A fala do empresário Flávio Rocha insere no debate público um dos principais argumentos contrários ao fim da escala 6x1: o possível aumento dos custos trabalhistas e seus efeitos sobre preços e empregos. Rocha afirmou que a mudança poderia elevar os custos do varejo entre 18% e 20%, levando empresas a repassar despesas aos consumidores ou reduzir contratações.
O tema está ligado à discussão da PEC que propõe mudanças na jornada de trabalho no Brasil. Defensores da proposta argumentam que a redução da jornada pode melhorar qualidade de vida, saúde mental e produtividade dos trabalhadores. Já críticos afirmam que setores intensivos em mão de obra — como comércio, restaurantes e serviços — podem enfrentar maior pressão sobre margens e operação.
A avaliação econômica sobre impactos inflacionários ou perda de empregos não é consensual. Economistas costumam apontar que os efeitos dependem de fatores como:
- forma de implementação da nova jornada;
- período de transição;
- possibilidade de compensação via produtividade;
- tamanho das empresas;
- setor econômico afetado;
- negociação coletiva.
O empresário também associou o debate ao contexto político-eleitoral, dizendo que teme uma condução baseada em “populismo”. O relatório da PEC deve ser apresentado pelo deputado Léo Prates nos próximos dias na Câmara dos Deputados.
A discussão sobre escalas de trabalho ocorre em vários países e normalmente envolve equilíbrio entre:
- proteção ao trabalhador;
- competitividade das empresas;
- geração de empregos;
- produtividade;
- custo de vida e inflação.
Entre os modelos já usados no Brasil estão:
- escala 6x1 (seis dias trabalhados e um de descanso);
- escala 5x2;
- jornadas flexíveis negociadas por categoria;
- turnos contínuos em indústrias e serviços essenciais.
O debate tende a ganhar intensidade conforme a PEC avance no Congresso Nacional.
GUARUJÁ - O empresário Flávio Rocha, herdeiro do Grupo Guararapes, dono da Riachuelo, afirmou neste sábado, 23, que a proposta de fim da escala 6x1, defendida pelo governo federal e em tramitação no Congresso, deve elevar a inflação e pressionar os preços dos produtos. Segundo ele, a medida teria impacto geral estimado de 13%, de acordo com projeções da companhia. “No caso do varejo, o impacto é maior, porque o setor é mais dependente de mão de obra. Então, imaginamos que o custo vá subir na casa de 18% a 20%”, disse, durante participação em painel do Fórum Brasil 2026, no Guarujá (SP). “Isso vai precisar ser repassado aos preços, para preservar margens, ou levará à redução do número de empregados.” O dono da Riachuelo afirmou que, para sustentar a margem dos lojistas e varejistas, sobretudo dos pequenos, a medida pode levar à redução do número de empregados. Segundo ele, a preocupação deve recair principalmente sobre pequenas e médias empresas, que, na avaliação do empresário, respondem hoje pela maior geração de empregos no País. Rocha disse ainda que o Brasil discute a criação de uma regra geral para uma prática que, segundo ele, já é adotada por parte das empresas, com a escala 5x2. Para ele, a mudança restringiria setores que precisam de maior flexibilidade, como indústrias, restaurantes e salões de beleza, que dependem de funcionamento em mais dias da semana, ainda que eventualmente com jornadas menores. O empresário disse considerar pertinente o debate sobre horas de trabalho e sobre a transformação da jornada, sob o argumento de que todos querem estar mais próximos da família e que excluir essa discussão seria injusto com o trabalhador. Ele ponderou, no entanto, que a discussão ocorre em ano eleitoral, às vésperas de uma eleição que classificou como importante para o Brasil, e avaliou que o tema tende a ser conduzido com base no “populismo”, e não nos impactos sobre empregos e sobre a capacidade de contratação dos empresários. O relatório final da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) deve ser apresentado pelo deputado federal Léo Prates (Republicanos-BA) na próxima segunda-feira, 25. Se o texto for protocolado na data, a votação do parecer dentro da Comissão Especial da Câmara deve ocorrer na terça-feira, 26, e a votação em plenário na quarta-feira, 27.
