Lula responde com ironia a ataques de Milei e reforça soberania do Brasil
Os ataques do presidente da Argentina, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, seguem repercutindo no Brasil e na Argentina.
Até esta segunda-feira (27), Lula não havia respondido diretamente às declarações de Milei, optando por deixar a manifestação oficial a cargo do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), responsável pela condução da política externa brasileira.
Ao chegar ao Palácio do Itamaraty, em Brasília, Lula foi questionado por jornalistas sobre as críticas feitas pelo presidente argentino. Em tom irônico, o petista minimizou os ataques e evitou ampliar a polêmica, mantendo a linha adotada pelo governo de tratar o episódio pela via diplomática.
Ataques de Milei
Durante a convenção nacional do PL, realizada no sábado (25), Javier Milei criticou duramente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, chamando-o de "lixo careca". O presidente argentino também voltou a defender Jair Bolsonaro e atacou Lula.
Ao comentar a decisão que impediu sua visita ao ex-presidente brasileiro, Milei afirmou:
"O lixo careca não me permitiu visitar o meu amigo, injustamente preso. Quando eu sei que Lula não se cansou de receber líderes do exterior quando estava preso. Entre eles, o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernández. Isso nada mais é do que uma clara evidência da injustiça de sua detenção e de seu claro caráter vingativo."
Em outro trecho do discurso, o presidente argentino acusou Lula de promover o socialismo na América Latina.
"O socialismo do século XXI criou raízes fortes neste país, sendo o infame Fórum de São Paulo, fundado por Lula da Silva e Fidel Castro, uma rede transnacional-chave para a disseminação do comunismo no continente."
Recado sobre interferência externa
Também no sábado (25), durante a convenção estadual do PT em Campinas (SP), que oficializou a candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo, Lula fez um discurso em defesa da soberania brasileira e criticou qualquer tentativa de interferência estrangeira no processo eleitoral.
Sem citar diretamente Javier Milei, mas em referência às manifestações recentes do presidente argentino e às declarações do governo dos Estados Unidos sobre acompanhar as eleições brasileiras, Lula afirmou:
"Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. Eu não sou de fazer bravata. Eu não gosto de dizer o que eu não posso fazer, mas quero dizer uma coisa que trago do berço: andar de cabeça erguida, ter vergonha e caráter é coisa que a gente não encontra no shopping."
O presidente prosseguiu:
"Quem quiser vir de fora se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino deste país são 157 milhões de eleitores. O Brasil é soberano. O Brasil quer manter relações com todos os países. O Brasil não quer guerra."
Encerrando o discurso, Lula reafirmou sua intenção de disputar a reeleição em 2026.
"Podem ter certeza: este jovem de 80 anos que está falando com vocês vai ganhar as eleições outra vez em 2026."
