As publicações viralizadas são enganosas porque comparam indicadores fiscais diferentes, como se fossem equivalentes.
Em resumo:
- R$ 54,1 bilhões de superávit em 2022: é o resultado primário do governo central, que inclui Tesouro Nacional, Banco Central do Brasil e INSS.
- “Primário” significa que não inclui juros da dívida.
- R$ 1 trilhão de déficit em 2025: é o resultado nominal do setor público consolidado, calculado pelo Banco Central do Brasil.
- Inclui União, estados, municípios, estatais (exceto grupos como Petrobras e Eletrobras em algumas estatísticas).
- “Nominal” inclui juros da dívida.
Ou seja, a comparação correta seria:
- Governo central primário em 2022: +R$ 54,1 bilhões
- Governo central primário em 2025: –R$ 61,7 bilhões
Isso mostra deterioração fiscal, mas muito distante de “passou de superávit para rombo de R$ 1 trilhão”.
Se quisermos comparar o setor público nominal:
- 2022: –R$ 460,4 bilhões
- 2025: –R$ 1 trilhão
Nesse caso houve piora, mas essa piora não pode ser atribuída exclusivamente ao governo federal, pois envolve estados, municípios e o custo dos juros.
A distinção central é:
- Resultado primário = receitas – despesas, sem juros → mostra esforço fiscal atual.
- Resultado nominal = resultado primário + juros → mostra impacto total na dívida.
Portanto, a frase “Lula recebeu superávit e entrega rombo de R$ 1 trilhão” mistura conceitos para induzir uma interpretação distorcida. Há, sim, aumento do endividamento e piora fiscal nos últimos anos, mas o número usado na postagem não é comparável ao dado de 2022.
