A operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira provocou impacto imediato nas articulações da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro para 2026, principalmente na relação com a federação formada por Progressistas e União Brasil.
Segundo o relato, aliados de Flávio passaram a adotar uma postura mais cautelosa diante da repercussão do caso envolvendo suspeitas relacionadas ao Banco Master. A preocupação central é evitar desgaste político causado por uma associação excessiva com figuras investigadas do Centrão, especialmente em um momento em que o senador tenta ampliar alianças regionais e consolidar uma base nacional competitiva.
Flávio afirmou considerar “graves” as informações divulgadas sobre a operação e disse confiar na condução do caso pelo ministro André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, procurou enfatizar a necessidade de respeito ao devido processo legal.
Nos bastidores, o episódio ampliou divergências já existentes dentro do bolsonarismo sobre o grau de aproximação com partidos do Centrão. De um lado, integrantes mais pragmáticos defendem a manutenção da aliança com União-PP por causa do tempo de televisão, recursos partidários e palanques estaduais. De outro, setores ideológicos avaliam que a proximidade com legendas atingidas por investigações pode comprometer o discurso anticorrupção da campanha.
O caso também passou a influenciar discussões sobre a composição de uma eventual chapa presidencial. Nomes ligados ao PP, como Tereza Cristina, Simone Marquetto e Clarissa Tércio, vinham sendo citados em negociações políticas ligadas ao projeto eleitoral do PL.
Já Marcelo Queiroga, aliado de Flávio, tentou separar a imagem do senador do PL da situação de Ciro Nogueira. Segundo ele, apesar da proximidade política durante o governo Bolsonaro, Ciro “nunca fez parte do bolsonarismo raiz”.
De acordo com a investigação mencionada no texto, a Polícia Federal apura suspeitas de que Ciro Nogueira teria atuado em favor de interesses do Banco Master, incluindo a apresentação de proposta relacionada ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A PF também aponta mensagens que indicariam possível participação do banco na elaboração da medida apresentada pelo senador.
O episódio tende a aumentar a pressão sobre o PL para equilibrar três objetivos simultâneos: preservar o discurso político do bolsonarismo, manter canais de negociação com partidos do Centrão e reduzir riscos de desgaste eleitoral antes do início oficial da disputa de 2026.
