A deputada estadual Renata Souza (PSOL-RJ) reuniu-se em Brasília com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que assumiu o compromisso de formalizar a apuração das ameaças de morte com conteúdo racista e misógino enviadas à parlamentar por e-mail. O encontro ocorreu na quarta-feira (11), segundo informações do jornal O Globo.
Desde 2020, cinco episódios de ameaça foram registrados contra a deputada, sendo dois apenas neste ano. Uma das mensagens, enviada em 11 de janeiro ao endereço institucional na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, continha ofensas racistas, ameaça direta de assassinato e menção a possível ataque a escolas. O caso foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).
Novas ameaças e medidas de proteção
Dias depois, uma nova mensagem, considerada ainda mais violenta, foi enviada a e-mails pessoais da deputada e de integrantes de sua equipe. Durante agenda em Brasília, Renata também tratou do caso com a ministra Macaé Evaristo, que informou ter encaminhado ofício ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, solicitando reforço nas medidas de proteção.
Renata Souza já integra o Programa Federal de Proteção a Defensores de Direitos Humanos. As ameaças também foram comunicadas à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A defesa sustenta que os episódios se inserem em um contexto de violência política de gênero e raça e cobra investigação célere e responsabilização dos autores.
Na entrevista, a deputada afirmou que acionou órgãos federais para apurar possíveis conexões com grupos extremistas e ressaltou que o ataque atinge não apenas sua pessoa, mas a democracia e o Estado de Direito.
Histórico e impacto na rotina
Ao relacionar as ameaças à sua trajetória política, Renata relembrou sua atuação ao lado da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. Segundo ela, as mensagens atacam diretamente as pautas que marcaram sua atuação política.
Desde o início do mandato, a deputada passou a contar com escolta e carro blindado. Ela relatou ter se mudado duas vezes após ter seu endereço divulgado em redes sociais e afirmou que sua rotina foi profundamente alterada por questões de segurança.
Cobrança por respostas institucionais
Renata criticou a ausência de protocolos padronizados para lidar com ameaças contra mulheres negras na política e disse aguardar retorno sobre investigações anteriores. Também informou ter levado o caso a organismos internacionais como a ONU e a OEA, buscando pressionar o Estado brasileiro por providências.
A deputada declarou que evita especular sobre a autoria das ameaças e defendeu que cabe às autoridades identificar os responsáveis. “Eu espero que as autoridades me digam quem foi de fato”, afirmou, ao reforçar a necessidade de investigação firme por parte dos órgãos competentes.
A deputada estadual do Rio de Janeiro, Renata Souza (PSOL), reuniu-se na quarta-feira (11), em Brasília, com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. No encontro, Rodrigues assumiu o compromisso de formalizar a apuração das ameaças de morte de caráter racista e misógino enviadas à parlamentar por e-mail. As informações são do jornal O Globo. Desde 2020, cinco episódios de ameaça foram registrados contra a deputada, sendo dois apenas neste ano. Uma das mensagens foi encaminhada em 11 de janeiro ao endereço institucional de Renata na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O conteúdo incluía ofensas racistas, ameaça direta de assassinato e menção a um possível ataque a escolas. O caso foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Novas ameaças atingem equipe da deputada Dias depois, uma nova mensagem com ameaças de estupro e morte, descrita como ainda mais violenta, foi enviada a endereços pessoais da parlamentar e de integrantes de sua equipe. Durante a agenda em Brasília, Renata também tratou do caso com a ministra Macaé Evaristo (PT). Segundo informado, a ministra comunicou que encaminhou ofício ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), solicitando reforço nas medidas de proteção à deputada.
Caso chega à Comissão Interamericana de Direitos Humanos Renata Souza já integra o Programa Federal de Proteção a Defensores de Direitos Humanos. As ameaças foram igualmente comunicadas à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). A defesa da parlamentar sustenta que os episódios se inserem em um contexto de violência política de gênero e raça e cobra investigação célere e responsabilização dos autores. Na entrevista, Renata Souza disse que acionou autoridades e órgãos federais diante do conteúdo e da assinatura usada nas mensagens. “Acho que os órgãos públicos precisam responder, a contento, em especial os órgãos de investigação, as polícias”, afirmou. Ela relatou que busca envolver instâncias nacionais para apurar possíveis conexões com grupos extremistas: “A gente está acionando o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, justamente para entender que esses grupos fascistas, neonazistas podem estar por trás disso”. A deputada também conectou as ameaças ao histórico de sua atuação política e às pautas que defende. Ao lembrar sua trajetória ao lado de Marielle Franco, disse: “Eu venho para a política junto com Marielle, a gente trabalhou 20 anos juntas” e relatou que, após a eleição de Marielle, foi convidada para chefiar o gabinete. “Com ela trabalhei até o seu feminicídio político”, afirmou. Na avaliação de Renata, as mensagens miram diretamente a agenda que a levou à votação expressiva. “Esse e-mail ataca exatamente todas as perspectivas que nos levaram a ser a mulher mais votada da história do Rio de Janeiro”, disse, ao tratar do teor discriminatório presente nas ameaças.
Renata Souza afirmou que o caso não se limita à sua segurança individual e que o conteúdo das mensagens tem impacto institucional. “Não estão atacando a mim somente, estão atacando a democracia brasileira, estão atacando todos aqueles e aquelas que defendem pautas de garantia de dignidade e direito à vida”, declarou. Para ela, a dimensão do problema exige reação pública com responsabilização: “É sem dúvida nenhuma, um ataque ao Estado democrático de direito. E é por isso que o Estado democrático de direito precisa demonstrar firmeza nas investigações”. Questionada sobre providências adotadas para protegê-la, a deputada disse que passou a ter escolta e carro blindado desde o início do mandato, citando o contexto de ameaças já em 2018. “Eu rapidamente acionei todos os órgãos, o partido e a própria Assembleia Legislativa de que eu não tomaria posse se eu não tivesse à minha disposição carro blindado e segurança”, afirmou. Depois, detalhou como a proteção foi estruturada: “Primeiro chegou o carro blindado, depois uma equipe de policiais”, acrescentando que houve um cuidado adicional na escolha da equipe. “Foram escolhidos a partir de policiais que são policiais antifascistas, que a gente tem confiança também no trabalho”, disse. Mesmo com medidas de proteção, Renata Souza relatou mudanças sucessivas e perda de autonomia cotidiana. “Eu já tive que me mudar duas vezes, porque o meu endereço também foi parar numa rede bolsonarista”, afirmou. Em seguida, descreveu o impacto na rotina: “Eu mudei completamente a minha rotina. Eu não vou à padaria sozinha”. E concluiu: “Eu perdi a minha liberdade ao entrar na política diante de uma situação extremamente grave”.
Ao explicar por que considera insuficiente a resposta institucional até aqui, a deputada apontou a ausência de um procedimento padrão nas investigações. “A gente não tem nos órgãos de investigação nenhum tipo de protocolo que garanta uma ação imediata diante das ameaças e violências sofridas, em especial pelas mulheres negras”, afirmou. Ela disse que registrou ocorrências e aguarda retorno: “A própria delegada falou que já fez os procedimentos iniciais para a abertura da investigação. Então eu tô aguardando”, mas ressaltou que ainda não teve respostas de casos anteriores. “Eu sequer tenho resposta das investigações anteriores”, declarou. A parlamentar também mencionou que levou o caso a organismos internacionais como forma de pressionar o Estado brasileiro a se comprometer com providências. “Provocando a ONU e a OEA, a gente tem o Estado brasileiro comprometido no processo”, afirmou. Para ela, trata-se de ativar mecanismos internacionais de direitos humanos para obter resposta concreta: “São organizações de direitos humanos internacionais que podem exercer (...) a provocação do Estado brasileiro. E é isso que a gente quer”. Renata Souza disse que busca diálogo com autoridades estaduais e que estava com reunião marcada com o secretário de Segurança do Rio de Janeiro. “Hoje eu tenho uma reunião com o secretário de polícia do estado do Rio de Janeiro”, afirmou, e corrigiu em seguida: “De segurança”. Segundo ela, o objetivo é apresentar as informações e cobrar andamento: “Solicitar o que foi feito nas investigações anteriores”. Na entrevista, a deputada evitou especular sobre quem está por trás das ameaças e afirmou que cabe ao poder público esclarecer a autoria. “Eu acho que as autoridades públicas precisam dar essa resposta”, disse. “Eu espero que as autoridades me digam quem foi de fato”, completou, ao defender que o caminho de rastreamento das mensagens seja seguido pelas instituições responsáveis.
