Esse caso envolve várias alegações sérias e ainda não comprovadas de forma definitiva, então o mais importante é separar o que foi noticiado do que é versão das partes.
🧾 O que a reportagem diz
Segundo a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo:
- Registros de órgãos como:
- ANAC
- DECEA
- Registro Aeronáutico Brasileiro
- indicariam ao menos 8 voos (mai–out/2025) envolvendo Alexandre de Moraes e sua esposa.
👉 Características desses voos:
- Trajeto frequente: Brasília ↔ São Paulo
- Aeronaves operadas principalmente pela Prime Aviation
- Empresa ligada ao empresário Daniel Vorcaro
- Um voo teria usado um jato Falcon 2000 de outra empresa
🛫 Sobre a empresa citada
A Prime Aviation:
- Atua como serviço de táxi aéreo / compartilhamento de aeronaves
- Pode operar voos contratados por terceiros
- Não necessariamente implica que o passageiro tenha relação com o dono do avião
⚖️ O que diz Alexandre de Moraes
O gabinete de Alexandre de Moraes afirmou:
- As informações são “absolutamente falsas”
- Ele “jamais viajou em avião de Daniel Vorcaro”
- Diz que não conhece Fabiano Zettel
🧑⚖️ Versão do escritório da esposa
O escritório de Viviane Barci de Moraes declarou que:
- Contrata regularmente táxi aéreo, incluindo a Prime Aviation
- As contratações são operacionais, sem relação com donos das aeronaves
- Nos voos citados, Vorcaro e Zettel não estavam presentes
🔗 Ponto sensível do caso
A polêmica aumenta por causa de conexões indiretas:
- Daniel Vorcaro é ligado ao caso do Banco Master
- Há investigação envolvendo pessoas próximas, como Fabiano Zettel
- O escritório da esposa do ministro teve contrato milionário com o banco
👉 Isso levanta questionamentos sobre:
- potencial conflito de interesses
- proximidade indireta entre agentes públicos e investigados
⚠️ O ponto central (em termos simples)
Há duas interpretações possíveis:
- Versão da reportagem:
Os registros de voo indicam uso de aeronaves ligadas ao empresário. - Versão da defesa:
Foram voos contratados legalmente de táxi aéreo, sem relação com os proprietários.
🧠 Conclusão equilibrada
- Até o momento, trata-se de um conflito de versões baseado em dados técnicos vs. negativas formais.
- Usar um avião operado por empresa ligada a alguém não prova automaticamente vínculo pessoal ou irregularidade.
- Por outro lado, o caso ganha relevância por envolver:
- um ministro do STF
- um empresário investigado
- contratos milionários paralelos
👉 Ou seja: é um tema sensível que provavelmente ainda será investigado ou esclarecido com mais profundidade.
Moraes usou aviões ligados ao empresário entre maio e outubro de 2025, segundo documentos obtidos a partir do cruzamento de bases oficiais da aviação civil. Os registros indicam ao menos oito viagens realizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e sua esposa, em aeronaves associadas ao empresário Daniel Vorcaro, com deslocamentos frequentes entre Brasília e São Paulo. As informações segundo a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, com base em dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e do Registro Aeronáutico Brasileiro. Em nota, o ministro negou ter viajado em aviões ligados ao empresário. Registros apontam uso de jatos da Prime Aviation De acordo com os documentos, sete dos oito voos ocorreram em aeronaves operadas pela Prime Aviation, empresa de compartilhamento de bens de luxo da qual Vorcaro era sócio por meio do fundo Patrimonial Blue. A companhia possui autorização para operar serviços de táxi aéreo. A única exceção foi um voo realizado em 7 de agosto de 2025, quando o casal utilizou um Falcon 2000 registrado em nome da empresa FSW SPE, que não possui autorização para esse tipo de operação. Vínculo com sócios investigados Entre os sócios da aeronave está o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Ele foi preso pela Polícia Federal (PF) em uma operação envolvendo o ex-banqueiro e negocia acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a própria PF. A defesa de Daniel Vorcaro informou que não se pronunciaria, enquanto o advogado de Zettel não respondeu aos questionamentos encaminhados pela reportagem Detalhes das viagens O primeiro voo identificado ocorreu em 16 de maio de 2025, quando Moraes e sua esposa embarcaram no terminal executivo do aeroporto de Brasília pela manhã. Em seguida, um jato da Prime Aviation decolou com destino ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Outros deslocamentos teriam ocorrido ao longo dos meses seguintes, incluindo voos noturnos e viagens para o aeroporto Catarina, especializado em aviação executiva. Em algumas ocasiões, o ministro viajou sozinho; em outras, acompanhado da esposa e de outros passageiros. O último voo identificado ocorreu em 16 de outubro de 2025, também em aeronave da Prime Aviation, partindo de Brasília rumo a São Paulo. Respostas das partes envolvidas Em nota, o gabinete do ministro afirmou que "as ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas". O texto acrescenta que "o Ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece". O escritório da advogada Viviane Barci de Moraes declarou que contrata regularmente serviços de táxi aéreo, incluindo a Prime Aviation. Segundo a nota, "em nenhum dos voos em aeronaves da Prime Aviation em que viajaram integrantes do escritório, no entanto, estiveram presentes Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel". O escritório também afirmou que "a contratação desses serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos". A Prime Aviation informou que não divulga dados sobre usuários de suas aeronaves por razões contratuais e em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Contrato com o Banco Master A reportagem também menciona que o escritório de Viviane Barci de Moraes firmou contrato com o Banco Master em fevereiro de 2024, com honorários mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, totalizando R$ 129 milhões. O acordo foi encerrado em novembro de 2025, após a liquidação da instituição pelo Banco Central. Esse tipo de estrutura é comum em negociações empresariais quando há incerteza sobre o valor real de um ativo. Um exemplo típico seria a aquisição de uma empresa com potencial de crescimento significativo, permitindo que o vendedor receba ganhos adicionais conforme o desempenho após a venda. No caso do Banco Master, as operações ocorreram a partir do final do governo Jair Bolsonaro (PL) e tinham como base a expectativa de valorização futura dos empreendimentos. Isso implicava riscos elevados, uma vez que os ganhos dependiam do sucesso posterior dos projetos. Um dos episódios mencionados envolve a venda de um “pré-precatório” por R$ 50 milhões a um banqueiro conhecido do mercado. Precatórios são dívidas da União que só se tornam efetivamente pagáveis após decisão judicial definitiva. Segundo os relatos, caso o processo fosse concluído favoravelmente, o acordo previa a divisão de R$ 1,2 bilhão entre as partes. Além desse caso, operações semelhantes teriam sido realizadas com ativos ligados a parques solares, usinas eólicas e projetos imobiliários ainda em fase de estruturação, que serviram como base para fundos de investimento. Também há registros de cotas de patrocínio do banco utilizadas em negociações com instituições financeiras. Ainda segundo fontes envolvidas nas tratativas, Vorcaro pretende ampliar o alcance de sua colaboração, incluindo não apenas agentes do mercado financeiro, mas também políticos, especialmente ligados a partidos do centrão. A estratégia seria demonstrar que não atuou isoladamente e que outras instituições lucraram com as operações, apesar de atualmente buscarem se distanciar do caso após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central.
