O plano articulado entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Força Aérea Brasileira para transformar o Brasil em produtor de drones militares de alta tecnologia representa uma mudança estratégica importante na política de defesa nacional.
O que é o Projeto RQ-XBR
O chamado Projeto RQ-XBR foi criado pela FAB para identificar empresas brasileiras capazes de desenvolver e fabricar Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP), reduzindo a dependência externa em tecnologias militares críticas.
A iniciativa é conduzida pela Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate, órgão responsável por programas estratégicos da FAB. O processo prevê:
- seleção de empresas nacionais;
- desenvolvimento de tecnologias próprias;
- fortalecimento da Base Industrial de Defesa;
- proteção de informações estratégicas com processos confidenciais;
- financiamento público para acelerar inovação militar.
Empresas interessadas puderam apresentar manifestação até 3 de junho.
Por que o Brasil quer produzir drones militares
O conflito entre Rússia e Ucrânia mostrou que drones se tornaram centrais em guerras modernas. Eles são usados para:
- reconhecimento;
- vigilância;
- ataque de precisão;
- guerra eletrônica;
- logística;
- operações em enxame com inteligência artificial.
A FAB entende que depender de fornecedores estrangeiros cria vulnerabilidades estratégicas. Em cenários de crise internacional ou sanções, o Brasil poderia ficar sem acesso a peças, softwares ou munições inteligentes.
Produzir drones localmente também reduz custos operacionais e amplia a autonomia tecnológica.
O desafio tecnológico brasileiro
Embora o país já opere drones militares, muitos sistemas ainda dependem de componentes importados, como:
- turbinas;
- sensores;
- sistemas de navegação;
- comunicação criptografada;
- inteligência artificial embarcada.
O objetivo do plano é nacionalizar essas capacidades gradualmente.
Albatroz Vortex: marco da indústria nacional
Um dos principais símbolos desse avanço é o drone Albatroz Vortex, considerado o primeiro drone tático brasileiro com turbina a jato totalmente produzida no país.
O projeto envolve parceria entre:
- Stella Tecnologia
- AERO CONCEPTS
- Força Aérea Brasileira
O voo inaugural ocorreu em dezembro de 2025.
Empresas brasileiras em destaque
Além da Stella Tecnologia, outras companhias ampliam investimentos no setor:
- XMobots — conhecida por drones civis e aplicações de monitoramento;
- AERO CONCEPTS — atuação em sistemas aeronáuticos e defesa;
- Embraer — potencial integradora futura de sistemas avançados;
- startups focadas em IA, navegação autônoma e sensores militares.
O Exército Brasileiro também desenvolve pesquisas em “enxame de drones”, tecnologia que permite múltiplas aeronaves atuarem coordenadamente usando inteligência artificial.
Impacto econômico e estratégico
A Base Industrial de Defesa brasileira já possui relevância internacional:
- cerca de 80 empresas no setor;
- exportações para aproximadamente 140 países;
- participação estimada de 3,5% do PIB.
Os investimentos militares brasileiros cresceram fortemente em 2025, chegando a US$ 23,9 bilhões, enquanto as receitas do setor de defesa aumentaram 74% em comparação com 2024.
O que o governo busca no longo prazo
O plano da FAB e do governo Lula pretende transformar o Brasil em um dos polos tecnológicos de defesa do hemisfério sul, com foco em:
- autonomia militar;
- soberania tecnológica;
- exportação de sistemas de defesa;
- geração de empregos industriais qualificados;
- desenvolvimento dual (uso militar e civil das tecnologias).
Muitas das tecnologias desenvolvidas para drones militares também podem ser aplicadas em agricultura, monitoramento ambiental, segurança pública, logística e proteção de fronteiras.
Conheça o plano da Força Aérea Brasileira (FAB) com Lula para transformar o Brasil em produtor de drones militares de alta tecnologia. A FAB lançou o Projeto RQ-XBR para identificar empresas nacionais capazes de desenvolver e fabricar Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP), fortalecendo a Base Industrial de Defesa (BID) do país. Os drones militares são vistos como essenciais para reduzir custos logísticos e garantir autonomia produtiva em defesa, especialmente em cenários de guerra híbrida como o conflito Rússia-Ucrânia. O governo pretende investir em tecnologias estratégicas ainda inexistentes ou pouco maduras, com financiamento público para acelerar o desenvolvimento. Empresas interessadas podem manifestar interesse até 3 de junho, em processo conduzido pela COPAC, de forma confidencial. Lula e FAB fecham plano Atualmente, o Brasil já opera drones importados ou parcialmente nacionalizados, mas ainda depende de fornecedores estrangeiros para componentes críticos como turbinas e sistemas de navegação. O Albatroz Vortex, primeiro drone tático brasileiro com turbina a jato produzida integralmente no país, foi desenvolvido em parceria entre FAB, Stella Tecnologia e AERO CONCEPTS, com voo inaugural em dezembro de 2025. Empresas como Stella Tecnologia, XMobots e AERO CONCEPTS ampliam iniciativas em drones militares e civis, enquanto o Exército desenvolve projetos experimentais como “enxame de drones” com inteligência artificial. A BID brasileira já exporta para cerca de 140 países, com 80 empresas envolvidas, representando 3,5% do PIB nacional. Em 2025, os gastos militares cresceram 13%, alcançando US$ 23,9 bilhões, e as receitas do setor de defesa aumentaram 74% em relação a 2024.

Lula em avião Foto: Ricardo Stuckert/PR
