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Moraes estaria "aparentemente irritado e chateado" com acusação de agir contra Messias

Publicada em: 06/05/2026 06:15 -

1. O epicentro da crise

  • A rejeição de Messias pelo Senado (42 a 34) é tratada como um evento raro e politicamente significativo.
  • O episódio gerou desconfiança dentro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

2. O papel de Alexandre de Moraes

  • Moraes nega qualquer atuação contra Messias e afirma que as acusações são infundadas.
  • Ele buscou interlocutores do governo e até o próprio Messias para se explicar.
  • Demonstrou irritação com a narrativa de que teria articulado a derrota.

3. Suspeitas do Planalto

  • No governo, há relatos de que Moraes teria mantido proximidade estratégica com Davi Alcolumbre antes da votação.
  • Essa relação levanta dúvidas sobre possível influência indireta no resultado.

4. Divisão de interpretações

  • Defensores de Moraes: dizem que não há provas concretas de interferência e destacam sua relação institucional com Lula.
  • Visão intermediária: sugerem que Moraes adotou uma postura “dúbia” — não atuou contra, mas também não apoiou ativamente, possivelmente para não contrariar Alcolumbre.

5. O cálculo político maior

  • Para o governo, a vitória de Alcolumbre fortalece sua posição para 2027.
  • Isso poderia ter impacto direto sobre o STF, já que o presidente do Senado tem papel central em eventuais processos contra ministros.

6. Contexto legislativo sensível

  • A aprovação da chamada “Lei da Dosimetria”, com derrubada de veto de Lula, adiciona complexidade.
  • A lei pode levar à revisão de penas em casos ligados a tentativa de golpe, inclusive decisões conduzidas por Moraes.

 

Em resumo:
O texto aponta um ambiente de desconfiança e disputa de narrativas. Não há consenso sobre a atuação de Moraes — variando entre negação categórica, defesa institucional e interpretações mais pragmáticas — enquanto o episódio expõe tensões entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

A movimentação das placas tectônicas da política na Praça dos Três Poderes atingiu níveis de caos institucional após a histórica rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). No centro do terremoto, o ministro Alexandre de Moraes tem se movimentado intensamente nos bastidores para dissipar uma versão que já parece consolidada no Palácio do Planalto e na imprensa: a de que ele teria sido o arquiteto intelectual, ou ao menos o avalista, da derrota do Advogado-Geral da União (AGU) no Senado. A Fórum apurou que Moraes não apenas nega as acusações, como tem demonstrado irritação e uma aparente chateação com o que chama de “especulação sem pé na realidade”. O ministro buscou interlocutores diretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para “jurar de pés juntos” que não moveu uma única palha para barrar a entrada de Messias na Corte. Segundo relatos obtidos pela reportagem, o magistrado argumenta que não teria motivos para tal enfrentamento e que o desfecho no Senado, uma derrota dilacerante por 42 votos contra 34, deve ser creditado integralmente à conta política de Davi Alcolumbre (União-AP), de quem Moraes é próximo. Ofensiva diplomática de Moraes A tentativa de “limpar o campo” incluiu o envio de mensagens e recados a vários atores do Executivo. Conforme antecipado pela coluna de Mônica Bergamo, e confirmado pela Fórum, Moraes escreveu até ao próprio AGU lamentando o resultado da sabatina. Até o último fim de semana, no entanto, o silêncio de Messias era o único retorno recebido pelo ministro, o que acentuou o clima de desconforto. Além do contato direto, Moraes acionou membros do primeiro escalão do governo com quem mantém diálogo fluido. O tom das conversas é de contrariedade absoluta com as notícias que indicam que Lula está convencido de sua “traição”. O Planalto, por sua vez, não construiu essa tese sobre areia movediça. A Fórum apurou que a sede da Presidência recebeu inúmeros reportes do Congresso Nacional detalhando a proximidade cirúrgica entre Moraes e Alcolumbre nos dias que antecederam a votação. No entendimento do governo, o suporte de Moraes foi o que deu ao senador a munição e a retaguarda necessárias para o enfrentamento aberto contra a indicação de Messias. Defensores e a tese da “posição dúbia” Apesar do clima de desconfiança generalizada, a Fórum foi informada de que atores influentes do governo Lula ainda saem em defesa do magistrado do Supremo. Esse grupo insiste que Moraes jamais atuou contra os interesses do presidente e que a relação entre ambos é pautada por um “respeito institucional e uma tendência de colaboração inegáveis”. A frase muito repetida é: “Moraes não faria isso com o presidente”. O argumento central dessa ala defensora é a ausência de provas materiais: ninguém conseguiria apontar um único telefonema de Moraes para senadores pedindo votos contra o AGU. Para eles, as teorias de que o ministro temia uma aliança entre Messias e André Mendonça para explorar e esmiuçar o Caso Master são fruto de “pura especulação”. Já para outros interlocutores do STF que têm feito questão de falar sobre o assunto, haveria uma visão mais pragmática da coisa: Moraes teria sido arrastado para uma “posição dúbia”. Como aliado de primeira hora de Alcolumbre, ele evitou apoiar Messias com entusiasmo para não contrariar o presidente do Senado, mas também não teria feito “carga contra”. Uma espécie de silêncio para agradar o amigo. Eles lembram, inclusive, que Moraes participou de um almoço na casa do ministro Cristiano Zanin para tentar aproximar Alcolumbre e Messias, embora o senador tenha saído de lá sem garantir apoio. O tabuleiro de Lula: Alcolumbre e a blindagem de 2027 Para o presidente Lula, o cálculo é outro e envolve a sobrevivência de Moraes a longo prazo. No Planalto, a leitura é de que a vitória de Alcolumbre sobre o governo fortalece o senador para a reeleição à presidência da Casa em 2027. Ter um aliado fiel no comando do Senado por mais dois anos seria, para Alexandre de Moraes, a garantia definitiva de que nenhum pedido de impeachment contra ele veria a luz do dia. O cenário se torna ainda mais complexo com a recente aprovação da Lei da Dosimetria pelo Senado, logo após a derrota de Messias, que diminui penas de condenados por golpe de Estado. Com o veto de Lula derrubado sob a batuta de Alcolumbre, Moraes teria agora o amparo legal para rever punições, o que poderia, ironicamente, aliviar a situação de figuras como Jair Bolsonaro e os generais golpistas, que ele próprio condenou.

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