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Lula diz que sai satisfeito de reunião nos EUA e que Trump não abordou Pix e facções criminosas

Publicada em: 09/05/2026 09:06 -

ENVIADO ESPECIAL A WASHINGTON - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que sai satisfeito após a reunião de quase três horas com Donald Trump na Casa Branca na tarde desta quinta-feira, 7. Não houve assinatura de acordos, mas o petista apontou que os dois líderes tiveram discussões importantes sobre tarifaço, crime organizado, terras raras e outros temas. O brasileiro conduziu uma coletiva de imprensa na embaixada em Washington, que substituiu a tradicional conversa com jornalistas no Salão Oval. O momento de perguntas e respostas conjuntas entre os líderes foi cancelado a pedido do presidente para evitar constrangimentos, segundo apurou o Estadão. Lula chamou a reunião de histórica. “Eu saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA”. De bom humor, o brasileiro disse ter feito Trump sorrir. “O presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia”, brincou. Segundo o presidente, o americano não abordou especificamente as questões do Pix e de facções criminosas brasileiras. Ambos os temas eram os mais sensíveis para o Brasil e considerados prioritários por Washington. A Casa Branca considera o Pix uma “prática comercial abusiva” e queria classificar grupos como PCC e CV como terroristas. Ao ser questionado sobre as posições de Trump sobre Cuba, Venezuela e Irã, Lula respondeu que o americano “não vai mudar depois de três horas de reunião comigo”. “Eu disse para ele que durante um bom tempo os EUA deixaram de olhar para a América Latina com um olhar de interesse, como a Europa deixou de olhar para o nosso continente para olhar para o Leste Europeu”, destacou Lula. Crime organizado Segundo o presidente, o Brasil demonstrou interesse em construir - com os EUA e outros países da América Latina - um grupo de trabalho para combater o crime organizado. “Nos resolvemos discutir assuntos que pareciam tabus, como o crime organizado”, disse. “Isso precisa ser compartilhado com todos e o Brasil tem expertise”. Segurança era o tema que o governo brasileiro queria evitar, pois entende que a classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas abre portas para intervenções americanas. Terras raras e tarifaço De acordo com Lula, as duas comitivas também trataram de terras raras, um assunto caro aos EUA que buscam afastar a dominância chinesa na área. “Nós não temos preferencias, o que nós queremos é fazer parceria”, afirmou. “Quem quiser participar conosco para ajudar a fazer a mineração estão sendo convidados para irem ao Brasil e isso é permitido pela regulação que foi feita ontem e deve ser aprovada hoje no Senado”. Ao ser perguntado sobre o tarifaço, Lula disse que está “muito positivo” sobre o assunto. “Tem uma divergência entre nós que ficou explicita na reunião. Propus 30 dias para que os companheiros possam criar uma solução”. Os EUA haviam imposto 50% de tarifas contra o Brasil - 10% aplicadas a todos + 40% apenas ao Brasil. Os 40% caíram após decisão da Suprema Corte, mas podem retornar caso o país decida reimpor as sobretaxas a partir de julho. Neste encontro, o Brasil conseguiu um respiro de um mês para negociar, disse. Pix e investigações Outro tema sensível para o Brasil eram as investigações abertas pelos EUA contra o Brasil por supostas práticas comerciais abusivas. O governo americano citava, em documento, o Pix e a 25 de Março como exemplos dessas práticas. Segundo Lula, porém, Trump não tocou no assunto. “Ele não falou do Pix e eu também não”, disse. E brincou: “Ele não discutiu o acordo da seção 301, nós levantamos a tese que nós achamos que não tem procedência. Eles levantaram a tese que o Brasil esta cobrando mais imposto. Sugeri que colocássemos os nossos ministros para discutir em 30 dias. Acho que vai terminar bem”, afirmou o brasileiro. Antes de Lula, falam os ministros que participaram da comitiva do presidente. O chanceler Mauro Vieira disse que o encontro foi muito positivo e passou do tempo previsto. Os líderes abordaram temas como os minerais raros brasileiros e o combate ao crime organizado. Dario Durigan, Ministro da Fazenda, disse ter feito uma intervenção durante o almoço de trabalhando, assinalando que a economia do País vive um momento de estabilidade, inflação sob controle e crescimento acima do esperado. “Tem duas frentes importantes de conclusão de encaminhamentos: houve um primeiro anuncio feito no brasil em que se estabeleceu um mecanismo de troca de informação previa a chegada de containers no Brasil e nos EUA”. Cuba O brasileiro também afirmou que Trump não pensa em invadir Cuba. “O ?que ?eu ouvi, e não sei se a tradução ?foi correta, é que ele disse que ?não pensa invadir Cuba. Isso foi dito ?pelo intérprete, e acho que isso é um grande sinal. Porque Cuba quer dialogar”, disse. A declaração contradiz recentes ameaças do mandatário americano sobre “assumir” o controle da ilha após o fim da guerra com o Irã. Na última semana, Trump também ordenou a imposição de novas sanções destinadas a asfixiar o governo cubano, alegando que Havana “segue representando uma ameaça extraordinária” para a segurança nacional americana. Na coletiva de imprensa após a reunião com Trump, Lula reiterou que se coloca como possível mediador na crise entre a ilha caribenha e os EUA. No entanto, o presidente destacou que a conversa com Trump na Casa Branca não teve um foco em política externa. “Se precisar que o Brasil converse sobre qualquer país sobre a questão das interferências americanas em Cuba ou no Irã, o Brasil está disposto a participar. Mas eu vim aqui para discutir as questões brasileiras”, disse o petista. Mudança de protocolo Lula foi questionado pelos jornalistas sobre a mudança de protocolo na Casa Branca. A pedido de Lula, a coletiva conjunta no Salão Oval foi adiada para depois do almoço, mas acabou cancelada. É comum haver uma foto de chegada no Salão Oval, onde os jornalistas entram e fazem perguntas rápidas aos presidentes. A imprensa, contudo, não foi autorizada a entrar. Segundo apurou o Estadão, a mudança foi um pedido de Lula, para evitar o que houve na Malásia, onde o brasileiro ficou muito incomodado ao responder os questionamentos antes de conversa com Trump. Também evita o que ocorreu com os presidentes Volodmir Zelenski, da Ucrânia, e Cyril Ramaphosa, da África do Sul, que foram constrangidos pelo americano durante a conversa com jornalistas no Salão Oval. Trump chama Lula de ‘dinâmico’ O presidente americano também chamou a reunião de foi produtiva e chamou Lula de “presidente dinâmico” de acordo com o líder americano. Após a reunião, o republicano publicou em sua rede social que diversos assuntos foram abordados e que tudo “transcorreu muito bem”. “Acabei de encerrar minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico presidente do Brasil. Discutimos diversos assuntos, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião transcorreu muito bem”, escreveu Trump em uma publicação no Truth Social. “Nossos representantes devem se reunir para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário”.

 

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