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Ex-diretor do BRB afastado por caso Master volta para agência bancária e busca discrição

Publicada em: 09/02/2026 06:12 -

🧾 Resumo da reportagem

Dario Oswaldo Garcia Júnior, ex-diretor de finanças e controladoria do BRB, retornou ao cargo inicial de escriturário após ser afastado da diretoria por decisão judicial no contexto da investigação que levou à liquidação do Banco Master. Alvo de busca e apreensão em novembro, ele teve bens bloqueados, passaporte recolhido e ficou afastado do banco por 60 dias. Desde 19 de janeiro, voltou a trabalhar em uma agência do BRB em Brasília, em função administrativa e sem contato com o público.

🔍 O que motivou o afastamento

  • A Polícia Federal investiga uma tentativa de compra de 58% do Banco Master pelo BRB, barrada pelo Banco Central.

  • Segundo a PF, o Master teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado ao BRB.

  • A compra do banco teria sido usada para mascarar a operação e evitar a quebra do Master, de Daniel Vorcaro.

👥 Papel de Dario na investigação

  • A PF aponta indícios de gestão fraudulenta e organização criminosa.

  • Dario era responsável por garantir que informações enviadas ao Banco Central estivessem em conformidade com as normas.

  • Ele participou de reunião em julho de 2025 em que, segundo anotação interna, o então presidente do BRB teria defendido a compra de carteiras para “salvar” o Master.

⚖️ Defesa

  • O advogado afirma que Dario colaborou com as investigações, agiu dentro da legalidade e que as decisões foram colegiadas, não individuais.

  • A investigação segue sob sigilo.

🏦 Situação no BRB

 

  • O ex-presidente Paulo Henrique Costa foi demitido pelo governador Ibaneis Rocha.

  • Dario foi destituído da diretoria pelo conselho do banco e retornou automaticamente ao cargo de origem, conforme normas internas.

  • Atualmente, trabalha de forma discreta e evita comentar o caso.

    A Folha encontrou Dario em 28 de janeiro na agência do BRB da quadra 502 Sul —uma unidade recém-reformada, com atendimento por hora marcada, para clientes de alta renda, em uma das principais avenidas da capital federal, a W3 Sul. O advogado dele, Ricardo Borges, diz que ele "adotou a conduta colaborativa e não se eximiu de responder aos questionamentos da investigação", que está sob sigilo. "A gente confia na investigação e confia que as coisas serão resolvidas. Ele é vítima disso tudo. Dario cumpriu as funções dele de forma legal. E a conduta dele na direção do banco provém de decisões colegiadas anteriores", disse o advogado, em nota. Desde que deixou a diretoria do BRB, Dario voltou a trabalhar como escriturário, cargo inicial da carreira bancária —o mesmo para o qual prestou concurso e ingressou no banco em julho de 1993. O ex-diretor está alocado em um serviço administrativo, longe do atendimento ao público e sem função definida. Abordado pela reportagem da Folha, ele se apresentou de forma tímida, com o crachá do BRB no pescoço e camisa social branca. Disse que estava emocionalmente abalado, que não tinha condições de conversar e pediu desculpas. "Não consigo nem opinar. Como vou discutir?", respondeu ao ser questionado sobre como se sentia ao voltar a trabalhar como escriturário. Um funcionário da agência que preferiu não se identificar relata que Dario tem sido tratado de forma cordial pelos colegas. No dia a dia, aparenta não querer falar do caso. Em um dos poucos comentários sobre o assunto, disse que gostaria de ficar mais reservado e se manter distante de tudo o que aconteceu. Durante o depoimento de Paulo Henrique Costa, em 30 de dezembro, a delegada da PF Janaína Palazzo afirmou que a investigação encontrou uma anotação do dia 11 de julho de 2025 da ex-diretora de controle e riscos do BRB Luana de Andrade Ribeiro em que ela sugeria que o ex-presidente queria salvar o Banco Master. Segundo Palazzo, a anotação dizia: "Presidente afirmou novamente que faz-se necessário efetuar as compras de carteiras, afirmando que esses créditos foram verificados e que, se não houver, o Master vai quebrar". Dario era um dos oito presentes na reunião, de acordo com o que foi registrado por Luana. A reportagem questionou a defesa dele sobre a anotação, mas não obteve resposta. Paulo Henrique foi demitido pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Dario, por sua vez, foi destituído da diretoria um dia após a operação policial por decisão do conselho de administração do BRB. Procurado, o BRB afirmou que a destituição de Dario do posto teve efeito imediato e implicou no retorno dele ao cargo de origem. "A destituição implicou em retorno do empregado ao quadro efetivo do banco, conforme normativo interno, no exercício de seu cargo de origem, após o cumprimento do afastamento do BRB, por 60 dias, determinado pela Justiça", disse o banco, em nota. Após a operação de novembro, que escancarou o que autoridades consideram ser uma das maiores fraudes bancárias da história, Dario ficou dois meses longe do banco. Na manhã de 26 de janeiro, ele foi depor à Polícia Federal sobre a sua participação no caso. Em seguida, diz que voltou à agência onde está trabalhando. Ao pedir o afastamento de Dario, a Polícia Federal apontou a prática de supostos crimes de gestão fraudulenta e organização criminosa. Segundo a PF, Dario era um dos responsáveis por garantir que as informações enviadas ao BC (Banco Central) estivessem em conformidade com as normas. O BRB está na mira da PF e do Ministério Público Federal pela tentativa de compra de 58% do Master —operação que acabou barrada pelo Banco Central em setembro. A investigação aponta que o Master teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado para o BRB. A compra da instituição, segundo os investigadores, foi aprovada para mascarar a operação e salvar o banco de Daniel Vorcaro.
     
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