O jurista Pedro Serrano afirmou que a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal teria relação direta com as investigações envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo Serrano, senadores temeriam que Messias, caso fosse aprovado para a Corte, atuasse de forma rigorosa em apurações sobre supostas fraudes ligadas ao banco.
Na avaliação do jurista, a articulação política no Senado Federal para barrar a indicação não teria ocorrido por falta de qualificação jurídica de Messias, mas por interesses ligados às investigações em curso. Serrano citou o senador Ciro Nogueira como um dos parlamentares que teriam atuado fortemente contra a indicação.
Serrano também criticou o vazamento de informações de investigações, argumentando que isso permite que eventuais envolvidos se organizem previamente para responder às acusações. Para ele, a rejeição de Messias poderia ser interpretada como uma tentativa de dificultar investigações que atingiriam integrantes do próprio Senado.
Ao comentar a situação do senador Flávio Bolsonaro, Serrano afirmou que o caso envolvendo pedidos de recursos financeiros a Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, precisa ser investigado. Segundo o jurista, o fato de o dinheiro não ser público não elimina a necessidade de apuração, já que envolveria um agente público solicitando benefícios privados a um banqueiro sob investigação.
Serrano destacou ainda que a origem dos recursos e o contexto em que os pedidos teriam sido feitos levantam suspeitas relevantes. Ele também mencionou a hipótese de parte dos valores ter sido destinada a atividades ligadas a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, hipótese que, segundo ele, também exigiria investigação.
O jurista argumenta que os motivos utilizados para rejeitar Jorge Messias foram essencialmente políticos e ideológicos, e não relacionados ao chamado “notório saber jurídico”, exigido pela Constituição para ministros do STF. Na visão dele, isso poderia até configurar uma violação constitucional.
