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O fator decisivo para a piora da popularidade de Lula, segundo a Quaest

Publicada em: 16/04/2026 06:02 -

A piora na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem um fator central, segundo a leitura da Quaest: o peso do preço dos alimentos no cotidiano da população.

A avaliação do instituto é de que o desgaste do governo decorre menos de indicadores macroeconômicos e mais da experiência concreta do cidadão comum — especialmente na ida ao supermercado, onde a percepção de perda de poder de compra é imediata.

Ao comentar os dados, o CEO da Quaest, Felipe Nunes, destacou esse eixo como decisivo para entender a queda na avaliação positiva do governo. A lógica é simples: quando o preço da comida sobe, o impacto é direto, visível e politicamente mais relevante do que estatísticas amplas da economia. No fim, o bolso fala mais alto que o discurso oficial.

Esse cenário ajuda a explicar por que a avaliação do governo pode se deteriorar mesmo diante de sinais positivos em outras áreas. O eleitor não mede a economia apenas por emprego, PIB ou anúncios do Planalto — a referência principal é o custo de vida.

Na prática, o supermercado se consolidou como um termômetro político. Quando itens básicos passam a pesar mais no orçamento, cresce a sensação de aperto, que tende a ser transferida para a imagem do presidente. Esse recorte já havia aparecido em análises anteriores, como as publicadas pela Revista Fórum, e em leituras da mesma rodada da pesquisa que apontaram que 81% dos entrevistados desejavam mudanças no governo até a próxima eleição.

O peso dos alimentos nessa percepção é particularmente elevado porque a inflação nesse grupo afeta o dia a dia de todas as faixas de renda, com impacto ainda mais forte entre os mais pobres. Diferentemente de outros indicadores econômicos, trata-se de uma percepção direta, sem mediação técnica — ela se manifesta no preço da carne, do leite, dos ovos, do café e de outros itens essenciais.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística reforçam esse quadro. Em março de 2026, o grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 1,56% no IPCA, com destaque para a alimentação no domicílio, que subiu 1,94%.

 

É nesse contexto que a Quaest identifica o principal vetor da piora na popularidade presidencial: mais do que ruído político ou disputa de narrativa, pesa a percepção disseminada de que viver ficou mais caro — e de que o orçamento encolheu diante da alta dos alimentos.

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