A contradição central levantada é esta:
- O clube teria demitido Crespo alegando insatisfação com o discurso “pessimista” sobre metas e títulos.
- Depois contratou Roger para um projeto de curto prazo.
- Agora, segundo o áudio atribuído a Harry Massis Jr., não conseguiria demiti-lo por falta de dinheiro para pagar multa rescisória.
O argumento do autor é que, se o clube já tinha dificuldades financeiras, a troca de treinador teria aumentado ainda mais os custos, porque:
- Crespo ainda tinha valores pendentes da passagem anterior;
- a demissão gerou nova multa;
- a contratação de Roger criou outro contrato e outra possível indenização.
O texto também sugere que:
- a troca foi mais política e emocional do que técnica;
- houve excesso de expectativa após o bom início no Brasileiro;
- Roger virou alvo rapidamente por causa do desempenho irregular;
- demiti-lo agora seria admitir erro da diretoria, especialmente de Rui Costa.
Há ainda um componente político interno destacado:
- disputas de poder no clube;
- pressão de conselheiros;
- ambiente eleitoral no fim do ano;
- divisão entre grupos dirigentes.
Sobre Roger Machado, o texto mistura avaliação técnica e análise do ambiente externo. O autor afirma que houve resistência de parte da torcida por fatores ideológicos e raciais, além da desconfiança sobre seu currículo. Isso é apresentado como um elemento adicional de pressão, não como justificativa objetiva para resultados.
Em resumo, a tese defendida é:
- o São Paulo trocou um treinador que aceitava metas realistas por outro contratado para buscar títulos imediatos;
- os resultados não melhoraram;
- e agora o clube estaria preso financeiramente à decisão que tomou.
Como análise opinativa, o texto usa linguagem forte (“comédia de erros”, “sinuca de bico”, “guerra de facções”) e interpreta motivações políticas internas, então parte das conclusões depende da visão do articulista e não apenas de fatos confirmados.
Em áudio vazado de Harry Massis, o presidente do São Paulo diz que não pode demitir Roger porque não tem dinheiro para pagar multa. Então, por que demitiu Crespo?Vamos ver como começou esta comédia de erros. O comando de futebol do São Paulo, com Júlio Casares, era dividido entre Carlos Belmonte, Muricy e Rui Costa. Os três primeiros caíram. Vieram Harry Massis Jr e Rafinha. O treinador continuou sendo Crespo, que veio para substituir Dorival Jr. O São Paulo ainda devia a ele, pela passagem de 2021, quando foi campeão paulista. Crespo deu uma entrevista dizendo que a meta do ano era chegar aos 45 pontos. Foi desmentido pelo novo presidente e pelo novo comando. Rafinha chegou a dizer que havia sido campeão em 2023 com salário atrasado. A normalização e a glorificação de erro injustificável. Depois de um início de Brasileiro surpreendentemente bom, com dez pontos ganhos em 12 disputados, Crespo deu outra entrevista. Mais correta que a anterior; por menos apocalíptica. Falou que o São Paulo somente poderia pensar em títulos em 2027. Antes, não. O presidente, picado pela mosca do soberanismo, considerou uma ofensa. Uma insubordinação. Rui Costa disse que era possivel pensar em conquistas a curto prazo. E os três demitiram Crespo. E trouxeram um treinador novo para lutar por títulos urgentemente. Roger Machado. Ele chegou sob enorme carga, muita pressão por parte da torcida. Muitos motivos: 1) Além de contente com o bom momento de Crespo, a torcida estava iludida. Achava que seria duradouro. 2) Roger é um treinador de poucos títulos na carreira. Como acreditar que ele iria desabrochar no São Paulo, de torneiras fechadas para contratações? 3) Roger é preto e de esquerda. Isto pesa para parte da torcida que gritava “ela, ela, ela, silêncio na favela”, para os corintianos em tempos de estádio dividido. E não se pode esquecer que estamos no Brasil, onde tem gente bebendo detergente porque a Anvisa seria petista. Con tudo que havia contra sua contratação, Roger precisava ter um ótimo rendimento. E, se está correspondendo nas copas, está mal no Brasileiro, com cinco derrotas, dois empates e quatro vitórias. O futebol apresentado tem sido pior que os números. Roger se mostrou um adepto do 4-2-4, com jogo construído pelas pontas, ao contrário de Crespo, que jogava pelo meio, com Marcos Antônio, Danielzinho e Bobadilla. Contra o Corinthians, foi um massacre. O time escapou de uma goleada. Roger não demonstra capacidade de fazer o time evoluir. E não pode ser demitido. Primeiro, porque foi uma aposta solo de Rui Costa. Foi ele que decidiu trazer um treinador de poucos títulos para…conseguir um título. Vai demitir agora, depois de dois meses de trabalho? Seria confessar a incompetência. O segundo motivo é justificável. Falta dinheiro para pagar multa. Então, fica o Roger até o final do contrato. O time tenta vencer a Sul-americana ou a Copa do Brasil e fazer um Brasileiro digno. Mas, não eram as metas do Crespo? Por que demitiram? Por que arrumaram outra dívida com o argentino? Aí está a sinuca de bico. O São Paulo está mal com Roger e tem de ficar com ele porque precisa pagar uma multa. Se demitir a Criatura, por coerência precisa também demitir Rui Costa, o Criador. Enquanto isso, o clube vive uma guerra de facções, com todo mundo querendo demitir todo mundo. No final do ano, teremos eleições, com candidatos saídos de um Conselho anacrônico e reacionârio. Ao torcedor, resta torcer. E sofrer.
