O caso envolve uma sequência de operações financeiras, relações políticas e investigações policiais que acabaram colocando o governador do DF no centro de uma controvérsia. Veja o que está acontecendo de forma resumida:
1. A operação financeira de R$ 38 milhões
Um fundo ligado à gestora Reag Investimentos comprou um crédito judicial de R$ 38 milhões pertencente a dois escritórios de advocacia:
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o Ibaneis Advocacia e Consultoria, ligado à família do governador
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o escritório do advogado Engels Augusto Muniz
O escritório ligado ao governador Ibaneis Rocha hoje é representado pelo filho dele, Caio Carvalho Barros.
Como foi o negócio
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O crédito vinha de uma ação judicial contra a União.
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Valor total da condenação: R$ 381,3 milhões.
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O direito de receber parte desse valor foi vendido com desconto por R$ 38,1 milhões (10%).
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Os escritórios receberam R$ 10,3 milhões à vista:
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R$ 4 milhões para o escritório da família do governador
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R$ 6,3 milhões para o escritório parceiro.
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Esse tipo de operação é chamado de cessão de direitos creditórios — algo comum no mercado quando se quer antecipar valores de processos judiciais.
2. O ponto que gerou suspeitas
O problema não é exatamente a venda do crédito, mas o contexto e o momento em que ocorreu.
Logo depois do negócio:
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o banco estatal do DF, Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo de Ibaneis, começou a fazer negócios com o Banco Master;
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o banqueiro Daniel Vorcaro e investidores ligados à Reag entraram no BRB;
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o banco estatal passou a comprar carteiras de crédito do Master.
Posteriormente, investigações apontaram que parte desses créditos vendidos ao BRB seriam podres ou inexistentes, causando um prejuízo estimado em R$ 8 bilhões.
3. O desfecho do Banco Master
O escândalo levou a uma crise no banco:
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o Banco Central barrou a compra do Master pelo BRB
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o Banco Master foi liquidado
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Daniel Vorcaro foi preso
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o próprio BRB passou a ser investigado.
4. Investigações que envolvem a Reag
A gestora está citada em investigações da Polícia Federal, entre elas:
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Operação Compliance Zero
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Operação Carbono Oculto
Essas apurações investigam suspeitas de lavagem de dinheiro e conexões com crime organizado, o que aumentou o peso político da transação.
5. Reação política
A oposição no DF reagiu rapidamente:
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o deputado distrital Fábio Felix pediu investigação;
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o PSB pediu ao STF o afastamento do governador;
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PSOL e Rede Sustentabilidade anunciaram pedido de impeachment.
O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
6. Defesa dos envolvidos
Os advogados e os escritórios afirmam que:
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a venda de créditos judiciais é prática comum no mercado;
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as negociações começaram anos antes da relação entre BRB e Master;
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não há ligação entre o contrato e o escândalo bancário.
✅ Em resumo:
O negócio em si pode ser legal, mas ele passou a ser questionado porque envolve:
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empresa investigada pela PF
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proximidade com o governador do DF
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coincidência temporal com operações suspeitas entre BRB e Banco Master.
Por isso o caso virou crise política e judicial.
