O senador Flávio Bolsonaro, a jornalista Eliane Cantanhêde e as investigações relacionadas ao chamado “Caso Master”.
Os principais pontos relatados são:
- Cantanhêde questionou por que a Polícia Federal realizou buscas contra Jaques Wagner e Ciro Nogueira, mas não contra Flávio Bolsonaro.
- Flávio respondeu nas redes sociais, negando irregularidades e afirmando que o financiamento do filme Dark Horse teria ocorrido por meio de investimento privado legítimo.
- Após a publicação do senador, aliados políticos e apoiadores passaram a criticar Cantanhêde, com parte das manifestações focando em questionamentos sobre sua atuação profissional.
- Segundo o texto, alguns usuários foram além das críticas políticas e fizeram ataques pessoais e ofensas misóginas contra a jornalista.
- O debate gira em torno das investigações sobre operações ligadas ao Banco Master, ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao financiamento do filme Dark Horse, que aborda a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Do ponto de vista analítico, o texto sustenta duas teses principais:
- Que houve uma mobilização de apoiadores de Flávio Bolsonaro após sua manifestação pública.
- Que a discussão nas redes sociais teria se deslocado da pergunta original sobre os critérios adotados pela Polícia Federal para uma disputa sobre a credibilidade da jornalista.
Ao mesmo tempo, as conclusões sobre eventual coordenação dos ataques ou sobre a correção das decisões da Polícia Federal dependem das investigações oficiais e de evidências adicionais. O próprio texto afirma que não apresenta prova de coordenação formal entre os perfis que atacaram a jornalista, mas aponta uma sequência temporal entre a publicação de Flávio Bolsonaro e a reação de apoiadores.
Se desejar, posso também fazer uma checagem factual dos principais pontos do caso usando fontes públicas e mostrar o que já foi confirmado, o que é alegação e o que ainda está sob investigação.
Flávio Bolsonaro atacou Eliane Cantanhêde no X após a jornalista questionar por que a Polícia Federal fez buscas contra Jaques Wagner e Ciro Nogueira no Caso Master, mas não contra o senador do PL-RJ. A resposta do filho de Jair Bolsonaro funcionou como senha para uma horda bolsonarista mirar a colunista do Estadão com ataques pessoais, acusações de militância e ofensas misóginas. A ofensiva começou depois de Cantanhêde publicar uma coluna sobre o caso que envolve o Banco Master, Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro. A Fórum mostrou o bate-boca de Flávio Bolsonaro com a jornalista e a escalada provocada pela pergunta sobre a ausência de medidas contra o senador. Flávio Bolsonaro mira Eliane Cantanhêde após cobrança sobre a PF No post, Flávio tentou enquadrar o repasse privado para o filme como uma operação regular e comparou o caso a investimentos publicitários no Estadão. “Não há absolutamente nada de errado”, escreveu o senador.
O parlamentar também atacou diretamente Cantanhêde. “Por mais que você torça contra mim”, afirmou, antes de dizer que, na avaliação dele, “possibilidade de crime” existiria apenas na relação de Jaques Wagner com Augusto Lima e o Banco Master, e não no caso do filme sobre Jair Bolsonaro. A pergunta central da jornalista era sobre a diferença de tratamento nas medidas cautelares. Wagner e Ciro Nogueira foram alvos de busca e apreensão, enquanto Flávio Bolsonaro, citado nas apurações sobre a negociação de recursos para Dark Horse, não foi atingido por medida semelhante. Aliados de Flávio Bolsonaro ampliam ataque contra Cantanhêde Após a publicação de Flávio, a ofensiva passou a envolver parlamentares, influenciadores e perfis bolsonaristas. O deputado federal Mário Frias (PL-SP) afirmou que “a mesma máquina segue funcionando a todo vapor neste ano eleitoral” e disse que manchetes teriam “apenas um objetivo: destruir reputações e atacar aqueles que representam o bolsonarismo”. O influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo também entrou na onda contra a jornalista. Em publicação no X, chamou Cantanhêde de “militante” e usou a saída dela da GloboNews para atacá-la. O deputado federal José Medeiros (PL-MT) reforçou a reação bolsonarista ao falar em “militância de Lula” e “opiniões de aluguel”, em publicação associada ao mesmo debate. Horda bolsonarista usa ofensas e meme do “disjuntor” Além dos aliados com mandato e influência política, perfis bolsonaristas passaram a atacar Cantanhêde em sequência. Uma usuária acusou a jornalista de questionar o caso “como militante, não como jornalista”, disse que ela prejudicaria a credibilidade da imprensa e pediu que deixasse Bolsonaro de lado. Outro perfil publicou uma ofensa misógina contra Cantanhêde, chamando a jornalista de “vagabunda militante petista de merda”. Na mesma publicação, o usuário tentou diferenciar o caso de Flávio Bolsonaro, apresentado por ele como busca de recurso privado para um filme, das suspeitas envolvendo outros senadores. A onda também retomou ataques antigos contra a jornalista. Um usuário ironizou o questionamento sobre as buscas no Caso Master dizendo que “o problema estava no disjuntor da casa dela”, em referência a um meme usado há anos por grupos bolsonaristas para desqualificar Cantanhêde. Em uma resposta ao próprio post de Flávio, outro perfil chamou Cantanhêde de “véia do disjuntor” e fez ataques pessoais envolvendo o ex-marido da jornalista, José Dirceu. A publicação não respondeu ao ponto levantado pela colunista sobre os critérios usados pela PF no Caso Master. Outro usuário defendeu Flávio Bolsonaro e acusou Cantanhêde de parcialidade. Segundo ele, a jornalista “sabe de tudo isso”, mas teria “um lado” que “não é o da imparcialidade jornalística”. Em resposta a Cantanhêde, outro perfil afirmou que a jornalista saberia a diferença entre buscar financiamento para um filme e casos de propina, mas agiria como “linha auxiliar do PT”. A publicação seguiu a mesma lógica dos ataques anteriores: deslocar a discussão da pergunta feita pela jornalista para a tentativa de desqualificar sua atuação profissional. O padrão das postagens é semelhante. Em vez de responder por que Flávio Bolsonaro não foi alvo de busca e apreensão, os perfis bolsonaristas atacaram a credibilidade, a trajetória e a vida pessoal de Eliane Cantanhêde. Caso Master pressiona Flávio Bolsonaro e expõe Dark Horse
