O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), deve decidir nos próximos dias o destino prisional do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A definição ocorre após a PGR (Procuradoria-Geral da República) rejeitar a segunda proposta de colaboração premiada apresentada pela defesa do empresário. Relator do caso do Banco Master no Supremo, Mendonça condicionou a permanência de Vorcaro em uma cela especial na Superintendência da PF (Polícia Federal), em Brasília, às negociações para uma eventual delação. Com o fim das tratativas, a expectativa é que o ex-banqueiro seja transferido para uma unidade prisional comum, possivelmente o Complexo Penitenciário da Papuda.
Como mostrou a CNN Brasil, interlocutores que acompanham o caso afirmam que a transferência não deve ocorrer de forma automática, mas é considerada uma consequência natural do encerramento das negociações. Além disso, no mesmo dia em que rejeitou a nova tentativa de delação, a PGR também se manifestou contra a domiciliar para o ex-banqueiro. Vorcaro está preso desde 4 de março no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Master. Por que a proposta foi rejeitada
A manifestação da PGR seguiu o entendimento da Polícia Federal, que já havia rejeitado o novo material proposto por Vorcaro na semana passada. Na avaliação de investigadores e procuradores, as informações apresentadas pelo ex-banqueiro não reuniam elementos suficientes para justificar os benefícios previstos em um acordo de colaboração premiada.
Na tentativa de retomar as negociações, a defesa apresentou uma nova versão da proposta entre os dias 1º e 2 de junho. O material ampliava o escopo da colaboração e incluía relatos sobre a relação do empresário com autoridades dos Três Poderes. Entre os pontos citados estavam o financiamento do filme "Dark Horse" a pedido do senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e repasses de recursos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). A primeira proposta de delação já havia sido rejeitada pela PF em maio. Na ocasião, investigadores avaliaram que o material trazia relatos genéricos e omitia informações consideradas relevantes que já tinham sido descobertas através de investigações da própria corporação. Para a PGR, a nova versão não superou as fragilidades apontadas anteriormente.
A defesa de Vorcaro contesta a conclusão de investigadores e procuradores. Os advogados afirmam que a proposta foi reformulada e passou a reunir fatos inéditos e informações adicionais.
