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Filho de Ibaneis e aliado venderam crédito de R$ 38 milhões à Reag antes de BRB negociar com Master

Publicada em: 12/03/2026 06:00 -

O caso envolve uma sequência de operações financeiras, relações políticas e investigações policiais que acabaram colocando o governador do DF no centro de uma controvérsia. Veja o que está acontecendo de forma resumida:


1. A operação financeira de R$ 38 milhões

Um fundo ligado à gestora Reag Investimentos comprou um crédito judicial de R$ 38 milhões pertencente a dois escritórios de advocacia:

  • o Ibaneis Advocacia e Consultoria, ligado à família do governador

  • o escritório do advogado Engels Augusto Muniz

O escritório ligado ao governador Ibaneis Rocha hoje é representado pelo filho dele, Caio Carvalho Barros.

Como foi o negócio

  • O crédito vinha de uma ação judicial contra a União.

  • Valor total da condenação: R$ 381,3 milhões.

  • O direito de receber parte desse valor foi vendido com desconto por R$ 38,1 milhões (10%).

  • Os escritórios receberam R$ 10,3 milhões à vista:

    • R$ 4 milhões para o escritório da família do governador

    • R$ 6,3 milhões para o escritório parceiro.

Esse tipo de operação é chamado de cessão de direitos creditórios — algo comum no mercado quando se quer antecipar valores de processos judiciais.


2. O ponto que gerou suspeitas

O problema não é exatamente a venda do crédito, mas o contexto e o momento em que ocorreu.

Logo depois do negócio:

  • o banco estatal do DF, Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo de Ibaneis, começou a fazer negócios com o Banco Master;

  • o banqueiro Daniel Vorcaro e investidores ligados à Reag entraram no BRB;

  • o banco estatal passou a comprar carteiras de crédito do Master.

Posteriormente, investigações apontaram que parte desses créditos vendidos ao BRB seriam podres ou inexistentes, causando um prejuízo estimado em R$ 8 bilhões.


3. O desfecho do Banco Master

O escândalo levou a uma crise no banco:

  • o Banco Central barrou a compra do Master pelo BRB

  • o Banco Master foi liquidado

  • Daniel Vorcaro foi preso

  • o próprio BRB passou a ser investigado.


4. Investigações que envolvem a Reag

A gestora está citada em investigações da Polícia Federal, entre elas:

  • Operação Compliance Zero

  • Operação Carbono Oculto

Essas apurações investigam suspeitas de lavagem de dinheiro e conexões com crime organizado, o que aumentou o peso político da transação.


5. Reação política

A oposição no DF reagiu rapidamente:

  • o deputado distrital Fábio Felix pediu investigação;

  • o PSB pediu ao STF o afastamento do governador;

  • PSOL e Rede Sustentabilidade anunciaram pedido de impeachment.

O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.


6. Defesa dos envolvidos

Os advogados e os escritórios afirmam que:

  • a venda de créditos judiciais é prática comum no mercado;

  • as negociações começaram anos antes da relação entre BRB e Master;

  • não há ligação entre o contrato e o escândalo bancário.


Em resumo:
O negócio em si pode ser legal, mas ele passou a ser questionado porque envolve:

  • empresa investigada pela PF

  • proximidade com o governador do DF

  • coincidência temporal com operações suspeitas entre BRB e Banco Master.

Por isso o caso virou crise política e judicial.

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