A homenagem da escola de samba Acadêmicos de Niterói ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o Carnaval do Rio gerou repercussões políticas que extrapolaram o desfile na avenida.
Segundo relato da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Lula demonstrou irritação com a narrativa de que a homenagem teria provocado uma crise no governo. O presidente rejeita a interpretação de que o episódio tenha causado desgaste político relevante e considera injusta a tentativa de responsabilizar a escola ou o Planalto por eventuais oscilações na avaliação popular.
Repercussão e preocupação interna
Antes mesmo do desfile, circularam informações de que ministros e lideranças do Partido dos Trabalhadores estariam apreensivos com possíveis efeitos políticos e jurídicos da homenagem — especialmente em ano eleitoral. Após o Carnaval, pesquisas internas teriam indicado repercussão negativa nas redes sociais, com impacto mais sensível junto ao público evangélico.
Apesar disso, Lula avalia que houve exagero na leitura de crise. Ele afirmou a interlocutores que se sentiu emocionado e grato pela homenagem e defendeu a coragem da agremiação em meio à polarização política.
Medidas para evitar questionamentos
Para prevenir eventuais questionamentos na Justiça Eleitoral, o governo adotou cautela:
-
Nenhum ministro participou do desfile.
-
A primeira-dama, Janja da Silva, optou por não desfilar.
A preocupação era evitar interpretações de propaganda eleitoral antecipada.
O ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, declarou que o Palácio do Planalto está focado nas questões administrativas e negou que haja críticas internas à escola. Já o advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, classificou como “leviana” a tentativa de associar a homenagem a eventual desgaste político ou mesmo ao desempenho da escola no julgamento do desfile.
Contexto eleitoral e relação com evangélicos
Nos bastidores, parte dos auxiliares reconhece que um dos trechos do desfile — que retratava grupos conservadores e evangélicos de forma crítica — gerou desconforto. Em ano eleitoral, o tema é sensível.
Aliados lembram, contudo, que Lula sancionou iniciativas voltadas à liberdade religiosa e criou o Dia do Pastor Evangélico, defendendo que o governo mantém diálogo com esse segmento. Ainda assim, há avaliação interna de que será necessário reforçar a aproximação com o eleitorado evangélico visando as eleições de outubro.
Avaliação política
Para interlocutores próximos, o presidente teve desempenho positivo durante o Carnaval, passando por estados como Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro sem registros de vaias relevantes, e sendo inclusive aplaudido em eventos públicos.
No entendimento de Lula, transformar a homenagem em crise política seria um erro estratégico e uma leitura desproporcional de um episódio que ele considera histórico e positivo.
Se quiser, posso transformar o texto em matéria jornalística com título e subtítulo, ou em versão mais analítica para rádio.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstra irritação e desconforto com a repercussão envolvendo a homenagem recebida da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Carnaval do Rio de Janeiro, e rejeita a narrativa de que o episódio teria provocado uma crise para o governo, relata Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo. Ainda antes do desfile, começaram a circular reportagens indicando que ministros do Palácio do Planalto e lideranças do PT estariam preocupados com possíveis efeitos políticos e até jurídicos da homenagem. Após o Carnaval, informações passaram a apontar que integrantes do governo estariam alarmados com o impacto do desfile. Aliados do presidente teriam recebido pesquisas mostrando que a repercussão imediata na internet teria sido negativa para Lula, e que levantamentos aos quais o Planalto teria tido acesso indicariam que o episódio foi especialmente prejudicial à imagem do governo junto ao público evangélico. Diante disso, o Palácio teria atuado para conter a suposta crise. Lula passou a se incomodar com o que interpreta como uma tentativa de setores da própria administração e do PT de atribuir à escola de samba uma responsabilidade que ela não teria: eventuais oscilações negativas na avaliação do governo. Ainda segundo os relatos, o presidente afirmou a interlocutores que se sentiu emocionado e extremamente grato à agremiação pela homenagem recebida. Na avaliação do presidente, os sambistas devem ser reconhecidos e admirados pela coragem de prestar homenagem em um momento de polarização política, mesmo diante do risco de reações adversas. Lula ainda critica o fato de integrantes do próprio governo alimentarem uma crise que, em sua visão, não existe, transformando um episódio positivo — que ele considera histórico — em um peso político para o Planalto. Auxiliares próximos também sustentam que o presidente teve um desempenho positivo durante o período carnavalesco. Um interlocutor afirmou: “Ele passou por Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro sem ouvir vaias. Ao contrário, em muitos momentos foi aplaudido e ovacionado". O mesmo interlocutor ressaltou ainda que, em Pernambuco, Lula foi “disputado” por dois nomes apontados como candidatos ao governo estadual: João Campos (PSB-PE) e Raquel Lyra (PSD-PE). Já no Rio de Janeiro, o presidente teria sido reverenciado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ), que vinha ensaiando aproximação com bolsonaristas do estado nos últimos meses mirando a disputa pelo governo estadual em outubro. O governo também adotou medidas para evitar qualquer questionamento jurídico relacionado ao desfile. Nenhum ministro participou da apresentação na avenida, e a primeira-dama, Janja da Silva, optou por não desfilar para evitar eventuais contestações na Justiça Eleitoral por eventual propaganda eleitoral antecipada. Em resposta, o ministro da Secretaria de Comunicação do Governo, Sidônio Palmeira, declarou que “o Palácio se preocupa com questões do governo” e que “não há ninguém criticando a escola nem a homenagem” entre os ministros palacianos. Ele acrescentou ainda “estranhar que pessoas que não são do Palácio falem em nome do Palácio”. Aliado de Lula, Carvalho argumentou que o próprio desempenho no quesito samba-enredo demonstra que a homenagem não foi determinante para o rebaixamento. “A estrutura é muito poderosa, disputa com escolas muito tradicionais. É leviano atribuir ao presidente”, afirmou. O advogado classificou a apresentação como “ousado e corajoso” e criticou as interpretações que tentam transformar o episódio em desgaste político. Segundo ele, a tentativa de responsabilizar o presidente é injustificada. “A tentativa de desgaste é leviana, inoportuna e equivocada”, declarou. Críticas internas e debate eleitoral Nos bastidores, ministros e auxiliares de Lula admitiram preocupação com o impacto de uma ala do desfile que apresentou grupos conservadores e evangélicos dentro de latas de conserva, sobretudo em ano eleitoral. Para Carvalho, porém, as críticas dentro do governo partem de setores minoritários. Ele defendeu o resultado artístico da festa e reagiu às manifestações da oposição. “O carnaval foi indiscutivelmente um sucesso. Um sucesso estrondoso. O que a oposição tenta fazer é asqueroso”, disse. Na avaliação do coordenador do Prerrogativas, o governo deveria aproveitar o momento político. Ele afirmou que deixar de fazê-lo seria uma “burrice sem precedentes”. Relação com o público evangélico Um auxiliar do presidente lembrou que Lula criou o “Dia do Pastor Evangélico” e sancionou a lei da liberdade religiosa, destacando iniciativas voltadas a esse segmento. Ainda assim, parte dos aliados avalia que o presidente precisará reforçar a aproximação com o público evangélico para assegurar ao menos uma fatia desse eleitorado nas eleições de outubro.
