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Operação contra Ciro muda cálculo político de Flávio Bolsonaro

Publicada em: 17/05/2026 06:15 -

A operação contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) mudou o cálculo político de Flávio Bolsonaro (RJ) e ampliou a cautela de aliados do senador do PL sobre a aproximação com a União-PP, em meio às investigações envolvendo suspeitas relacionadas ao Banco Master. As informações foram publicadas nesta quinta-feira (7) pelo jornal O Globo. O filho de Jair Bolsonaro (PL) classificou como “graves” as informações divulgadas nesta quinta-feira sobre a operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP, aliado próximo do campo bolsonarista e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro. Em nota enviada ao jornal, Flávio afirmou acompanhar o caso com atenção e defendeu que a investigação seja conduzida com respeito às garantias legais. “O senador Flávio Bolsonaro acompanha com atenção e considera graves as informações divulgadas pela imprensa. Entendemos que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal”, afirmou. Flávio também elogiou a atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável por autorizar a operação. Mendonça foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro no fim de 2021. “Confiamos na relatoria do caso Master, conduzida pelo ministro André Mendonça, e esperamos uma ampla apuração”, completou. A manifestação ocorreu em um momento de forte repercussão política da operação. Nos bastidores, aliados de Flávio passaram a reavaliar a estratégia da pré-campanha presidencial, com o objetivo de evitar uma associação direta com o caso e medir o impacto da aproximação com partidos do Centrão. O episódio cria constrangimento para o pré-candidato do PL em uma etapa considerada delicada das articulações para 2026. Flávio tenta consolidar apoios de siglas como PP e União Brasil, que ocupam posição estratégica na disputa entre governo e oposição por alianças regionais e por espaço na composição da chapa presidencial. Nos últimos meses, Flávio vinha avançando em acordos estaduais com legendas desse bloco político. Parte dessas negociações envolvia justamente a federação União-PP, que poderia ampliar o tempo de televisão da campanha e reforçar o acesso a recursos do fundo partidário. A investigação contra Ciro, no entanto, elevou o grau de cautela dentro da pré-campanha. O senador do PP é um dos principais articuladores políticos da federação e sua situação passou a pesar especialmente nas conversas sobre a vaga de vice. Interlocutores admitem que o caso reforçou resistências já existentes no setor mais ideológico do bolsonarismo à ampliação da influência do Centrão sobre a campanha. A avaliação é que uma associação excessiva com partidos atingidos pela investigação pode produzir desgaste político superior aos benefícios eleitorais esperados. Apesar da cautela, integrantes da pré-campanha ponderam que um afastamento brusco da União-PP também teria custo político. PP e União Brasil continuam sendo vistos como forças importantes para a construção de palanques estaduais competitivos em 2026. Nomes vinculados ao PP vinham sendo mencionados como possíveis opções para a chapa presidencial. Entre eles estão a senadora Tereza Cristina (PI) e as deputadas Simone Marquetto (SP) e Clarissa Tércio (PE), conforme as articulações descritas por aliados. Ex-ministro da Saúde e aliado de Flávio, Marcelo Queiroga reconheceu a proximidade política entre Ciro e o grupo de Bolsonaro, mas procurou delimitar essa relação. “Ciro é uma pessoa que tivemos proximidade, ele foi ministro do Bolsonaro, mas nunca fez parte do bolsonarismo raiz. Ele vai se defender, tem direito a isso, mas não vejo uma relação direta com Flávio. Quem tem que defendê-lo são os advogados”, afirmou. A fala de Queiroga sintetiza a estratégia adotada por aliados de Flávio após a operação. O movimento busca evitar um confronto direto com Ciro Nogueira, ao mesmo tempo em que tenta afastá-lo do núcleo mais próximo do bolsonarismo. A investigação autorizada por André Mendonça apura suspeitas de pagamento de vantagens indevidas a Ciro em troca de atuação favorável a interesses do Banco Master. Entre os pontos citados pela Polícia Federal está a apresentação de uma emenda para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, medida que, segundo investigadores, poderia beneficiar a instituição financeira. A PF também menciona mensagens que indicariam participação do banco na elaboração da proposta apresentada por Ciro. O avanço da apuração coloca o caso no centro das articulações eleitorais e impõe novo teste à capacidade do PL de equilibrar pragmatismo político, alianças regionais e tentativa de preservação da imagem de sua pré-campanha.
 

A operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira provocou impacto imediato nas articulações da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro para 2026, principalmente na relação com a federação formada por Progressistas e União Brasil.

Segundo o relato, aliados de Flávio passaram a adotar uma postura mais cautelosa diante da repercussão do caso envolvendo suspeitas relacionadas ao Banco Master. A preocupação central é evitar desgaste político causado por uma associação excessiva com figuras investigadas do Centrão, especialmente em um momento em que o senador tenta ampliar alianças regionais e consolidar uma base nacional competitiva.

Flávio afirmou considerar “graves” as informações divulgadas sobre a operação e disse confiar na condução do caso pelo ministro André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, procurou enfatizar a necessidade de respeito ao devido processo legal.

Nos bastidores, o episódio ampliou divergências já existentes dentro do bolsonarismo sobre o grau de aproximação com partidos do Centrão. De um lado, integrantes mais pragmáticos defendem a manutenção da aliança com União-PP por causa do tempo de televisão, recursos partidários e palanques estaduais. De outro, setores ideológicos avaliam que a proximidade com legendas atingidas por investigações pode comprometer o discurso anticorrupção da campanha.

O caso também passou a influenciar discussões sobre a composição de uma eventual chapa presidencial. Nomes ligados ao PP, como Tereza Cristina, Simone Marquetto e Clarissa Tércio, vinham sendo citados em negociações políticas ligadas ao projeto eleitoral do PL.

Marcelo Queiroga, aliado de Flávio, tentou separar a imagem do senador do PL da situação de Ciro Nogueira. Segundo ele, apesar da proximidade política durante o governo Bolsonaro, Ciro “nunca fez parte do bolsonarismo raiz”.

De acordo com a investigação mencionada no texto, a Polícia Federal apura suspeitas de que Ciro Nogueira teria atuado em favor de interesses do Banco Master, incluindo a apresentação de proposta relacionada ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A PF também aponta mensagens que indicariam possível participação do banco na elaboração da medida apresentada pelo senador.

O episódio tende a aumentar a pressão sobre o PL para equilibrar três objetivos simultâneos: preservar o discurso político do bolsonarismo, manter canais de negociação com partidos do Centrão e reduzir riscos de desgaste eleitoral antes do início oficial da disputa de 2026.

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