O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (21) que o Brasil poderá adotar medidas de reciprocidade após os Estados Unidos determinarem a saída de um delegado da Polícia Federal envolvido em investigações relacionadas ao ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ).
A declaração foi feita em Hannover, onde o presidente cumpre agenda oficial. Segundo Lula, o governo brasileiro foi informado sobre o caso na manhã desta terça-feira e ainda busca detalhes sobre a decisão das autoridades americanas.
“Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil”, afirmou.
O presidente também criticou o que classificou como possível interferência indevida dos Estados Unidos. “Não aceitarei essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas pessoas americanas querem ter com relação ao Brasil”, declarou.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, negou qualquer irregularidade e disse que o país aguarda esclarecimentos formais. “Essa notícia não tem fundamento. Estamos aguardando explicações das autoridades americanas”, afirmou.
De acordo com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o delegado Marcelo Ivo de Carvalho está nos Estados Unidos há mais de dois anos em missão oficial. Ele foi designado em março de 2023 para atuar em Miami em parceria com o Immigration and Customs Enforcement (ICE), com a função de localizar e prender foragidos da Justiça brasileira no exterior.
Em março de 2025, a permanência do delegado foi prorrogada até agosto deste ano.
Na segunda-feira (20), o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos anunciou, por meio de rede social, que determinou a saída do delegado brasileiro. Sem citar nomes, o governo americano afirmou que uma autoridade brasileira teria tentado “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas” em território americano.
A Polícia Federal informou que não recebeu comunicação oficial sobre a medida. Já o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) preferiu não comentar o caso naquele momento.
A decisão ocorre em meio à repercussão internacional envolvendo Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin e ex-deputado federal. O episódio amplia o desgaste diplomático entre Brasil e Estados Unidos e pode gerar novos desdobramentos políticos nos próximos dias.
