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Escândalo do Master envolveu 'alinhamento perverso', diz presidente interino da CVM

Publicada em: 26/02/2026 05:53 -

Presidente interino da CVM fala em “alinhamento perverso” no caso Banco Master e nega omissão do órgão

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly, afirmou nesta terça-feira (24) que o escândalo envolvendo o Banco Master revelou um “alinhamento perverso de incentivos entre gestores e investidores” para sustentar o que classificou como uma “ficção contábil”.

“Foi um ‘me engana que eu gosto’”, declarou Accioly durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). Segundo ele, investidores teriam aceitado balanços superdimensionados porque isso permitia manter uma aparência de robustez financeira e continuar emitindo CDBs (Certificados de Depósito Bancário). “Para o Banco Central parecia que ele tinha uma solidez que ele não tinha”, afirmou.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro disse que não há decisão definitiva que comprove irregularidades e que o ex-banqueiro seguirá exercendo o direito ao contraditório e à ampla defesa. A defesa também criticou as declarações de Accioly, afirmando que autoridades públicas devem agir com isenção e respeito às garantias fundamentais.

A audiência ocorreu no âmbito de um grupo de trabalho criado pela CAE para acompanhar as investigações sobre o caso. Vorcaro era esperado na comissão, mas cancelou a ida após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negar pedido para uso de jato privado no deslocamento a Brasília.

Supervisão baseada em risco

Accioly, diretor da CVM desde 2022, defendeu a atuação da autarquia, afirmando que a supervisão é estruturada com base em análise de risco. Segundo ele, fundos exclusivos — que reúnem grandes investidores — recebem menos atenção direta porque se presume que esses cotistas têm condições de monitorar seus investimentos.

De acordo com o presidente interino, não houve omissão da CVM no caso Master, pois as irregularidades envolviam fundos exclusivos. Nesses casos, a autarquia atua principalmente a partir de denúncias. Ele reconheceu, contudo, que as regras podem ser aprimoradas, inclusive com uso de tecnologia e algoritmos para identificar padrões suspeitos.

“A cada nova fraude, é necessário melhorar os métodos. Não podemos confundir o crime com o combate”, afirmou. Segundo Accioly, a única falha da CVM foi na comunicação pública das medidas adotadas.

Investigações e operação

Accioly citou a Operação Compliance Zero, que levou à prisão de Vorcaro, como exemplo de atuação da CVM após comunicação de indícios ao Ministério Público Federal (MPF), em junho de 2025. As suspeitas envolvem aportes de quase R$ 500 milhões em clínicas ligadas a familiares do ex-banqueiro.

Segundo ele, as primeiras suspeitas relacionadas ao banco — que anteriormente se chamava Máxima — surgiram em 2017. Atualmente, há cerca de 200 processos em andamento na CVM para apurar possíveis irregularidades envolvendo o Master.

No caso do Banco de Brasília (BRB), existem 24 processos abertos para investigar operações relacionadas ao Master e à Reag, ambos liquidados pelo Banco Central.

O presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), solicitou que Accioly avaliasse a atuação de Otto Lobo, diretor da CVM indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar o órgão. A indicação ainda depende de aprovação do Senado.

Caso Ambipar

Accioly também comentou decisão da CVM envolvendo a Ambipar e o Banco Master, em processo considerado suspeito pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A discussão envolvia a obrigatoriedade de realização de oferta pública de aquisição (OPA).

Segundo ele, apesar de inicialmente haver votos favoráveis à exigência da OPA, prevaleceu o entendimento de que não seria necessária a oferta. A obrigação poderia recair sobre o Master e o empresário Nelson Tanure.

 

A CVM também voltou a investigar eventual manipulação das ações da Ambipar, que registraram valorização de cerca de 800% entre maio e agosto de 2024. A apuração busca identificar se fundos e operações ligados ao Master, a Tanure e ao controlador da companhia contribuíram para a alta de forma irregular.

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