A denúncia da Procuradoria-Geral da República coloca o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, em um novo embate institucional com ministros do Supremo Tribunal Federal. O caso envolve uma acusação de calúnia contra o ministro Gilmar Mendes após a divulgação, nas redes sociais, de um vídeo satírico produzido com inteligência artificial.
Segundo a PGR, comandada por Paulo Gonet, o conteúdo publicado por Zema extrapolaria os limites da crítica política e configuraria crime contra a honra. A denúncia foi enviada ao Superior Tribunal de Justiça porque os fatos teriam ocorrido durante o exercício do mandato de governador.
O episódio começou quando Gilmar Mendes pediu ao ministro Alexandre de Moraes a inclusão de Zema no chamado inquérito das fake news, em tramitação no STF. O vídeo compartilhado pelo governador mostrava representações em forma de fantoches de Gilmar Mendes e Dias Toffoli comentando o escândalo relacionado ao Banco Master.
A própria PGR, porém, entendeu que o caso não tinha relação direta com o inquérito das fake news, tratando-se especificamente de possível crime contra a honra.
Em reação, Zema adotou um discurso de enfrentamento ao STF e afirmou que não pretende recuar. Segundo ele, ministros da Corte não aceitariam críticas nem sátiras políticas. A declaração reforça uma estratégia de confronto institucional que pode ter impacto no cenário eleitoral de 2026, especialmente entre setores conservadores e críticos ao Supremo.
O caso também reacende o debate sobre os limites entre liberdade de expressão, humor político e responsabilização por conteúdos produzidos com inteligência artificial, tema que vem ganhando espaço no Judiciário e no Congresso.
