A expulsão de Andrés Sanchez do quadro associativo do Sport Club Corinthians Paulista marca um dos episódios políticos mais tensos da história recente do clube. O Conselho Deliberativo aprovou a medida por ampla maioria — 112 votos favoráveis, 49 contrários e seis abstenções — após investigações internas apontarem o uso indevido do cartão corporativo do Corinthians para despesas pessoais que somam cerca de R$ 480 mil em valores corrigidos.
Andrés, presidente do clube em dois períodos (2007–2012 e 2018–2020), alegou diversas vezes que teria confundido o cartão corporativo com o pessoal. Parte dos valores chegou a ser devolvida ao clube. Mesmo assim, o Comitê de Ética recomendou sua expulsão, entendimento confirmado pelo Conselho.
Como cumpre medida cautelar que o impede de frequentar as dependências do clube, o ex-dirigente não participou presencialmente da sessão no Parque São Jorge. Sua defesa foi feita por advogados do escritório de Fernando José da Costa.
O clima no entorno do clube foi de forte mobilização política e emocional. Torcedores ligados a organizadas realizaram protestos exigindo a expulsão, enquanto faixas de apoio ao ex-presidente apareceram mais cedo e foram retiradas posteriormente. Houve reforço policial do Batalhão de Choque e do Garra, além de discussões entre dirigentes dentro do clube.
Durante a sessão, Mário Gobbi tentou substituir a punição de expulsão por suspensão, mas a proposta foi rejeitada após debates acalorados.
O caso também tem desdobramentos judiciais. O Ministério Público de São Paulo denunciou Andrés e o ex-diretor financeiro Roberto Gavioli por lavagem de dinheiro e crimes tributários. Entretanto, em março deste ano, a Justiça paulista rejeitou a denúncia por considerar que não havia justa causa para a ação penal. O MP recorreu da decisão.
A situação lembra o episódio envolvendo Alberto Dualib, que deixou de ser sócio do clube em 2008 após denúncias relacionadas ao escândalo da MSI.
O Conselho Deliberativo do Corinthians decidiu, em reunião realizada no Parque São Jorge, nesta segunda-feira, expulsar Andrés Sanchez do quadro associativo da agremiação. Foram 112 votos favoráveis, 49 contra e seis abstenções. Tal decisão, recomendada pelo Comitê de Ética alvinegro, é o desfecho das investigações que apontaram que o dirigente teve gastos pessoais de R$ 480.169,60, em valores corrigidos, no cartão corporativo do clube. A reportagem tenta contato com a defesa de Andrés Sanchez. Após a votação, os advogados do antigo mandatário alvinegro não falaram com a imprensa. Antes mesmo do fim da votação, os torcedores presentes do lado de fora celebraram com rojões e cantoria o resultado eminente.
O ex-presidente corintiano, que exerceu mandatos de 2007 a 2012 e 2018 a 2020, argumentou em mais de uma ocasião que confundiu o cartão corporativo com o seu pessoal para justificar parte desses gastos. Também chegou a ressarcir parte das despesas. Como cumpre medida cautelar que o proíbe de frequentar as dependências do clube, Andrés não esteve presente para apresentar a própria defesa na votação. Ele tentou obter uma liminar, mas não conseguiu. Dessa forma, foi representado por Alexandre Imbriani, Bruna de Carvalho Fonseca Dias e Anna Julia Luchtemberg, advogados do escritório de Fernando José da Costa. TB, SAO PAULO, SP, BRASIL, 25/05/2026 ESPORTE - EXPULSÃO/ ANDRÉ SANCHES/ CORINTHIANS - Torcedores do Corinthians protestam, em frente a sede do clube, pedindo a expulsão do ex-presidente do clube, André Sanches. O conselho do clube vota hoje pela expulsão ou não de André Sanches. Foto: Taba Benedicto/ Estadão Foto: Taba Benedicto/ Estadão Mais cedo, no início do dia, faixas de apoio ao ex-presidente foram estendidas na entrada do Parque São Jorge, porém retiradas ainda pela manhã.
A reunião do Conselho foi tratada como um grande evento pelas torcidas organizadas, que realizaram uma manifestação enérgica na Rua São Jorge, com concentração a partir do final da tarde. “Conselheiros, a história vai lembrar quem protegeu o Corinthians e quem se omitiu”, estava escrito em uma das faixas exibidas no local. “Com Sanchez, sem chances”, dizia outra. Frente às grandes proporções dadas ao episódio pelos torcedores, havia policiamento reforçado, com viaturas do Batalhão de Choque da Polícia Militar e do Garra, grupo tático de elite da Polícia Civil do Estado, tanto fora quanto dentro do clube. No teatro do Parque São Jorge, foram registradas algumas confusões entre dirigentes. O vice-presidente do clube Armando Mendonça tentou acompanhar a votação, mas foi impedido por Leonardo Pantaleão, presidente do Conselho Deliberativo. Na convocação para a reunião, já estava determinado que membros da diretoria executiva não poderiam participar. “Eu me fiz presente em respeito ao estatuto, ao regimento interno. Os senhor Leonardo Pantaleão tinha de ter conhecimento. Na convocação, havia um item proibindo a presença da diretoria e eu fui questioná-lo onde isso estava no estatuto. E aí, ele proibiu nossa presença, alguns conselheiros de oposição concordaram com o posicionamento e eu me retirei”, disse Mendonça em contato com a imprensa após ser enxotado.
A reunião do Conselho foi tratada como um grande evento pelas torcidas organizadas, que realizaram uma manifestação enérgica na Rua São Jorge, com concentração a partir do final da tarde. “Conselheiros, a história vai lembrar quem protegeu o Corinthians e quem se omitiu”, estava escrito em uma das faixas exibidas no local. “Com Sanchez, sem chances”, dizia outra. Frente às grandes proporções dadas ao episódio pelos torcedores, havia policiamento reforçado, com viaturas do Batalhão de Choque da Polícia Militar e do Garra, grupo tático de elite da Polícia Civil do Estado, tanto fora quanto dentro do clube. No teatro do Parque São Jorge, foram registradas algumas confusões entre dirigentes. O vice-presidente do clube Armando Mendonça tentou acompanhar a votação, mas foi impedido por Leonardo Pantaleão, presidente do Conselho Deliberativo. Na convocação para a reunião, já estava determinado que membros da diretoria executiva não poderiam participar. “Eu me fiz presente em respeito ao estatuto, ao regimento interno. Os senhor Leonardo Pantaleão tinha de ter conhecimento. Na convocação, havia um item proibindo a presença da diretoria e eu fui questioná-lo onde isso estava no estatuto. E aí, ele proibiu nossa presença, alguns conselheiros de oposição concordaram com o posicionamento e eu me retirei”, disse Mendonça em contato com a imprensa após ser enxotado.


