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Secretaria de Tarcísio não localiza R$ 23 milhões em materiais

Publicada em: 20/04/2026 05:54 -

 

A Secretaria de Esportes do governo de Tarcísio de Freitas não conseguiu explicar o destino de cerca de R$ 23 milhões em materiais comprados pela pasta. A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo com base em dados obtidos via Lei de Acesso à Informação.

📊 O que aconteceu

  • Um inventário solicitado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo encontrou:
    • R$ 51,5 milhões em compras registradas
    • Apenas R$ 16,7 milhões localizados fisicamente
  • Depois, a secretaria conseguiu rastrear mais R$ 11,5 milhões, parte deles destinados a doações
  • Ainda assim, ficou uma diferença relevante sem explicação (cerca de R$ 23 milhões)

⚠️ Principais problemas apontados

  • Falta de controle adequado de estoque
  • Divergência entre registros contábeis e materiais físicos
  • Armazenamento desorganizado (caixas abertas e sem controle)
  • Ausência de documentação comprovando parte das doações

🧾 Tentativas de correção

  • Criação de comissões de inventário e investigação
  • Determinação de medidas urgentes e plano de ação (que não foi entregue)
  • Nova equipe criada para aprofundar apuração
  • Estruturação de novos sistemas de controle e rastreamento

👥 Consequências internas

  • Exoneração de dois altos funcionários (secretário-executivo e subsecretário)
  • Relatos de pressão interna para avançar nas investigações

🏛️ Avaliação técnica

O professor da Universidade de São Paulo, Vitor Schirato, criticou a demora na apuração, destacando que uma situação semelhante no setor privado geraria reações imediatas.

📌 Situação atual

  • A secretaria afirma que segue investigando
  • Um relatório preliminar está em elaboração
  • Pode haver abertura de sindicância
  • O TCE-SP aprovou as contas com ressalvas e recomendou correções

👉 Em resumo: o caso expõe falhas graves de gestão e controle interno, ainda sem explicação completa sobre o destino de milhões em recursos públicos.

A Secretaria de Esportes do governo de Tarcísio de Freitas não conseguiu identificar o destino de R$ 23 milhões em materiais adquiridos pela pasta. A informação foi revelada em reportagem da Folha de S.Paulo, com base em documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação. O problema veio à tona após um inventário do almoxarifado, solicitado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). A comissão responsável encontrou notas de empenho que somavam R$ 51,5 milhões em compras, mas localizou apenas R$ 16,7 milhões em materiais armazenados fisicamente. Posteriormente, a secretaria conseguiu rastrear outros R$ 11,5 milhões, parte deles destinados a doações. Ainda assim, permaneceu uma diferença significativa sem explicação.

Em nota enviada à reportagem, a pasta afirmou que determinou “a implementação de medidas aprimoradas de controle, rastreamento e gestão patrimonial”. Também declarou que reafirma “seu compromisso com a correta aplicação dos recursos públicos e com a transparência de suas ações”. Segundo o órgão, está em elaboração um relatório preliminar que deve subsidiar a abertura de sindicância. Para o professor de direito administrativo da USP, Vitor Schirato, a apuração deveria ter sido iniciada imediatamente. “Imagina uma empresa privada com uma diferença de estoque de milhões. Põe metade da empresa na rua no dia seguinte”, afirmou. Ele ressalta que a sindicância não tem apenas caráter punitivo, mas serve para esclarecer os fatos. As inconsistências já haviam sido apontadas no início de 2025, durante a análise das contas da secretaria referentes ao ano anterior. O TCE-SP identificou divergência entre os registros do almoxarifado e os dados do Siafem, sistema de controle orçamentário do estado. O tribunal também destacou a inexistência de um sistema adequado de controle de estoque, em desacordo com a legislação vigente. Apesar das falhas, o conselheiro Sidney Estanislau Beraldo votou pela aprovação do balanço, com ressalvas e recomendação de correções.

 A crise se aprofundou após a criação de uma comissão de inventário, em abril de 2025, determinada pela então secretária Helena Reis. Em junho, o coordenador do grupo, Sergio Soares, registrou uma discrepância de R$ 34,7 milhões entre os materiais encontrados em três endereços da secretaria e os valores contabilizados. O relatório apontou “falta de zelo” e desorganização no armazenamento, com caixas abertas e empilhadas de forma inadequada. Também foi destacada a inexistência de qualquer controle físico ou contábil eficiente dos itens. A comissão tentou obter comprovantes de doações junto a diferentes setores da secretaria, mas apenas uma servidora respondeu ao pedido. Em julho, o então secretário-executivo José Ribeiro Lemos Junior determinou uma série de medidas urgentes para corrigir as falhas e exigiu um plano de ação detalhado — que não foi apresentado. Em outubro, uma nova equipe foi criada para aprofundar a apuração do rombo. No despacho, Lemos indicou que valores sem comprovação documental seriam objeto de investigação preliminar.

 Dois meses depois, o subsecretário Marcelo Nanya informou ter localizado materiais no valor de R$ 11,5 milhões. Parte correspondia a doações e parte a itens utilizados em eventos esportivos. Questionada sobre os beneficiários, a secretaria afirmou que os materiais são destinados a escolas, entidades, municípios e competições oficiais, mediante solicitação formal. Nanya também relatou dificuldades na análise documental, especialmente na vinculação entre materiais físicos, registros de estoque e notas de empenho. Segundo ele, novos documentos estavam sendo organizados e uma nova contagem dos itens estava em andamento. Por isso, argumentou que o valor restante não deveria ser considerado na apuração naquele momento.

No início de 2026, tanto Lemos quanto Nanya foram exonerados. De acordo com relatos obtidos pela reportagem, a saída do secretário-executivo ocorreu em meio a incômodo com a pressão exercida por ele para avançar nas investigações. Em nota, a Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo informou que está seguindo com "a apuração e análise das informações que já estavam sendo realizadas", visando verificar "as inconsistências entre registros contábeis e o estoque físico de materiais para determinar a adoção das próximas medidas". A secretaria também ressalta que "os procedimentos de controle interno estão sendo estruturados, revisados e aprimorados, com ênfase na gestão e fiscalização dos contratos". No texto, a pasta destaca que "não compactua com desvios de conduta e todas as providências cabíveis estão sendo tomadas" e que "colabora integralmente com os órgãos de controle e fiscalização, com avaliação rigorosa das recomendações para que todas as etapas dos processos sejam conduzidas com severidade e transparência".

 
 
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