista, a tentativa foi minimizar os danos A hora da derrota Assim que o resultado da derrota se materializou contra Messias, o Advogado-Geral da União e agora indicado derrotado ao STF, abraçou sua esposa na sala do Congresso reservada à liderança do PT. O ar era de consternação. Ao anunciar o ineditismo histórico, quando os números finais iluminaram o painel com a contagem final que enterrava a indicação de Messias, Davi Alcolumbre levantou-se da mesa e abraçou Jaques Wagner, líder do governo no Senado, que o aguardava. O encontro entre o fiador da derrota e o representante do governo teve uma conversa ao pé do ouvido. O conteúdo do sussurro perdeu-se no barulho do plenário, mas a imagem registrada fala por si. O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, declarou que o episódio simboliza o fim de “Lula 3”, argumentando que o presidente perdeu credibilidade e legitimidade para conduzir negociações na Casa. Do lado governista, a tentativa foi minimizar os danos institucionais. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), assegurou que a relação entre Executivo e Legislativo não sofrerá alterações, atribuindo o resultado a circunstâncias políticas e à proximidade do período eleitoral. O relator da indicação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Weverton (PDT-MA), reconheceu a derrota e indicou que o presidente não deve enviar, de imediato, um novo nome para substituir o ministro Luís Roberto Barroso, que antecipou sua aposentadoria para outubro de 2025. Já André Mendonça, ministro do STF, que fez campanha a favor de Messias, declarou: “Respeito a decisão do Senado, mas não posso deixar de externar minha opinião. O Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo. Messias é um homem de caráter, íntegro e que preenche os requisitos constitucionais para ser Ministro do STF”. À Pública, o filósofo Vladimir Safatle comentou o resultado: “O Senado e o Congresso declararam guerra contra o Executivo.” Para ele, Lula precisa entender que o Congresso é seu inimigo. “Esse modelo, do Lula conciliatório, já tenho dito isso há algum tempo, não funciona mais.”

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