Uma ação integrada entre forças de segurança e a Prefeitura de Três Lagoas marcou a manhã desta quarta-feira (4) no bairro Paranapungá. A Polícia Militar, a Polícia Civil e o município lançaram a Operação Approximatus, iniciativa que prevê cumprimento de mandados de prisão, combate ao tráfico de drogas, limpeza de terrenos, retirada de entulhos e reforço da segurança pública, com foco também no fortalecimento da comunidade.
O lançamento ocorreu na sede da Associação de Moradores do bairro e reuniu representantes das forças policiais, secretarias municipais, vereadores e moradores. A operação é coordenada pelo 2º Batalhão da Polícia Militar e foi planejada a partir de um levantamento da chamada “mancha criminal” na cidade, que identificou os bairros considerados mais críticos.
Participaram do ato o prefeito Cassiano Maia, o comandante do 2º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Ronaldo Moreira, o delegado regional da Polícia Civil, Ailton Pereira, o presidente da Câmara Municipal, Antônio Empeke Júnior, o Tonhão, além de delegados, policiais, vereadores e lideranças comunitárias.
Segundo o comandante Ronaldo Moreira, a operação busca aproximar o poder público da população e fortalecer os vínculos comunitários. A iniciativa foi estruturada com base em estudos de análise criminal fundamentados na teoria do crime ecológico e na teoria da anomia, que relacionam a criminalidade à desorganização social e à fragilidade das instituições em determinadas áreas. A proposta é reforçar três pilares considerados essenciais para reduzir os índices de violência: as relações familiares, as organizações comunitárias e a presença institucional do poder público.
Durante 15 dias ininterruptos haverá permanência de viaturas policiais 24 horas na região, além de ações como blitz de trânsito, visitas do Programa Mulher Segura (Promuse) a vítimas de violência doméstica e palestras de prevenção ao uso de drogas em escolas e na comunidade.
A estimativa da Polícia Militar é que cerca de 20% dos crimes registrados no bairro estejam relacionados à violência contra a mulher, o que motivou a inclusão de ações específicas voltadas ao tema.
A operação terá duração total de 30 dias, sendo 15 dias de atuação intensiva e outros 15 dias de avaliação e manutenção da presença policial. Após esse período, um novo bairro deve receber a iniciativa, conforme a análise da movimentação criminal na cidade.
Apesar da escolha do Paranapungá para o início das ações, Ronaldo Moreira ressaltou que Três Lagoas apresenta índices considerados tranquilos de criminalidade. Segundo ele, nos dois primeiros meses deste ano houve redução de 33% nos furtos e de 17% nos roubos no município.
Além das ações de segurança, a operação também prevê medidas urbanas e de saúde pública. Imóveis abandonados e terrenos sujos serão vistoriados e podem resultar em notificações e responsabilização dos proprietários, com o objetivo de reduzir locais utilizados para o consumo e a comercialização de drogas.
O prefeito Cassiano Maia destacou que a operação reúne diferentes áreas da administração municipal e deverá percorrer outros bairros da cidade.
Equipes da prefeitura também irão atuar na retirada de lixo e entulhos e na limpeza de terrenos. Segundo a Secretaria de Infraestrutura, a fiscalização já realizou autuações em propriedades irregulares e os serviços de roçada e limpeza poderão ser executados pela administração municipal, com os custos posteriormente cobrados dos proprietários junto ao IPTU.
O delegado da Seção de Investigações Gerais (SIG), Ricardo Cavenha, afirmou que o bairro enfrenta grande circulação de usuários de drogas, o que acaba gerando pequenos furtos e transtornos para os moradores. Ele explicou que a Polícia Civil irá intensificar investigações para identificar fornecedores de entorpecentes e autores de furtos recorrentes na região, reunindo provas para encaminhamento ao Ministério Público.
O presidente da Câmara Municipal, Antônio Empeke Júnior, afirmou que muitas das reclamações relacionadas à criminalidade, terrenos baldios e descarte irregular de lixo chegam ao Legislativo por meio da população.
Já o vereador Adriano César Rodrigues, o Sargento Rodrigues, líder do prefeito na Câmara, destacou que a operação também permitirá a aplicação de uma lei municipal de sua autoria que autoriza a prefeitura a demolir imóveis abandonados em ruínas utilizados como ponto de consumo de drogas ou esconderijo de objetos furtados.
Para o delegado regional da Polícia Civil, Ailton Pereira, a aproximação entre as forças de segurança e a população tende a contribuir para a redução dos índices de criminalidade.
O presidente da Associação de Moradores do Paranapungá, Celso José de Sousa, avalia que a operação pode ajudar a enfrentar problemas antigos do bairro, como a presença de usuários de drogas, terrenos abandonados e descarte irregular de lixo, além de fortalecer a participação da comunidade nas ações de segurança e melhoria do ambiente urbano.
