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Genoino: O PT é alvo e o compadrio parlamentar não pega bem

Publicada em: 21/12/2025 04:55 -

A aprovação do projeto que altera a dosimetria das penas para crimes contra a democracia no Senado revelou, segundo o ex-presidente nacional do PT José Genoino, um grave erro político da bancada petista e expôs o partido a uma ofensiva articulada da direita e da extrema direita. Para ele, o episódio evidencia os limites do compadrio parlamentar em temas que envolvem princípios estruturais do campo democrático.

Em entrevista ao programa Bom Dia 247, Genoino avaliou que o PT foi colocado no centro de uma operação política destinada a legitimar um “acordão” e a enfraquecer a mobilização popular em defesa da democracia. Ele alertou que, em um contexto de pré-campanha eleitoral, o partido se tornou alvo preferencial de ataques que buscam atingir, por tabela, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Genoino, a forma como a proposta avançou no Senado distorceu o próprio sentido da defesa democrática. “A dosimetria, além de ter sido tratada de maneira açodada, porque o processo nem terminou, significa uma intervenção e uma classificação de que o crime contra a democracia é menor do que outros crimes”, afirmou. Para ele, esse ponto representa um equívoco central, ao relativizar a gravidade de ataques ao regime democrático.

O ex-dirigente petista também apontou falhas evidentes na atuação da bancada do partido. “Quando você está numa batalha dessa importância estratégica, você leva toda a sua turma para lá, todo mundo presente”, disse, ao criticar ausências e a falta de uma ação coordenada no momento decisivo da votação. Segundo ele, essa fragilidade abriu espaço para que adversários “tentassem legitimar o acordão botando o PT dentro da roda”.

Genoino foi direto ao criticar a lógica de bastidores que permeou o episódio. “Esse compadrio parlamentar não pega bem. Eu acho que o PT é alvo”, afirmou. Na sua avaliação, a experiência política acumulada pelas lideranças do partido deveria ter servido para antecipar o desgaste e impedir que a legenda fosse associada a uma negociação que fere valores históricos da esquerda.

Ao analisar o cenário mais amplo, Genoino destacou que a pressão não se limita ao Congresso Nacional. Ele mencionou o papel dos Estados Unidos no contexto internacional e afirmou que houve movimentações para sinalizar apoio à mudança na dosimetria após a revogação de medidas relacionadas à Lei Magnitsky. Na entrevista, citou o ex-presidente Donald Trump ao avaliar que “Trump não quer jogar no mar essa extrema direita” e que a geopolítica norte-americana tende a interferir de forma recorrente nas disputas políticas da América Latina.

Para o ex-presidente do PT, a resposta adequada passaria por uma postura mais firme do partido, preservando o governo. “Por isso eu defendo que o PT, em determinadas questões, fique autônomo do governo para fazer coisas que o governo não pode fazer”, afirmou. Segundo ele, nesse caso específico, o partido deveria ter assumido a linha de frente do enfrentamento político, enquanto o presidente Lula manteria a posição institucional de veto ao projeto.

Genoino concluiu que a tentativa de reduzir o impacto dos crimes ligados à tentativa de golpe de 2023 repete uma tradição da política brasileira de acordos “pelo alto”, que preservam os responsáveis e desmobilizam a sociedade. Para ele, a defesa da democracia não pode ser objeto de barganha: “Tem coisa que você não negocia. Se não é a democracia, eu não vou negociar”.

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