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Justiça nega novo júri e mantém absolvições de quatro acusados de matar ex-jogador do São Paulo

Publicada em: 12/06/2026 06:05 -

 

 

O caso da morte do jogador Daniel Corrêa Freitas teve um novo desdobramento judicial nesta quinta-feira (11). A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná manteve as absolvições de quatro acusados de participação no crime e rejeitou o pedido do Ministério Público para anular o júri popular e realizar um novo julgamento.

Principais decisões

  • Foi mantida a condenação de Edison Luiz Brittes Júnior, sentenciado a 42 anos, 5 meses e 25 dias de prisão em regime fechado.
  • Permaneceram absolvidos:
    • Cristiana Rodrigues Brittes;
    • David Willian Vollero Silva;
    • Ygor King;
    • Eduardo Henrique Ribeiro da Silva.
  • A maioria dos desembargadores acompanhou o voto do desembargador Sergio Luiz Patitucci, contrariando o relator Mauro Bley Pereira Junior, que defendia a anulação do julgamento.

Situação de Allana Brittes

A Justiça também reconheceu a prescrição dos crimes de fraude processual, corrupção de menores e coação no curso do processo atribuídos a Allana Emilly Brittes. Ela nunca foi acusada de participação direta no homicídio.

Relembre o caso

O crime ocorreu em 27 de outubro de 2018, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. O corpo de Daniel foi encontrado em uma estrada rural, parcialmente degolado e com mutilação genital. Na época, o atleta atuava pelo Esporte Clube São Bento e tinha passagens por equipes como Cruzeiro Esporte Clube, São Paulo Futebol Clube, Coritiba Foot Ball Club e Botafogo de Futebol e Regatas.

Com a decisão do TJ-PR, as absolvições dos quatro acusados permanecem válidas, enquanto a condenação de Edison Brittes segue mantida.

 

O caso envolvendo o assassinato do jogador Daniel Corrêa Freitas teve um dos episódios criminais mais chocantes do país. Segundo a investigação e os julgamentos realizados, Daniel participou da festa de aniversário de 18 anos de Allana Brittes e depois seguiu para a residência da família em São José dos Pinhais.

A versão apresentada por Edison Brittes Júnior foi a de que encontrou o jogador na cama ao lado de sua esposa, Cristiana Brittes. Ele alegou que Daniel teria tentado estuprá-la, mas a investigação da Polícia Civil concluiu que não houve tentativa de estupro.

De acordo com o processo, Daniel foi agredido, levado para uma área rural da região da Colônia Mergulhão e morto. O corpo foi encontrado degolado e com mutilação genital. Durante seu interrogatório no Tribunal do Júri, Edison afirmou ter praticado sozinho a execução e a mutilação do jogador, alegando estar emocionalmente transtornado naquele momento.

No julgamento realizado anos depois do crime, Edison foi condenado a mais de 40 anos de prisão. Já outros acusados tiveram situações processuais diferentes. Recentemente, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná manteve as absolvições de quatro réus — Cristiana Brittes, David Willian da Silva, Ygor King e Eduardo da Silva da Costa — rejeitando o pedido do Ministério Público para anular o júri e realizar um novo julgamento.

O júri popular durou cerca de 35 horas ao longo de três dias, com oitiva de testemunhas, interrogatórios dos réus e participação dos familiares da vítima. A decisão mais recente do TJ-PR mantém, por enquanto, as absolvições desses quatro acusados, enquanto a defesa de Edison ainda busca a revisão de sua pena nas instâncias superiores.

Procurado pelo Estadão, o Ministério Público do Paraná informou que o promotor responsável pelo caso ainda não se manifestou sobre a decisão do TJ-PR. A reportagem tenta contato com as defesas dos absolvidos, Cristiana, David, Ygor e Eduardo. Em nota, a defesa de Edison Brittes e Allana, comandada pela advogada Caroline Mattar Assad, informou que a jovem “não responde mais ao processo criminal e tampouco ostentará antecedentes”. Em relação ao pedido de redução de pena de Edison, a advogada afirmou que irá recorrer às cortes superiores “pleiteando a correta aplicação das normas penais, buscando uma dosimetria proporcional e adequada ao caso concreto”. Relembre como foi o crime Antes da morte, o atleta havia participado da festa de aniversário de 18 anos de Allana Brittes, em uma boate de Curitiba. No local, o jogador foi convidado para continuar a comemoração na casa da família, em São José dos Pinhais. Segundo a investigação, Daniel foi espancado ainda na casa da família depois que Edison o encontrou na cama ao lado da mulher dele, Cristiana. O jogador enviou fotos da mulher em um grupo de amigos pelo WhatsApp. Edison alegou que Daniel tentou estuprar Cristiana, porém a investigação da Polícia Civil concluiu que não houve tentativa de estupro. Empresário é condenado a 42 anos por assassinato de ex-jogador do São Paulo Caso Daniel: júri de sete acusados pela morte do jogador começa 5 anos após o crime Por erro de tribunal, réus acusados de assassinar ex-jogador Daniel poderão evitar júri popular Além de Edison, outros três amigos da filha que estavam na festa foram investigados por participação nas agressões e na ocultação do cadáver. Depois de espancar o jogador, Edison teria degolado e cortado o órgão genital da vítima e deixado o corpo em uma estrada rural da Colônia Mergulhão, em São José dos Pinhais. Cinco anos depois, em interrogatório no Tribunal do Júri, que durou cerca de 1h15, o condenado afirmou que agiu sozinho depois de ter tirado a vítima da casa e o levado para a zona rural. “Eu arrastei ele (Daniel), tirando da estrada. Na hora que eu desci do carro eu não vi nada. Meu foco era o abusador. Não sei se os meninos desceram do carro na hora. Eu fiz isso sozinho”, afirmou. Edison relatou também que estava transtornado quando cometeu o crime. Ele alegou ter visto o atleta com o pênis para fora da roupa na cama, ao lado da mulher. “Eu estava muito transtornado, pensava nas mensagens, remoía tudo dentro de mim. Eu me lembrava dele falando que comeu ela. Sim, eu peguei e emasculei ele. Fui na direção do carro e joguei a parte dele. Quando eu joguei o órgão dele eu vi que um dos meninos estava na frente do carro vomitando. Era o meu genro David”, afirmou. O júri popular do caso durou cerca de 35 horas, no decorrer de três dias. Foram ouvidas 13 testemunhas, sendo duas sigilosas, houve o interrogatório dos sete réus do caso, além dos debates entre acusação e defesa. Os réus estavam presentes no momento da leitura da sentença pelo juiz. A mãe e familiares da vítima também participaram do julgamento.

 
 
 
 
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