O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que o governo federal pretende tentar recomprar refinarias privatizadas da Petrobras, desde que os valores sejam considerados “justos” pela estatal. A declaração ocorreu durante um evento de anúncio de investimentos da Petrobras no Amazonas.
Ao responder a um apoiador que pediu a “volta da refinaria”, Lula citou o retorno das operações da Fafen na Bahia e em Sergipe e disse que o governo busca recuperar ativos estratégicos vendidos em processos de privatização anteriores.
Durante o discurso, o presidente também defendeu uma atuação mais ampla da Petrobras no desenvolvimento econômico do País. Segundo Lula, a estatal deve considerar não apenas o retorno financeiro, mas também impactos em geração de empregos, tecnologia e fortalecimento da indústria nacional.
Ele usou como exemplo a construção de barcaças no Amazonas, argumentando que produzir equipamentos no Brasil pode custar mais caro do que importar da China, mas geraria empregos e conhecimento tecnológico no País.
Lula afirmou ainda que o governo federal “não manda na Petrobras”, embora participe da definição de prioridades por meio das indicações ao conselho da empresa. Segundo ele, as decisões da estatal precisam levar em conta interesses nacionais.
O presidente também voltou a criticar privatizações realizadas nos últimos anos, especialmente a da Eletrobras, concluída durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula classificou a operação como “o maior roubo da história desse País”.
Em tom de brincadeira, Lula comentou ainda sobre uma possível parceria entre a Petrobras e a estatal mexicana Pemex para exploração de petróleo no Golfo do México, mencionando a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e fazendo referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira, 27, que o governo brasileiro vai “tentar recuperar as refinarias” de petróleo privatizadas, mas não vai “comprar pelo preço que eles querem”. A declaração foi dada durante cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras no Amazonas nesta quarta-feira. Lula já estava no fim de seu discurso quando um dos presentes começou a falar com ele, fora do microfone. Pelo que foi possível ouvir na transmissão feita pela EBC, a pessoa gritou: “Lula, volta com a refinaria”. O presidente, então, dirigiu-se à pessoa que fez o pedido e se explicou. “Pois é, querido. Nós já trouxemos de volta a Fafen (Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados) na Bahia, vamos trazer de volta a Fafen em Sergipe. Vamos tentar recuperar as refinarias que eles privatizaram, mas não podemos comprar pelo preço que eles querem. A Petrobras não pode dar dinheiro para as pessoas se não tiver um preço justo. Mas, se depender de nós, eu sonho com muita coisa para a Petrobras”, afirmou o presidente. Lula também falou, em tom de brincadeira, que a Petrobras deveria se aliar à Pemex, estatal mexicana de petróleo e gás, para fazer prospecção de petróleo no Golfo do México. Disse que queria ver se o “companheiro Trump” iria “se meter” no assunto. Citou que a presidente do México, Claudia Sheinbaum, conversou sobre o assunto. “Magda (Chambriard, presidente da Petrobras), vá lá (para o México). Vamos fazer uma associação com a Pemex e vamos no Golfo do México para ver se o companheiro Trump vai se meter com a Petrobras prospectando”, disse, em tom bem-humorado. ‘Governo pode indicar diretores, mas não manda na Petrobras, só que discute as prioridades’ O presidente Lula disse ainda que “a Petrobras não tem de pensar só na Petrobras enquanto empresa”, mas “tem de pensar no Brasil”. O presidente usou um exemplo hipotético para defender que, ainda que a empresa tenha um custo maior em algumas de suas operações, deve priorizar o que for de interesse do País. A declaração foi dada durante cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras no Amazonas nesta quarta-feira. Lula falava sobre a construção de barcaças – embarcações projetadas para o transporte de carga na água. “Se fosse só por conta da Petrobras, iria ter um diretor da Petrobras que diria: ‘Para que construir barcaça lá no Amazonas? Vai custar US$ 10 milhões, mais caro que comprar na China?’. Mas a Petrobras não tem de pensar só na Petrobras enquanto empresa. Tem que pensar no Brasil. O Brasil é que é dono dela, não ela que é dona do Brasil. Ela tem de pensar que temos de utilizar o potencial de uma empresa do porte dela”, declarou o presidente. Lula afirmou, ainda, que o governo “não manda na Petrobras”, mas “discute as prioridades do Brasil” junto à empresa. Defendeu que é preciso levar em consideração “o que o Brasil precisa”. “O governo pode indicar diretores do conselho, mas não manda na Petrobras, mas discute as prioridades do Brasil. Não é o que a Petrobras precisa, é também o que o Brasil precisa. Se a gente não fizesse as barcaças aqui, a gente não geraria emprego, não geraria conhecimento tecnológico”, disse. Lula criticou a privatização de estatais. No caso da desestatização da Eletrobras, feita no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, disse que foi “o maior roubo da história desse País”. “Alguém pode me explicar o que o Brasil ganhou quando privatizaram a BR? Tem algum colunista importante, algum cientista político para me explicar? Venderam, a troco do que? A troco de dizer que são bons gestores. Às vezes, eles vão na TV falar que a iniciativa estatal tem corrupção, que a empresa estatal não presta. E aí vão vendendo. E muitas vezes a gente acredita que se privatizar vai ser melhor”, afirmou. “A privatização da Eletrobras foi o maior roubo da história desse País. A maior empresa de energia que a gente tinha foi vendida na bacia das almas”, completou.
