A operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira intensificou a tensão política entre integrantes do chamado Centrão e setores do Supremo Tribunal Federal. Aliados do parlamentar passaram a interpretar a decisão do ministro André Mendonça, que autorizou a ação, como uma possível reação ao episódio envolvendo a rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no STF.
Segundo essa leitura política, a cronologia dos fatos alimenta suspeitas dentro do grupo de apoio de Nogueira. A solicitação da PF teria sido apresentada em 10 de abril, antes da votação relacionada à indicação de Messias. Entretanto, a autorização judicial e a deflagração da operação ocorreram somente após a derrota do chefe da AGU no Senado. Nos bastidores do STF, André Mendonça era visto como um dos principais defensores da candidatura de Messias.
Apesar de inicialmente demonstrar apoio ao nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro Nogueira acabou não entregando o respaldo esperado pelo Palácio do Planalto, segundo relatos políticos divulgados nos bastidores de Brasília.
A quinta fase da Operação Compliance Zero investiga supostas relações entre Ciro Nogueira e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro teria pago valores mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil ao senador.
Em troca, conforme a investigação, o parlamentar atuaria em favor de interesses do grupo financeiro, incluindo a apresentação de projetos de lei e emendas parlamentares supostamente elaborados pela consultoria jurídica ligada ao banco.
Até o momento, nem André Mendonça nem Jorge Messias se manifestaram publicamente sobre as acusações de motivação política atribuídas à operação. Já Ciro Nogueira nega irregularidades e afirma que sua atuação parlamentar ocorreu dentro da legalidade.
