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Publicações comparam dados diferentes das contas públicas para inflar crescimento do déficit na gestão Lula

Publicada em: 25/04/2026 11:43 -

As publicações viralizadas são enganosas porque comparam indicadores fiscais diferentes, como se fossem equivalentes.

Em resumo:

  • R$ 54,1 bilhões de superávit em 2022: é o resultado primário do governo central, que inclui Tesouro Nacional, Banco Central do Brasil e INSS.
    • “Primário” significa que não inclui juros da dívida.
  • R$ 1 trilhão de déficit em 2025: é o resultado nominal do setor público consolidado, calculado pelo Banco Central do Brasil.
    • Inclui União, estados, municípios, estatais (exceto grupos como Petrobras e Eletrobras em algumas estatísticas).
    • “Nominal” inclui juros da dívida.

Ou seja, a comparação correta seria:

  • Governo central primário em 2022: +R$ 54,1 bilhões
  • Governo central primário em 2025: –R$ 61,7 bilhões

Isso mostra deterioração fiscal, mas muito distante de “passou de superávit para rombo de R$ 1 trilhão”.

Se quisermos comparar o setor público nominal:

  • 2022: –R$ 460,4 bilhões
  • 2025: –R$ 1 trilhão

Nesse caso houve piora, mas essa piora não pode ser atribuída exclusivamente ao governo federal, pois envolve estados, municípios e o custo dos juros.

A distinção central é:

  • Resultado primário = receitas – despesas, sem juros → mostra esforço fiscal atual.
  • Resultado nominal = resultado primário + juros → mostra impacto total na dívida.

Portanto, a frase “Lula recebeu superávit e entrega rombo de R$ 1 trilhão” mistura conceitos para induzir uma interpretação distorcida. Há, sim, aumento do endividamento e piora fiscal nos últimos anos, mas o número usado na postagem não é comparável ao dado de 2022.

 
 
 
 
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