A ex-detenta Suzane von Richthofen disputa a herança do tio, o médico aposentado Miguel Abdalla Netto, encontrado morto no início de janeiro na Zona Sul de São Paulo. Suzane deixou a prisão em liberdade condicional (regime aberto) no dia 11 de janeiro de 2023, após cumprir cerca de 20 dos 39 anos da pena imposta pela justiça pelo assassinato dos próprios pais, Manfred Albert von Richthofen e Marísia von Richthofen, ocorrido em outubro de 2002. Nesta senama, Suzane informou à Justiça que tomou medidas consideradas urgentes para preservar o patrimônio deixado pelo tio, estimado em cerca de R$ 5 milhões. Até o momento, nenhuma pessoa foi oficialmente nomeada como administradora do espólio, o que teria motivado a adoção de providências por iniciativa própria. A informação é da coluna Fábia Oliveira, do Metrópoles. Segundo informado à Justiça por Suzane, as medidas ocorreram após a invasão da residência de Miguel Abdalla Netto, quando diversos itens teriam sido furtados. Diante do episódio, ela relatou que providenciou a soldagem do portão externo e da porta do imóvel, com o objetivo de impedir novas entradas forçadas e evitar mais prejuízos patrimoniais. Suzane teria sido acompanhada por Ricardo Abdalla, filho de uma prima do falecido, durante a execução das medidas de segurança. Imagens divulgadas anteriormente mostram que a casa chegou a ser pichada após a morte de Miguel, o que aumentou a preocupação com a integridade do imóvel. Além da soldagem do portão, Suzane informou à Justiça que um veículo pertencente ao tio, que estava na garagem da residência, foi retirado do local e levado para um endereço considerado mais seguro. O automóvel, segundo fontes, é avaliado em mais de R$ 120 mil, embora o novo local onde se encontra não tenha sido oficialmente identificado nos autos. Na manifestação apresentada ao juízo, Suzane também anexou documentos que comprovariam sua condição de herdeira de Miguel Abdalla Netto. A disputa pelo espólio, no entanto, ainda está em fase inicial e deve passar por novos desdobramentos à medida que a Justiça define a administração dos bens e analisa a legitimidade dos herdeiros. Relembre O tio materno de Suzane von Richthofen, Miguel Abdalla Neto, foi encontrado morto no dia 9 de janeiro em sua casa, na cidade de São Paulo. Ele morava sozinho. O corpo foi achado ao lado da cama em estado de rigidez cadavérica e sem sinais aparentes de violência, e a polícia registrou o caso como morte suspeita, aguardando laudos para esclarecer a causa — as primeiras análises indicaram possibilidade de mal súbito ou morte natural. Um vizinho acionou a polícia após os funcionários da vítima estranharem sua ausência por dois dias. Ele morava na Vila Congonhas, zona sul da capital paulista. O caso está sendo investigado pelo 27º Distrito Policial e registrado como morte suspeita. Miguel Abdalla Neto foi tutor e responsável pelos bens de Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, até ele completar 18 anos. O caso Suzane von Richthofen chocou o Brasil em 2002 e se tornou um dos crimes mais emblemáticos da história recente do país. Em 31 de outubro daquele ano, os pais de Suzane, Manfred e Marísia von Richthofen, foram assassinados enquanto dormiam em sua casa, no bairro do Brooklin, em São Paulo. As investigações apontaram que o crime foi planejado pela própria filha, então com 18 anos, em conjunto com o namorado Daniel Cravinhos e o cunhado dele, Cristian Cravinhos. Segundo a denúncia do Ministério Público, Suzane participou ativamente do planejamento do duplo homicídio, motivado principalmente por conflitos familiares e interesses financeiros ligados à herança dos pais. Daniel e Cristian executaram o crime com barras de ferro, enquanto Suzane teria facilitado a entrada dos autores na residência e ajudado a simular um assalto. O caso ganhou enorme repercussão pela frieza atribuída à acusada e pela quebra do estereótipo de violência associada a crimes familiares. Em 2006, Suzane von Richthofen foi condenada a 39 anos e seis meses de prisão por homicídio qualificado. Daniel Cravinhos recebeu pena semelhante, enquanto Cristian foi condenado a pouco mais de 38 anos. Ao longo dos anos, o caso voltou repetidamente ao noticiário por conta de recursos judiciais, progressões de regime e benefícios penais concedidos a Suzane, que passou do regime fechado ao semiaberto e, posteriormente, ao aberto, mantendo o crime como referência constante no debate público sobre sistema prisional, progressão de pena e crimes de grande repercussão social.
