O trecho relata um desdobramento sensível envolvendo o ministro do STF Dias Toffoli e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a partir de provas extraídas do celular do empresário pela Polícia Federal.
Principais pontos do caso
-
Quebra de sigilo do celular: Vorcaro se recusou a fornecer a senha do aparelho, e a PF utilizou tecnologia forense para acessar os dados.
-
Valores envolvidos: Há registros de repasses que somariam R$ 35 milhões ao resort Tayayá.
-
Ligação societária: Toffoli era sócio da empresa Mardit, que possuía participação em resorts da rede Tayayá.
-
Intermediação financeira: Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, teria atuado como operador financeiro nas transações.
-
Destino final dos recursos: A suspeita da PF é que Toffoli fosse o beneficiário final dos repasses.
-
Situação processual: O relatório foi encaminhado ao STF e à PGR, e está sob análise do procurador-geral Paulo Gonet.
-
Defesa: Toffoli nega ter recebido valores ou manter relação de amizade com Vorcaro.
Análise política e jurídica
1️⃣ Dimensão jurídica
Até o momento, o que existe é:
-
Relatório investigativo da PF, não denúncia formal.
-
Análise pendente da PGR, que pode:
-
arquivar,
-
pedir diligências complementares,
-
ou oferecer denúncia ao STF.
-
Se houver indícios concretos de vantagem indevida, o caso poderia envolver hipóteses como corrupção passiva ou lavagem de dinheiro. Porém, ainda não há acusação formalizada.
2️⃣ Impacto institucional
O caso é sensível porque envolve:
-
Um ministro do STF
-
Supostos repasses milionários
-
Relações empresariais cruzadas com pessoas ligadas ao pagador
Isso tende a gerar:
-
Pressão pública por esclarecimentos
-
Tensão interna no Supremo
-
Debate sobre transparência e conflitos de interesse
3️⃣ Elemento central da investigação
O ponto-chave será comprovar:
-
Se os valores chegaram direta ou indiretamente a Toffoli
-
Se houve contrapartida ou benefício institucional
-
Se as transações tinham natureza empresarial legítima ou eram simuladas
Sem essa comprovação, o caso permanece no campo das suspeitas.
Cenários possíveis
-
Arquivamento – se não houver prova de vantagem indevida.
-
Pedido de novas diligências – aprofundamento da investigação.
-
Denúncia formal – caso a PGR entenda haver elementos suficientes.
Vorcaro negou-se a fornecer a senha do aparelho, o que obrigou a PF a usar mecanismos tecnológicos de última geração para chegar aos detalhes da operação financeira em que Vorcaro teria determinado repasses que totalizaram R$ 35 milhões ao resort Tayayá. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, chegou a reclamar com um interlocutor das cobranças para efetuar pagamentos em um resort do qual o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli era um dos principais sócios. O diálogo consta das provas extraídas pela Polícia Federal (PF) de seu celular. Vorcaro negou-se a fornecer a senha do aparelho, o que obrigou a PF a usar mecanismos tecnológicos de última geração para chegar aos detalhes da operação financeira em que Vorcaro teria determinado repasses que totalizaram R$ 35 milhões ao resort Tayayá, empresa da qual Toffoli era um dos maiores acionistas. O diálogos foram obtidos com exclusividade pelo diário conservador paulistano ‘O Estado de S. Paulo’. As evidências obtidas mostram que o cunhado do ex-empresário, Fabiano Zettel, atuava como seu operador financeiro e organizava os pagamentos suspeitos. Nas conversas, Vorcaro não explica quem era o responsável pelas cobranças. Análise As mensagens integram o relatório apresentado pela PF ao STF sobre a relação entre Vorcaro e Toffoli, que foi compartilhado com os dez ministros do Supremo e com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O material ainda está sob análise do PGR, Paulo Gonet, que ainda não tomou nenhuma providência sobre o seu conteúdo. A suspeita dos investigadores é que os repasses ordenados por Vorcaro tinham Toffoli como destinatário final. O ministro do STF é sócio da empresa Mardit, que tinha participação societária em dois resorts da rede Tayayá. Como revelou o Estadão, a empresa vendeu sua fatia de participação a fundos de investimento que tinham Fabiano Zettel, o cunhado de Vorcaro, como acionista. Em nota divulgada, na véspera, Toffoli negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou manter relação de amizade com o banqueiro. Procurado pela reportagem, neste sábado, para explicar as provas obtidas pela PF, o magistrado ainda não havia se manifestado. As defesas de Vorcaro e Fabiano Zettel também foram procuradas e não responderam.
