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Caso Master: Mendonça critica PGR após Gonet perder prazo para se manifestar sobre pedido de prisão de Vorcaro

Publicada em: 05/03/2026 06:10 -

O episódio envolve um conflito institucional pontual entre o relator do caso no Supremo e a manifestação do Ministério Público sobre a urgência das medidas solicitadas pela Polícia Federal. Veja o que significa, na prática:

1. A crítica de André Mendonça à PGR

O ministro André Mendonça registrou na decisão que a Procuradoria-Geral da República não apresentou parecer dentro do prazo de 72 horas que ele havia concedido.

Segundo o despacho, o prazo terminou “in albis” — expressão jurídica que significa sem manifestação.
Depois disso, o procurador-geral Paulo Gonet pediu mais tempo para analisar o caso, alegando que:

  • o material era extenso e complexo;

  • havia muitos investigados e empresas envolvidas;

  • não existia perigo imediato que justificasse análise acelerada.

2. Por que Mendonça rejeitou o pedido

Mendonça negou a prorrogação e afirmou que havia urgência real nas medidas pedidas pela Polícia Federal.

Na decisão, ele argumentou que os elementos do processo indicariam risco de:

  • continuidade de crimes;

  • intimidação de jornalistas, autoridades e cidadãos;

  • obstrução de Justiça;

  • acesso indevido a sistemas sigilosos da própria PF, do Ministério Público e até da Interpol.

Por isso, o ministro escreveu que “lamenta-se” a avaliação da PGR de que não haveria perigo iminente.

3. O que foi autorizado

Mesmo sem o parecer da PGR dentro do prazo, Mendonça autorizou medidas na 3ª fase da operação:

  • prisões preventivas de investigados;

  • outras medidas cautelares;

  • avanço da investigação da chamada Operação Compliance Zero.

A investigação aponta, segundo a PF, para uma estrutura organizada com divisão de tarefas que incluiria:

  • monitoramento de adversários;

  • intimidação de jornalistas e autoridades;

  • possíveis crimes financeiros, corrupção e lavagem de dinheiro.

4. O que acontece agora no STF

Como a decisão foi individual (monocrática), ela ainda precisa ser confirmada por um colegiado.

O caso será submetido à Supremo Tribunal Federal, especificamente à 2ª Turma, para referendo em plenário virtual.

Esse referendo pode:

  • confirmar as prisões e medidas;

  • modificar parte delas;

  • ou derrubar a decisão do relator.

5. O que o episódio revela

Na prática, o episódio mostra:

  • tensão institucional pontual entre relator do STF e PGR;

  • divergência sobre urgência das medidas;

  • avanço de uma investigação considerada sensível e complexa.

 

Se quiser, posso também explicar o que é o “caso Master” e quem são os principais investigados, porque essa investigação envolve políticos, empresários e um suposto esquema de espionagem e acesso ilegal a bancos de dados.

 

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) após o procurador-geral Paulo Gonet não apresentar manifestação dentro do prazo fixado pelo relator em um pedido de prisões preventivas ligado ao “caso Master”. Na decisão, Mendonça registra que concedeu vista à PGR em 27 de fevereiro de 2026 por 72 horas, mas o prazo “escoou in albis” em 2 de março de 2026, às 20h27; somente depois disso a PGR protocolou petição pedindo mais tempo e afirmando não ver risco imediato que justificasse a tramitação acelerada. A crítica aparece no contexto da decisão que autorizou a 3ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e determinou prisões preventivas e outras medidas cautelares contra investigados. Mendonça determinou ainda que, por se tratar de decisão individual (monocrática), o ato seja submetido a referendo da 2ª Turma do STF em sessão virtual. O que Gonet alegou (e por que pediu mais tempo) Na petição apresentada após o encerramento do prazo, a PGR argumentou que o tempo concedido seria “de impossível atendimento” diante do número de investigados, pessoas jurídicas envolvidas e da “alta complexidade” do material analisado. Também afirmou que não se via, no pedido encaminhado ao Ministério Público, “a indicação de perigo iminente, imediato” que justificasse “a extraordinária necessidade” de análise tão rápida, pedindo que as providências aguardassem manifestação posterior da PGR. A resposta de Mendonça: prazo negado e “lamenta-se” a avaliação da PGR Mendonça indeferiu o pedido de dilação e, ao rebater a posição do Ministério Público, escreveu que, diante do “robusto quadro fático-probatório”, “lamenta-se” que a PGR tenha sustentado ausência de perigo iminente. O ministro justificou a urgência afirmando haver elementos indicando risco de novas condutas ilícitas contra “a integridade física e moral” de cidadãos, jornalista(s) e autoridades públicas, além de apontar indícios de acesso indevido a sistemas sigilosos da própria PF, do Ministério Público e até de organismo internacional (Interpol). Em reportagens publicadas nesta quarta-feira (4), veículos destacaram que Mendonça avaliou que a PGR minimizou a gravidade e a urgência dos fatos ao pedir mais prazo, ponto que o ministro enfrentou diretamente na fundamentação do despacho. O que está em jogo no “pedido de prisão” De acordo com a decisão tornada pública, a PF sustentou que haveria uma estrutura organizada com divisão de tarefas, incluindo um núcleo voltado à intimidação e obstrução de Justiça, com monitoramento de adversários, jornalistas e autoridades, além de hipóteses investigadas de crimes financeiros, corrupção e lavagem de dinheiro. Mendonça reproduz esse enquadramento ao listar os núcleos descritos pela autoridade policial e ao fundamentar a necessidade das medidas cautelares. Próximos passos no STF Como a decisão é monocrática, caberá à 2ª Turma do STF decidir, em plenário virtual, se referenda ou não as determinações do relator, procedimento comum em medidas urgentes. A análise deve entrar na próxima pauta do colegiado. Na prática, o referendo serve para que o colegiado confirme (ou eventualmente derrube/modifique) as medidas deferidas de forma individual, mantendo o processo sob acompanhamento da Turma responsável. 

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