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Banco Master chegou a atuar no Congresso, diz Haddad

Publicada em: 01/03/2026 07:38 -

O que o ministro Fernando Haddad descreveu na entrevista é, basicamente, um modelo de negócio altamente dependente da garantia do FGC, que teria explorado um limite regulatório existente.

Vou organizar os pontos principais para ficar claro:


🔎 1. O que é o FGC?

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) garante até R$ 250 mil por CPF/CNPJ por instituição financeira em caso de quebra ou liquidação do banco.

Isso cobre:

  • CDB

  • Conta corrente

  • Poupança

  • LCI/LCA

  • Entre outros produtos bancários


💰 2. Qual era a estratégia atribuída ao Banco Master?

Segundo Haddad:

  • O Banco Master oferecia CDBs com rendimentos acima da média do mercado.

  • O diferencial para atrair investidores era a garantia do FGC até R$ 250 mil.

  • O próprio dono, Daniel Vorcaro, teria afirmado à PF que o plano era “100% baseado no FGC”.

A lógica seria:

  1. Captar dinheiro via CDB com juros altos.

  2. Usar a garantia do FGC como “segurança” para o investidor.

  3. Direcionar os recursos para outras operações com menor liquidez.

  4. Caso houvesse problema, o FGC cobriria os credores até o limite legal.


📜 3. Por que o aumento para R$ 1 milhão seria relevante?

De acordo com Haddad, o banco teria atuado no Congresso para:

  • Elevar o teto da garantia de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por cliente.

Se isso acontecesse:

  • Investidores poderiam aplicar valores muito maiores com "proteção".

  • O banco teria ainda mais capacidade de captar recursos.

  • O risco ao FGC aumentaria significativamente.

Segundo o ministro, o fundo poderia não suportar o impacto.


⚠️ 4. Há risco sistêmico?

Haddad afirmou que não há risco sistêmico, ou seja:

  • Não haveria efeito dominó no sistema bancário.

  • O impacto estaria concentrado no FGC.

Mas ele estimou que o rombo pode consumir entre 30% e 50% dos recursos do fundo, o que representa uma perda relevante para o sistema financeiro.


🏦 5. O que isso significa na prática?

Se confirmado o cenário descrito:

 

  • O modelo dependeria fortemente de uma proteção pública (FGC).

  • Seria um caso clássico de risco moral (quando alguém assume riscos elevados porque sabe que existe uma garantia externa).

  • O prejuízo ficaria concentrado no fundo mantido pelos próprios bancos.

  • O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), disse nesta sexta-feira (27), em entrevista ao Podcast Flow, que o Banco Master atuou junto ao Congresso Nacional para alterar a regra do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), com intuito de aumentar o limite previsto para garantia de valores aos clientes. O objetivo do Master, segundo Haddad, era aumentar o valor máximo coberto pelo FGC – em casos de liquidação de instituições, por exemplo – dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão, que seriam garantidos a cada credor do banco. De acordo com Haddad, o dono do Master, Daniel Vorcaro, tinha o FGC como base de seu negócio, usando a garantia do Fundo para conseguir atrair investimentos de clientes. "O alvo dele era o FGC, tirar dinheiro do FGC para cobrir o CDB, e aí ele mandava o dinheiro [dos CDBS] para outro canto. Ele queria avançar para além dos R$ 250 mil. Nem o fundo ia suportar o rombo que ele ia dar", disse o ministro da Fazenda. O próprio Vorcaro já admitiu, em depoimento à Polícia Federal, que o plano de negócio do Master era "100% baseado no FGC". O fundo cobre quantias que estavam investidas ou depositadas em contas correntes à época da liquidação. O Banco Master oferecia rendimentos em aplicações bem mais altos que os da média do mercado. O dinheiro do FGC era usado, como declarou Vorcaro, como uma espécie de "lastro" para que o Master negociasse aplicações, como os CDBs (Certificados de Depósito Bancário), sem que o banco tivesse liquidez suficiente para honrar os credores. Caso o Congresso aprovasse uma lei para aumentar a cobertura máxima por cliente para R$ 1 milhão (valor quatro vezes maior que o atual), o Master teria ainda mais margem de negociação, para oferecer os chamados títulos podres, sem garantia real pelo banco, com rendimentos ainda mais altos, atraindo mais investimentos para a instituição. Risco ao sistema econômico Fernando Haddad também disse não ver possibilidades da economia brasileira ser afetada de maneira mais ampla com o caso do Banco Master, porque, segundo ele, os prejuízos vão se concentrar no FGC. "Não tem risco sistêmico pois está concentrado no FGC, o Vorcaro percebeu uma brecha na legislação e operou em cima dessa brecha", disse o ministro. Sobre o montante que será desembolsado pelo Fundo, Haddad estimou um rombo de quase metade dos valores atuais administrados pelo FGC. "Machuca o FGC para valer, pegando de 30% a 50% do volume do fundo, mas está restrito a isso. Uma pancada no sistema financeiro brasileiro", completou o ministro da Fazenda.
     
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